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·23 March 2026

Em exclusiva, Emily Lima fala sobre início no Corinthians, gestão do elenco e planos para a base

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  1. Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

Em entrevista exclusiva à Central do Timão, a treinadora Emily Lima, comandante do Corinthians Feminino, falou sobre seu início no clube, os desafios após a estreia em um clássico, a gestão de um elenco multicampeão e os planos para integrar as categorias de base ao time profissional.

A conversa aconteceu no CT Doutor Joaquim Grava e abordou desde questões táticas e de ambiente no elenco até aspectos pessoais da carreira da treinadora.


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Foto: Reprodução / Youtube Central do Timão

No início da entrevista, Emily comentou sobre seu primeiro mês à frente do Corinthians e a sensação de assumir o comando de uma das equipes mais vitoriosas do futebol feminino brasileiro.

“Estou muito feliz, podendo fazer o que eu amo, podendo desfrutar desse momento, dessa oportunidade que o Corinthians gerou na minha vida, proporcionou na minha vida. Não só eu estou feliz. Estamos felizes porque todo mundo que veio comigo está podendo aproveitar esse momento e fazer o trabalho da melhor forma possível, como sempre nós buscamos fazer.”

Estreia em clássico e reação após a derrota

A treinadora também analisou sua estreia no comando da equipe, que aconteceu em um clássico, e explicou como procura blindar o grupo após resultados adversos. Segundo Emily, o foco do trabalho está em tirar lições da partida e manter o grupo concentrado nos próximos compromissos.

“Eu acho que o golpe duro veio em um bom momento. Acho que foi uma estreia com uma equipe competitiva, disso a gente tem que tirar as lições, buscar tudo que foi positivo dentro desse jogo e trazer o melhor sempre para elas. As coisas que não aconteceram tão bem acho que a gente tem que ajustar, não eliminar, como se nada tivesse acontecido.”

“E o blindar, a única coisa que eu posso dizer do blindar é seguir trabalhando. Então o blindar é, na semana seguinte, já estar focado no América-MG, que é o que a gente tem que pensar, buscar os três pontos dentro de casa, e as críticas fazem parte do processo. Eu não sou muito ligada em redes sociais, eu não sou muito ligada nessas coisas, então isso não me afeta em nada.”

“Eu sempre pensei muito em ter como aprendizado a cada jogo, independente dele ser com vitória ou não. Eu sempre utilizo os jogos para que eu possa me preparar melhor na semana seguinte, porque não para, né? O reloginho segue rodando, os dias seguem passando e a gente já tem um América-MG pela frente. Depois já tem na mesma semana outro jogo contra o Botafogo, depois o Bragantino e assim não para”, complementou.

Gestão de um elenco multicampeão

Outro ponto abordado foi o desafio de manter a competitividade em um elenco acostumado a vencer títulos. Para Emily, o segredo está na competitividade interna e na busca constante por evolução.

“Eu acho que é a competitividade saudável entre elas e não se acomodar na situação, porque isso já faz parte do passado. Se você quer escrever novas histórias, histórias vitoriosas, é o dia a dia. Se você deixar de fazer isso, você não vai ter uma história boa para contar. Então hoje elas têm uma história boa e positiva para contar por tudo que foi feito na época. Se elas continuarem fazendo, elas vão ter histórias boas para contar.”

Senão elas vão começar a contar histórias não tão boas e não tão vitoriosas. Então não vejo como algo difícil. Cabe a gente estar motivando todo dia, tirando elas — e não só elas, todo o grupo que trabalha fora de campo, comissão técnica, médica, todo o staff — da zona de conforto, buscando o melhor de cada um para potencializar cada dia nossas jogadoras.”

A pressão de comandar o Corinthians

Durante a entrevista, Emily também explicou uma frase que marcou sua apresentação no clube: quando afirmou que o Corinthians é “mais que uma seleção”.

“Eu acho que é o tamanho. O tamanho do clube é algo que surpreende. O clube, a pressão, a torcida, então você se coloca em uma posição muito maior que seleção. Então foi algo falado, pensado pela grandeza do clube onde nós aceitamos esse desafio. Se nós aceitamos esse desafio é porque já sabíamos que iríamos desfrutar e sofrer, entre aspas, da cobrança por essa história vitoriosa que tem ocorrido.”

“Mas isso a gente tira de letra no sentido de que é o dia a dia. As vitórias vindo, as coisas mudam. Acho que é muito o dia a dia, nós com as atletas, as atletas com a gente. Eu sempre uso a palavra desfrutar. Então, se a gente compara ou fala que o Corinthians é mais que uma seleção, é porque a gente está em um lugar muito de alto nível e competitivo, e a gente tem que desfrutar desse momento.”

Relação com as jogadoras e estilo de cobrança

A treinadora também comentou sobre a forma como conduz o trabalho diário com o elenco, conhecido por ser exigente no ambiente de treinamento.

“Chata positiva? Bom, eu preciso ver essa chata positiva (brincou). Na verdade é uma chata positiva mesmo. A gente tenta tirá-las da zona de conforto e isso incomoda. Muitas vezes as mudanças incomodam também. Algumas que já estavam acostumadas, porque já tinham trabalhado comigo, me ajudaram muito nesse sentido.“

“Ela vai ser chata, ela vai ser isso e isso, mas é do lado positivo. É tentar buscar o melhor delas, é buscar tirá-las da zona de conforto. Eu não encontrei formas de não ser essa pessoa chata e insistente em tirá-las da zona de conforto. Eu não acho que nesses momentos, sem ser a chata, a gente consiga os resultados que a gente precisa individualmente falando a cada jogadora. Mas todos os ‘chatas’ vão ser sempre para o lado de melhora de performance de cada jogadora.”

