Inter 2026 tem torcida no CT, camisa 9 sensação da base, decepção com lesão e uma cobrança
A pré-temporada do Internacional segue intensa e com bastidores cada vez mais movimentados sob o comando de Paulo Pezzolano. Nos últimos dias, informações que vêm “vazando” do CT Parque Gigante ajudam a entender melhor como o novo treinador está moldando o time e quais decisões já começam a impactar o planejamento do clube para 2026.
Uma das cenas que mais chamou atenção foi a presença de líderes de torcidas organizadas dentro do CT. Eles passaram mais de uma hora e meia em conversa com nomes importantes do clube, entre eles Fabinho Soldado, Abel Braga, Paulo Pezzolano, Gabriel Mercado, Sergio Rochet e Alan Patrick. Normalmente esse tipo de interface era conduzida por Andrés D’Alessandro, que hoje não faz mais parte da estrutura do Inter, e agora vem sendo assumida principalmente por Abel e Fabinho. O presidente Alessandro Barcellos não estava em Porto Alegre, pois participa de um encontro da CBF na Europa, ao lado de dirigentes como Odorico Roman, do São Paulo, e Alberto Guerra, do Grêmio, em uma agenda de estudos sobre modelos de ligas europeias.
Dentro de campo, Pezzolano já começa a implementar mudanças importantes. Uma delas envolve Rafael Borré. O treinador teve uma conversa direta com o atacante e deixou claro que pretende utilizá-lo como segundo atacante, e não mais como centroavante fixo. A ideia é dar a Borré um papel mais móvel, atuando por trás do homem de referência, como ele fazia no River Plate e em passagens pelo futebol europeu. O colombiano gostou da proposta, sabe que em alguns jogos poderá ser mais fixado quando a situação exigir, mas entende que, de forma geral, sua função será outra dentro do novo modelo.
Essa mudança se conecta a outro movimento que chama atenção: a presença do jovem João Bezerra, atacante de apenas 15 anos, nascido em 29 de junho de 2009, medindo cerca de 1,90 m. O garoto, que já treina com o grupo que estreia no Campeonato Gaúcho, vem sendo testado justamente como o centroavante de referência do sistema, permitindo que Borré atue mais solto. O Inter tentou alternativas no mercado, como Pedro Raul, mas o Corinthians deixou claro que o jogador permanecerá em São Paulo. Também surgiram rumores sobre Germán Cano e até nomes ligados ao Vasco, mas sem confirmação concreta até o momento.
Outro ponto importante da pré-temporada envolve o meio-campo. Alan Rodríguez, uruguaio contratado no mercado argentino, vinha sendo um dos jogadores que mais agradavam a Pezzolano nos treinamentos. O treinador enxergava nele uma peça-chave do seu sistema, aquele “motorzinho” do meio-campo. No entanto, o jogador sofreu uma ruptura parcial traumática na fáscia plantar, uma lesão considerada delicada, além do estiramento no bíceps femoral esquerdo que também tirou Thiago Maia das atividades. A reação de Pezzolano à lesão de Alan foi de forte frustração, não com o atleta, mas com a situação, pois o uruguaio estava sendo central no desenho do time.
Justamente por isso, o Inter acelerou a contratação de Paulinho de Paula, ex-Vasco, que já está em Porto Alegre. O volante, de 24 anos, chegou como reposição direta ao que Alan Rodríguez vinha entregando. Paulinho foi muito bem em seus primeiros anos no Vasco, mas sofreu grave lesão de ligamento cruzado e nunca mais retomou totalmente o nível anterior. Mesmo assim, dentro do cenário atual, o Inter enxergou a necessidade de agir rápido e fechou com o jogador, que estava livre no mercado.
Nos treinos, outro nome que vem sendo bastante cobrado é o lateral-esquerdo Alexandro Bernabei. A avaliação interna é que o argentino é um excelente jogador tecnicamente, mas tem sérios problemas de leitura e disciplina tática. Pezzolano tem sido intenso nas correções: cobra posicionamento, exige recomposição, reclama quando o lateral abandona o setor ou sai na “caça” fora do tempo. A diferença agora é que o novo treinador não deixa passar nada. Segundo relatos, são cobranças constantes, orientações diretas e correções a cada movimentação errada. O clube entende que essas falhas sempre existiram, mas que agora estão sendo atacadas de frente no processo de reconstrução do time.
Assim, os primeiros dias de 2026 mostram um Internacional em transformação: diálogo aberto com a torcida, ajustes importantes na estrutura ofensiva com Borré e João Bezerra, reforço emergencial no meio-campo por conta da lesão de Alan Rodríguez e uma cobrança tática mais rígida que já começa a marcar o trabalho de Paulo Pezzolano no comando colorado.