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·28 June 2026
Dia 18: James Rodríguez, um génio de cadeirinha e comando na mão

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·28 June 2026

Quando as câmaras televisivas focaram Carlos Valderrama, o herói colombiano percebeu o apelo. El Pibe mantém o bigode e os longos caracóis, agora grisalhos, é o pai espiritual do futebol colombiano, de mãos dadas com o mestre Pacho Maturana.
Atingido pelas lentes norte-americanas em Miami, sorriu e agradeceu. Sentiu o peso de ser quem é.
Sob os ensinamentos do segundo (Maturana) e a classe orquestral do primeiro (Valderrama), a Colômbia mostrou-se ao planeta nos Mundiais de 1990 e 1994, anos ironicamente catalogados pelo medo e a perseguição nas ruas de Cali, Bogotá e Medellín.
Eram os dias de Pablo Escobar (assassinado em 1993) e dos seus sicários, gente de coração frio e de pistola no coldre. Andrés, também ele Escobar, foi uma das vítimas dos cartéis, assassinado com tiros à queima roupa, dias depois de ter feito um autogolo numa derrota contra os EUA.
James Rodríguez nasceu por esses dias. Veio ao mundo em julho de 1991, em Cúcuta, na fronteira com a Venezuela. Cresceu a escutar as histórias sobre os feitos de Valderrama y sus muchachos, gente de qualidade insana com a bola, de René Higuita a Faustino Asprilla, mas também El Tren Valencia ou Freddy Rincón.
Aos 34 anos, e já no escurecer da carreira, é justo chegar a este veredicto: James superou todos os antecessores.
Os factos estão do seu lado. Na lição de futebol dada ao meio-campo português, James passou a ser o colombiano com mais jogos em Mundiais (11) e deixou para trás dois pesos-pesados do mundo cafetero, Valderrama e Rincón.
Está a um jogo de igualar David Ospina no topo de internacionalizações (131 vs 130) pela Colômbia e a quatro golos de empatar com El Tigre Falcao no grupo dos melhores marcadores de sempre.
O mais extraordinário nisto tudo é saber que James anda há três/quatro anos a passear de clube em clube, de experiência em experiência, apenas com o objetivo de ser feliz com a Colômbia nos grandes torneios.
Al-Rayyan, São Paulo, Rayo Vallecano, Club Léon e Minnesota United, emblemas onde James treina e joga para não estar parado, para estar minimamente apto a chegar ao Mundial e a fazer a diferença. Missão cumprida.
De cadeirinha e comando na mão, James programa, regista e decide todo o futebol cafetero. Movimenta-se numa zona devidamente assinalada, procura espaços livre e depois faz do pé esquerdo uma mira telescópica para executar.
Num jogo em que o bloco de notas de Roberto Martínez terá apagado o seu nome por distração ou desleixo, James foi foco de perturbação e temor para Portugal. Nunca foi apertado, pressionado, jogou como e onde quis até as pernas gritarem por descanso.
Valderrama foi extraordinário, um futebolista icónico e de popularidade imensa, e até nos custa escrever estas linhas. Mas é a mais pura das verdades: o pupilo superou o mestre, James superou Valderrama.
Dois génios colombianos, gente de tempos distintos.
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