Zerozero
·26 February 2026
Diogo Costa: «FC Porto nasceu do sofrimento e da rivalidade com a capital»

In partnership with
Yahoo sportsZerozero
·26 February 2026

Diogo Costa concedeu uma longa entrevista ao portal The Athletic - que foi divulgada esta quinta-feira -, onde abordou diversos temas estruturais da sua carreira. O guardião português falou sobre a arte de defender grandes penalidades e o seu percurso no FC Porto, mas não só.
Isto porque o guarda-redes dos azuis e brancos falou, também, sobre a descida da cláusula de rescisão no novo contrato que firmou com o emblema portuense, elogiou a Premier League e enalteceu a postura dos dragões com a chegada de Farioli, antes de falar sobre as ambições relativamente ao Mundial 2026. Eis as declarações do '99' portista.
Segurança nas grandes penalidades: «Costumava treinar penáltis quando tinha 18, 19, 20 anos, mas atualmente não gosto de trabalhar nisso. Com a experiência, comecei a perceber que há treino por trás, mas nos jogos também é uma questão de instinto, de ler a forma como o adversário aborda a bola.»
«Esse lado é mais importante do que treinar todos os dias. É instinto, é ter faro, é sentir o que o jogador vai fazer. Vemos tantos vídeos que, por vezes, isso joga contra nós. Acabamos por esperar que o jogador se comporte da forma habitual, mas também temos de perceber que todos sabem que foram estudados. Faz parte do que torna o futebol interessante. As pessoas podem ser muito previsíveis e muito imprevisíveis.»
Final da Liga das Nações: «Baseei a minha estratégia no que me tinha acontecido no passado, que era ir sempre para o mesmo lado. Quando defendi os três penáltis frente à Eslovénia, fui para ambos os lados, quase reagindo apenas à direção da bola. Temos de entender que os outros também nos observam. Tenho a certeza de que os jogadores da Espanha analisaram a forma como eu defendo penáltis.»
«Cábulas na garrafa de água? Prefiro não ter nada. Disse isso ao nosso treinador de guarda-redes. Ele faz uma cábula, mas eu nunca a levo para a baliza. Gosto de sentir o jogo, de perceber o que o adversário transmite pela linguagem corporal. Muitas vezes escolho o lado com base nos olhos dele. Faz parte da minha personalidade. Sempre fui uma pessoa muito observadora.»
Cláusula baixou para 60 milhões de euros: «Não é nada mais do que um contrato. É simplesmente aquilo que acordámos. Se tivesse de ficar aqui o resto da carreira, seria extremamente feliz todos os dias. Sei que todos os anos há dúvidas sobre se fico ou saio, mas isso faz parte da vida de um futebolista profissional.»
Premier League: «Todos sabemos que é uma das melhores ligas do mundo, senão a melhor. Se perguntasse a qualquer jogador do mundo se gostaria de jogar na Premier League, não acredito que algum dissesse que não.»
Instabilidade de um futebolista: «Sabemos que esta vida é muito frágil. De certa forma, ser futebolista hoje em dia é estar preparado para não ficar apenas num clube. Claro que pode acontecer, como no meu caso, mas vê-se cada vez mais saídas.»
«Adorava que o Vitinha ainda estivesse no Porto. Podia dar inúmeros exemplos, mas por razões financeiras não conseguimos segurar os melhores jogadores. Ainda assim, venho de uma família portista e isto é um sonho tornado realidade.»
Chegada de Thiago Silva ao FC Porto: «É extremamente rigoroso nos pequenos detalhes. Cabe-me aproveitar o melhor que ele pode ensinar sobre liderança. Ter alguém como ele por perto dá-nos uma sensação de tranquilidade.»
Época e valores do FC Porto: «Estamos muito confiantes, porque acreditamos no trabalho desde o início. O mister já falou disso várias vezes, quando disse que nós somos uma equipa da classe trabalhadora. Isso é o mais importante e o que nos pode levar ao sucesso. Estamos confiantes porque temos feito bem esse trabalho e queremos fazê-lo melhor, seja em termos táticos ou em termos da evolução de cada jogador. Esse é o caminho para se ter confiança e sucesso.»
«Há muito esta ideia no FC Porto de que sempre tivemos de correr mais, trabalhar mais, esforçar-nos mais para ganhar. Queremos manter isso porque é a nossa identidade. Ninguém ganha nada sozinho; precisamos sempre dos colegas. Estamos a correr três, quatro, cinco, seis quilómetros a mais do que os adversários.»
«O FC Porto nasceu do sofrimento, da rivalidade com a capital. Dizemos que talento por si só não basta para alcançar o sucesso. É preciso querer mais do que todos os outros.»
Ausência de Diogo Jota: «Há um lado sentimental por causa do que aconteceu ao Diogo Jota e ao irmão. Queremos muito honrá-lo conquistando este troféu. É difícil falar dele. Quando falamos, recordamos as excelentes memórias que temos. É um tema complicado. A ausência dele é algo que sentimos mais do que algo de que falamos.»
«O Diogo era extremamente talentoso como futebolista, mas também era uma daquelas pessoas especiais. Não havia uma única pessoa na seleção que não gostasse da sua personalidade, da sua maneira de ser. É o caráter dele que realmente fica connosco. Ele estará connosco no balneário.»







































