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·23 July 2026

Desespero chegou, hora de Coringar e contratar qualidade para o time do São Paulo?

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Coringar: Contratar para aumentar a qualidade do time, arriscar em investir mesmo sem ter dinheiro real para pagar e assumir compromissos futuros que vão custar caro mas salvar o presente como sempre faz o rival alvinegro.

É um debate que inevitavelmente ganha força quando um clube entra em crise esportiva. No caso do São Paulo, há dois caminhos possíveis, ambos com riscos elevados.

O caminho do “coringar”

A ideia seria repetir uma estratégia vista em alguns rivais: assumir novos compromissos financeiros, antecipar receitas, parcelar contratações, elevar a folha salarial e apostar que um elenco mais forte evitará um desastre esportivo e, posteriormente, gerará receitas maiores com premiações, bilheteria e valorização da marca.

O argumento a favor é simples:

  • um eventual rebaixamento seria muito mais caro do que contratar;
  • um elenco mais qualificado aumenta as chances de recuperação;
  • o clube já está endividado, então o custo de não agir pode ser ainda maior.

É a lógica de “comprar tempo” com dinheiro futuro.

O problema é que o São Paulo parte de uma situação diferente

Hoje o Tricolor não enfrenta apenas falta de caixa.

Há outros obstáculos:

  • está sob transfer ban e sequer pode registrar reforços enquanto não quitar a dívida com a Lazio;
  • já possui elevado comprometimento de receitas futuras;
  • enfrenta atrasos financeiros e dificuldades para manter obrigações em dia;
  • o custo da dívida vem aumentando.

Ou seja, antes de “coringar”, o clube precisa recuperar a capacidade de contratar.

E o rival alvinegro?

Se a referência é o Corinthians, é verdade que, em diferentes momentos, o clube assumiu riscos financeiros elevados para montar elencos competitivos. Em alguns casos isso trouxe resultados esportivos importantes; em outros, contribuiu para o aumento do endividamento e gerou dificuldades que ainda repercutem anos depois.

Essa estratégia pode funcionar no curto prazo, mas não garante sucesso. Se os resultados esportivos não vierem, o clube fica com um elenco caro e uma dívida ainda maior.

O que faria mais sentido?

Se o São Paulo enxergar um risco real de entrar na briga contra o rebaixamento, pode ser justificável aumentar o nível de risco financeiro de forma calculada. Isso significaria:

  • contratar apenas jogadores que elevem claramente o nível do time;
  • evitar apostas caras e sem retorno técnico;
  • estruturar pagamentos que o clube tenha alguma perspectiva de honrar;
  • não comprometer ainda mais receitas de longo prazo sem um plano de saída.

“Coringar” por desespero, contratando quatro ou cinco jogadores apenas para dar uma resposta à torcida, tende a ser um movimento perigoso.

Por outro lado, não fazer nada também pode custar caro caso o time continue perdendo desempenho e passe a lutar na parte de baixo da tabela.

No fim, a decisão depende da avaliação interna do clube. Se a diretoria entender que o elenco atual, somado aos retornos de lesionados e aos reforços já acertados, é suficiente para reagir, manterá uma postura conservadora. Se concluir que há risco concreto de uma crise esportiva maior, é possível que aceite um nível maior de risco financeiro — desde que consiga primeiro resolver o transfer ban e voltar a registrar atletas.

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