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·18 June 2026

Ex-dirigente conta como Memphis virou alvo do Corinthians após impasses com Balotelli e Gabigol

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  1. Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

Pedro Silveira, ex-diretor financeiro do Corinthians, voltou a comentar os bastidores da contratação de Memphis Depay justamente em um momento em que o atacante negocia a renovação de seu vínculo com o clube. O holandês, contratado em setembro de 2024, chegou ao Parque São Jorge em meio a um cenário delicado dentro de campo, com a equipe enfrentando dificuldades no Campeonato Brasileiro.

Segundo o ex-dirigente, a diretoria entendia que precisava utilizar os R$ 57 milhões previstos no contrato firmado com a Esportes da Sorte para trazer um jogador de grande apelo midiático. Antes de chegar ao nome de Memphis, porém, outros atletas foram analisados pelo departamento alvinegro. Entre eles estavam o italiano Mauro Balotelli e Gabigol, que à época ainda defendia o Flamengo. Apesar das conversas iniciadas com ambos, nenhuma das negociações avançou.


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Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

“Eu fui uma das pessoas que conduziu isso dentro do Corinthians. Para dar um contexto, a gente tinha acabado de renovar o patrocínio com a Esportes da Sorte e havia uma verba de R$ 57 milhões para dois anos destinada a um craque midiático. Então, precisávamos encontrar alguém com um impacto muito grande, que viesse para o Corinthians e destravasse esse dinheiro do contrato”, iniciou durante participação no Humans of Faria Lima Podcast.

“O primeiro nome que surgiu foi o do Balotelli. Tivemos as conversas iniciais, mas, obviamente, não fazia sentido financeiramente. O segundo nome tentado foi o Gabigol, só que ele ainda tinha contrato com o Flamengo. Começamos uma conversa, mas ela não avançou. O tempo foi passando, a janela do meio do ano estava se fechando e, como não havia diretor estatutário de futebol, mas apenas o diretor executivo, que era o Fabinho, eu e outros diretores acabávamos fazendo um papel de diretor de futebol junto com o presidente”, complementou.

A virada na busca por um reforço aconteceu após uma derrota para o Fortaleza. Incomodados com a situação do time no Brasileirão, dirigentes passaram a procurar alternativas disponíveis no mercado. Foi então que o nome de Memphis surgiu em uma pesquisa realizada no Transfermarkt, plataforma especializada em transferências e estatísticas de jogadores. A partir dali, os primeiros contatos com os representantes do holandês foram iniciados.

“Lembro que foi após uma derrota. O Corinthians estava em 18º lugar no campeonato. Era um domingo, por volta das 22h, quando meu telefone tocou. Era um dos diretores. Começamos a conversar: ‘Cara, o Corinthians não faz gol, está difícil’. Tínhamos perdido por 1 a 0 para o Fortaleza. Então falamos: ‘Precisamos achar alguém. Vamos usar aquela verba da Esportes da Sorte'”, contou Silveira.

“Começamos a procurar. Fomos à internet e pesquisamos ‘jogador com passe livre’. Aí apareceu o nome do Memphis. Entramos no Transfermarkt, site que mostra os valores dos jogadores, pegamos o e-mail dos advogados dele, que na época também atuavam como seus representantes. Mandamos o e-mail às 22h30, horário do Brasil: ‘Oi, tudo bem? Aqui é Pedro Silveira, CFO do Corinthians. Gostaria de falar sobre Memphis Depay. Queríamos muito que ele jogasse no Corinthians e gostaríamos de marcar uma reunião com vocês’. O não eu já tinha. Fomos dormir com a cabeça cheia e acordamos no dia seguinte com a resposta: ‘Vamos conversar’. A reunião foi marcada para as 17h30 da Europa, 12h30 no Brasil, e as conversas começaram”, prosseguiu.

De acordo com Pedro Silveira, um dos maiores obstáculos durante as tratativas era convencer o estafe do atacante de que o Corinthians teria condições de cumprir os compromissos financeiros assumidos. O ex-dirigente também relembrou que o contrato foi estruturado com metas e bônus por desempenho, cláusulas que posteriormente elevaram os valores devidos ao jogador.

“Os advogados questionavam: ‘O Corinthians não paga. Estamos vendo isso em todos os jornais’. Aí eu respondi: ‘Enquanto eu estiver aqui, eu garanto. Você pode confiar que vamos ter recursos para pagar’. Foram uma ou duas semanas de negociações. Estávamos no limite do que poderíamos oferecer”, destacou.

“Tanto que não pagamos luvas. Com o passe livre, o Memphis poderia pedir uma luva, porque tinha valor de mercado. Nós falamos: ‘Não temos dinheiro para isso. Vamos colocar algum valor caso você atinja metas’. E aí ele foi lá e bateu todas as metas, mais do que o previsto, mais do que o imaginado”, acrescentou.

Outro episódio marcante ocorreu quando uma proposta do futebol saudita entrou na disputa pelo atacante. Segundo Silveira, a oferta era significativamente superior à do Corinthians. Ainda assim, uma declaração do técnico da seleção holandesa, Ronald Koeman, acabou influenciando o desfecho das negociações.

“Chegou um momento da negociação em que os representantes disseram: ‘A proposta da Arábia Saudita é quase o dobro da de vocês. É óbvio que o jogador prefere ir para o Brasil do que para a Arábia Saudita, mas, se vocês não melhorarem alguma coisa, não tem como’. Desliguei o telefone e pedi um tempo para pensar no que faríamos. Conversando internamente no Corinthians, entendemos que não dava para fazer mais nada. Estávamos no limite”, comentou.

“No dia seguinte, saiu a convocação da Holanda. O Memphis já sabia que não estaria nela. Porém, havia um jogador que tinha deixado o Ajax para atuar na Arábia Saudita e ficou fora da lista. Perguntaram ao Ronald Koeman o motivo, e ele respondeu: ‘Para mim, quem vai para a Arábia Saudita perdeu a noção esportiva e não será mais convocado’. O cara soltou essa declaração bem no meio da nossa negociação. Pouco tempo depois, meu telefone tocou. Eu mantive a posição e disse que não iria melhorar a proposta. Conclusão: conseguimos fechar o contrato”, relembrou.

Ao fazer um balanço da passagem do holandês pelo Parque São Jorge, Pedro Silveira classificou a contratação como um dos maiores acertos recentes do clube. Para ele, os ganhos esportivos e financeiros superaram os custos envolvidos na operação.

“Na minha opinião, foi o melhor contrato do século depois do Ronaldo, porque gerou um retorno financeiro gigantesco. As pessoas costumam olhar apenas para o custo da operação, mas e o retorno? Houve valorização de outros jogadores, aumento de receitas, crescimento da bilheteria e, principalmente, a ajuda para evitar o rebaixamento. Se o time cai, perde pelo menos R$ 500 milhões em receitas de uma temporada para outra. Sem dúvida, o caso Memphis no Corinthians foi um grande sucesso”, finalizou Pedro Silveira.

Desde que desembarcou no Parque São Jorge, Memphis Depay soma 79 partidas pelo Corinthians, com 20 gols marcados e 15 assistências distribuídas. O contrato atual do camisa 10 é válido até 31 de julho, mas a diretoria alvinegra já apresentou uma proposta para ampliar o vínculo, e aguarda a definição do jogador sobre seu futuro.

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