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·2 August 2026

Do futebol às cartas: como o pôquer virou parte da rotina de Neymar

Article image:Do futebol às cartas: como o pôquer virou parte da rotina de Neymar

Enquanto disputava sua primeira Copa do Mundo, em 2014, Neymar descobriu uma nova paixão durante a concentração da seleção brasileira: o pôquer. O atacante conheceu a modalidade ao lado dos companheiros e, desde então, passou a dedicar parte da rotina aos estudos e às competições. Mais de uma década depois, o hobby ganhou espaço definitivo na vida do jogador e se transformou em uma atividade levada a sério.

Após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, por exemplo, Neymar voltou às mesas ao participar da World Series of Poker (WSOP), principal torneio da modalidade, realizado em Las Vegas, nos Estados Unidos. Apesar de não alcançar a zona de premiação, o camisa 10 reforçou sua ligação com o esporte da mente, reconhecido pela International Mind Sports Association (IMSA), assim como o xadrez.


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Neymar acumula mais de R$ 2,4 milhões no pôquer

Ao longo dos últimos 12 anos, Neymar disputou etapas do Brazilian Series of Poker (BSOP), principal circuito da América Latina, da WSOP e do European Poker Tour (EPT), em Barcelona. Além disso, tornou-se embaixador da PokerStars e acumulou premiações nacionais e internacionais. Os registros públicos apontam ganhos superiores a R$ 2,4 milhões.

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Atacante já acumulou mais de R$ 2,4 milhões em premiações na modalidade – Foto: Divulgação / BSOP

Paralelamente à carreira no futebol, o interesse pelo pôquer cresceu de forma constante. Em 2015, poucos meses após conquistar a Liga dos Campeões pelo Barcelona, Neymar participou pela primeira vez do EPT ao lado de Gerard Piqué. Posteriormente, depois da eliminação do Brasil na Copa de 2022, aproveitou as férias para disputar a WSOP. Até momentos em família já foram adaptados para que ele acompanhasse torneios on-line.

Durante a recuperação da grave lesão no joelho esquerdo, sofrida em 2023, Neymar voltou a aparecer com frequência em competições virtuais e presenciais. Desde então, participou publicamente de pelo menos 20 eventos. Para Rafael Moraes, CEO do BSOP e um dos principais nomes do pôquer brasileiro, a relação do jogador com o esporte vai além do aspecto comercial.

Neymar é o cara que conheço, em mais de 20 anos em torneios, que mais tem vontade de ganhar. Quando conheceu o pôquer, percebeu que era um jogo mental, que podia estudar, treinar e evoluir. O futebol continua sendo sua grande paixão. O pôquer virou a segunda.

Neymar estuda estratégias e acumula premiações

Neymar também se tornou um dos milhares de participantes do BSOP, circuito que reúne entre 20 mil e 30 mil jogadores por temporada e distribui a terceira maior premiação do esporte brasileiro, atrás apenas da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro.

Segundo o Globo, embora esteja distante da rotina de um profissional — que pode disputar até 800 torneios on-line por mês —, Neymar trata o pôquer de forma estratégica. O jogador costuma revisar mãos, discutir decisões com Rafael Moraes e André Akkari, campeão mundial da modalidade, além de estudar posições na mesa, quantidade de fichas e perfis dos adversários.

Os resultados mostram evolução. Nesta temporada, o atacante soma mais de R$ 300 mil em premiações registradas e alcançou mesas finais importantes no BSOP. Para Moraes, porém, o principal diferencial está no comportamento competitivo do atleta.

Neymar é um atacante total, leva o jeito dele na vida para o pôquer. É agressivo, blefa bem, e é muito difícil blefar contra ele. Nos momentos de maior pressão, cresce. É igual a um pênalti decisivo. Ele não sente essa pressão.

Outro fator também explica a conexão do jogador com a modalidade. De acordo com Moraes, Neymar encontrou no pôquer um ambiente em que consegue viver momentos mais discretos, longe do assédio constante.

— É o lugar onde ele menos tira foto. Tudo o que faz vira um evento. No pôquer, Neymar senta à mesa e é tratado como mais um jogador. Isso pesa para que goste tanto. Ele consegue reunir amigos e família, fazer torneios privados e competir.

Hobby polêmico

Em entrevista ao Globo, o psicólogo do esporte Yan Cintra explicou que atletas de alto rendimento frequentemente buscam novas formas de manter o espírito competitivo fora da modalidade principal.

— Quando toda a identidade está concentrada no papel de atleta, momentos como lesões, derrotas ou aposentadoria costumam ser vividos com mais sofrimento. Ter outros interesses amplia essa identidade e ajuda a pessoa a perceber que vale mais do que apenas seu desempenho esportivo.

Cintra também destacou que atividades como o pôquer podem ajudar atletas afastados dos gramados a manter estímulos psicológicos importantes.

— Durante uma lesão, por exemplo, o atleta perde parte da rotina e da oportunidade de experimentar competência por meio do treino e da competição. Um hobby pode manter essas necessidades psicológicas parcialmente atendidas. O importante é que a segunda atividade complemente, e não substitua, a principal.

Apesar disso, Neymar voltou a ser alvo de críticas nos últimos anos por participar de torneios em momentos em que o Santos estava em campo. No ano passado, apareceu jogando on-line durante uma partida do clube. Recentemente, participou do BSOP Winter, em São Paulo, enquanto o Peixe disputava os playoffs da Copa Sul-Americana. Poupado do confronto, o atacante treinou pela manhã antes de viajar para o torneio.

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