Olhar para o elenco e adaptação ao grupo

Emily também destacou o equilíbrio do elenco e a evolução das atletas que já conhecia, além das jogadoras com quem passou a trabalhar recentemente.

“Todas. Todas que eu não havia trabalhado ainda nos chamaram minha atenção e todas que eu já havia trabalhado também, porque evoluíram muito como pessoas e como atletas. Então a gente tem um grupo muito competitivo, um grupo muito bom e que eu não posso citar uma jogadora ou duas ou três.

“Eu acho que o grupo vem se adaptando, se moldando, nós também. Esse é o caminho para que a gente possa continuar vencendo. A exigência é tão alta que se você não ganhar tudo é como se não estivesse vencendo. Então é resgatar novamente essa vontade, esse brilho de buscar todas as competições.”

Integração com as categorias de base

Outro tema abordado foi o trabalho com as categorias de base do Corinthians e a possibilidade de promover atletas ao time principal.

“Devido à semana da minha chegada ter sido muito tumultuada, no sentido de ter que fazer tudo muito rápido, a gente esperou passar esses primeiros dias para iniciar o trabalho com as categorias de base. Fizemos um primeiro encontro no início dessa semana e foi muito bom. Já geramos muitos assuntos, e um deles é a criação do currículo de formação para que a gente possa ter uma base para chegar a uma jogadora melhor preparada no profissional.“

”Falando no objetivo, é chegar no profissional cada vez melhor. Eu trabalho muito em relação a grupo sempre, dificilmente destaco alguma jogadora. Acho que o destaque dessa jogadora é cumprir funções junto com as demais para que ela possa se destacar. Mas nós temos um grupo muito interessante tanto do sub-15, sub-16, sub-17 e sub-20. Já estamos assistindo jogos do Campeonato Brasileiro. É um início de trabalho que pode dar frutos subindo jogadoras para o profissional a médio e longo prazo.”

Formação de atletas e desenvolvimento no futebol feminino

A treinadora também falou sobre a importância da formação de atletas e as diferenças entre o desenvolvimento no futebol masculino e feminino.

“Eu acho que o nosso olhar é muito coletivo, principalmente falando de formação. A formação para mim é um dos trabalhos mais importantes que um clube tem. Infelizmente hoje o futebol é um negócio, um mercado absurdo onde se pula muita etapa na formação, principalmente no futebol masculino, porque eu preciso ganhar no final de semana e não desenvolver jogador. No feminino a gente tem uma brecha maior de trabalho. Ainda que falando de Corinthians exista a cobrança de ganhar, a gente quer trabalhar para desenvolver da melhor forma as atletas da base.”

Diferenças entre a carreira como jogadora e treinadora

Emily também refletiu sobre a mudança de papel no futebol após encerrar a carreira como atleta.

“Eu acho que a parte profissional muda muito.Uma coisa é você vir para o treinamento já com tudo pronto e cumprir os objetivos dentro do treinamento. Outra é você ter que armar tudo isso e, pós-treino, ficar aqui ainda avaliando tudo que foi feito. Então são coisas totalmente diferentes. É muito mais fácil ser jogadora do que ser treinadora. Mas na parte humana eu acho que não muda nada.”

Sempre busquei ser uma líder positiva dentro dos times onde joguei. Muitas vezes era capitã da equipe. Eu tive uma infância muito dura, com um pai português que me preparou para a vida. Tudo isso me preparou quando atleta e hoje como treinadora eu consigo tirar muitas situações difíceis muito rápido e passar isso para as jogadoras.”

Diferença entre gerações no futebol

Por fim, Emily comentou sobre as diferenças de comportamento entre gerações de atletas.

“Muita diferença, mas muita mesmo, são gerações totalmente diferentes. Antigamente você via alguém mais velho e falava senhor ou senhora, bom dia, boa tarde e boa noite. Hoje vejo que isso não existe mais. Perdemos muito da parte educacional. Eu tento ensinar isso para minha filha porque isso me ajudou muito na vida.Às vezes brinco com a minha mãe que fomos ensinados errado para o mundo de hoje, porque o errado virou certo e o certo virou errado. Mas, mesmo sendo difícil, é sempre buscar fazer o correto e o mais honesto possível.”

Recado para a Fiel Torcida

Ao final da entrevista, a treinadora deixou um convite para a torcida acompanhar a equipe na Neo Química Arena.

“ Pedir para o torcedor comparecer, ser o 12º jogador. Acho que elas merecem muito esse apoio que sempre deram a elas. Espero que a gente possa fazer um jogo vistoso para que eles possam desfrutar. Esperamos todos vocês na Neo Química Arena na segunda (23).”

Após a entrevista, o Corinthians Feminino segue focado na disputa do Campeonato Brasileiro. A equipe volta a campo na próxima segunda-feira (23), às 21h (de Brasília), contra o América-MG, na Neo Química Arena, pela quarta rodada da competição.

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