Anfield Index
·4 August 2026
Ex-estrela do Liverpool faz previsão ousada para a nova época

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·4 August 2026

O Liverpool entra na temporada 2026/27 com ruído, dúvidas e muito pouca certeza. Essa é a leitura mais simples da situação. Um ano depois de uma defesa de título miserável ter terminado com Arne Slot a perder o emprego, Andoni Iraola herdou um plantel sem ritmo, com lesões e ainda à espera de reforços verdadeiramente significativos.
Duas vitórias nos primeiros três jogos de pré-época não mudam grande coisa. A pré-época pode iludir, e pode distrair. O que importa é que o Liverpool tem problemas claros na defesa, um novo treinador principal ainda em fase de adaptação, e apenas Victor Munoz foi acrescentado desde meados de junho. Para um clube que caiu bastante na época passada, é uma resposta curta.
Há uma preocupação crescente em torno da preparação da equipa para a campanha, e a avaliação inicial do antigo defesa do Liverpool Steve Nicol foi arrasadora. Ele disse: “Ainda bem que é o Newcastle [o primeiro adversário], porque acho que provavelmente são a única equipa numa confusão pior do que nós.” Depois reforçou: “Vai ser um jogo incrível, porque não tenho a certeza de quem vai jogar pelo Liverpool ou pelo Newcastle. As duas equipas estão em absoluta turbulência neste momento.”
Isto soa dramático, mas não é difícil perceber porque é que a palavra turbulência está a ser usada. O Liverpool está novamente a mudar de rumo. Espera-se agora que Iraola estabilize uma equipa que pareceu desgastada, vulnerável e mentalmente solta durante longos períodos de 2025/26. Não teve o benefício de uma reconstrução fortemente apoiada. Ainda lhe resta um mês de mercado, e isso é importante.
O problema maior para o Liverpool não é apenas a sua própria incerteza. É que vários rivais diretos parecem mais afinados e mais estáveis. O Arsenal continua a ser um dos candidatos óbvios ao título. O Manchester City vai esperar uma reação depois de ter ficado aquém dos seus próprios padrões. O Chelsea evoluiu sob o comando de Xabi Alonso, e o Manchester United resolveu de forma inteligente as preocupações no meio-campo.
O Aston Villa continua a ter a identidade e a organização que Unai Emery construiu. O Tottenham Hotspur de Roberto De Zerbi poderá ser mais coerente e perigoso do que era há um ano. É daí que vem o aviso em relação ao top 6. Não é exagero. É um reflexo do panorama competitivo.
Outro veredito direto de Nicol resumiu essa ansiedade: “Isso é um completo disparate. Neste momento, não são favoritos a estar no top quatro. Na verdade, neste momento nem sequer são favoritos a estar no top seis. Há facilmente seis equipas numa posição melhor do que o Liverpool neste momento.”
Palavras fortes, sim. Completamente absurdas, não.

Foto: IMAGO
A liderança desportiva do Liverpool tem agora muito pouca margem para hesitações. Richard Hughes tem de dar a Iraola mais do que esperança e boas intenções. Se o plantel continuar curto em áreas-chave, sobretudo atrás, o novo treinador vai começar a época com uma mão atada atrás das costas.
A profundidade conta. A disponibilidade conta. O Liverpool aprendeu isso da forma mais dura na época passada. Uma má fase pode desviar rapidamente uma campanha do rumo certo, sobretudo quando os rivais melhoraram. Se os defesas já têm problemas físicos e faltam opções de confiança, então isto passa a ser um problema estrutural e não um incómodo temporário.
Há também a questão da adequação. O jogo de Iraola exige intensidade, pressão e compromisso com a estrutura coletiva. Isso requer jogadores capazes de correr, recuperar e repetir. As lesões prejudicam tudo isso. Um plantel construído para um treinador nem sempre se adapta de forma limpa a outro.
Agora, trata-se de clareza rápida. Iraola não precisa de perfeição em agosto. Precisa de uma equipa definida, de um nível básico de segurança defensiva e de autoridade suficiente para estabilizar o ambiente. Os adeptos do Liverpool conseguem aceitar uma transição. O que não vão aceitar é outra campanha em que a equipa pareça confusa.
O jogo de abertura frente ao Newcastle, um clube que também está a lidar com instabilidade, pode aliviar alguma pressão imediata. Mas também pode ampliá-la. Se o Liverpool parecer desarticulado nesse jogo, a conversa vai intensificar-se muito rapidamente.
Ainda há qualidade suficiente neste plantel para lutar por um lugar no top quatro. Esse continua a ser o objetivo mais sensato. Mas um lugar no top quatro não deve ser confundido com uma certeza, e a preocupação com o top seis não deve ser descartada como pânico. O Liverpool está num momento desconfortável, e toda a gente o consegue ver.
Para mais sobre o panorama de pré-época do Liverpool e as preocupações com o plantel, leia aqui a cobertura mais recente. O mercado ainda está aberto, o treinador principal ainda está a adaptar-se, e ainda há tempo para melhorar o cenário. Neste momento, porém, a situação é simples. O Liverpool precisa de contratações, precisa de jogadores aptos, e precisa de ordem. Rapidamente.
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