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·17 April 2026

Irmãos jogam primeira divisão em modalidades diferentes: «Atingimos o expoente máximo»

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Podemos dizer que o desporto é, acima de tudo, um espaço de família, seja de que maneira for. Isto porque existe uma clara ligação entre ambos: desde a transmissão de valores e tradições de geração em geração, às referências que se vão criando dentro de casa, passando pelos jogos vistos em conjunto.

Há casos em que essa ligação vai ainda mais longe, como por exemplo, irmãos que seguem caminhos diferentes dentro do universo desportivo, mas que chegam, cada um à sua maneira, ao mais alto nível.


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Partindo desta premissa, o zerozero recorreu à sua extensa base de dados para identificar exemplos concretos destes laços familiares no desporto. Nesta temporada, são apenas três os pares de irmãos que atuam nas principais divisões nacionais das respetivas modalidades - algo que reforça o caráter pouco comum deste fenómeno.

Para compreender melhor a dinâmica destes percursos e o caminho trilhado até aqui, o nosso portal esteve à conversa com Fábio Neves e André Neves, mais conhecidos como «Peixinhos».

«Tentei puxá-lo de volta para o futsal»

Respeitando a hierarquia e começando pelo irmão mais velho, Fábio tem sido um dos destaques desta edição da Liga Placard, ao serviço do Rio Ave. O fixo, de 25 anos, já tem carreira estabelecida desde 2020/21 - altura em que começou a jogar com regularidade na principal prova do futsal português.

Já André (quatro anos mais novo) também começou a dar os primeiros toques numa quadra; porém, a sua paixão pelo futebol levou-o a uma mudança de modalidade, ainda bem novo.

«Não digo que tenha sido uma adaptação difícil, mas era muito diferente em relação ao futsal. Em todos os aspetos mesmo. No entanto, acho que consegui adaptar-me rápido. E sim, foi uma boa mudança e era algo que eu queria», começou por afirmar o agora avançado do Estoril.

«Acompanhava praticamente todos os jogos do meu irmão. Quando eram perto, eu ia sempre ver e tinha sempre aquele bichinho de querer jogar também. E pronto, chateando muito o meu pai e a minha mãe, a pedir para jogar, lá me meteram e comecei nos benjamins. Mas sim, podemos dizer que foi praticamente por causa do meu irmão», revelou ainda, sobre o que o fez começar a jogar.

Por sua vez, Fábio nunca teve dúvidas quanto ao que queria: «Eu gosto muito de futebol, mas sempre tive a paixão de jogar futsal e nunca tive o interesse - como ele teve - de mudar. Apesar de ele ter começado no futsal, eu sempre soube que o sonho dele realmente era o futebol.»

«Na altura, eu ainda o tentei convencer algumas vezes para continuar no futsal, porque ele realmente tinha muito jeito. Ele tinha muita qualidade técnica, porque o futsal requer muito isso. E os treinadores também gostavam muito dele, toda a gente sabia que ele era muito bom jogador», recordou, indo mais longe.

«Lembro-me bem que tentei puxá-lo de volta para o futsal, mas ele estava muito decidido no futebol. E vou ser sincero, ainda bem que isso aconteceu, porque ele agora está bem e é isso que eu quero.»

Uma troca que está a dar frutos neste momento e que não o deixou o mais velho 'chateado'. «Não, não, não ficou, porque cada um, querendo ou não, segue o seu caminho. Ele continuou no futsal e eu tinha o gostinho de mudar para o futebol. Acredito que ele sempre quis o meu bem, foi a escolha que eu tomei e acho que foi a mais acertada», disse André.

«Os nossos pais, irmãos e amigos sentem muito orgulho em nós»

Nesta época, o avançado dos estorilistas soma já oito encontros pela equipa principal. Apesar de se ter estreado como profissional pelo Gil Vicente em 2023/24 - um dia que «mais tarde vai recordar» -, a dupla de Gondomar apenas conseguiu entrar neste lote restrito nesta temporada. A família, claro está, não poderia estar mais satisfeita.

«Sentem um orgulho muito grande. São duas modalidades diferentes, mas atingimos o expoente máximo. É fruto do nosso trabalho, porque nunca desistimos. Os nossos pais, irmãos e amigos sentem muito orgulho em nós, porque lutámos sempre», declarou Fábio.

«Sim, falamos algumas vezes, não muito, mas quando esse assunto vem ao de cima, falamos o normal. É o perceber que os nossos sonhos estão-se a concretizar e é um orgulho enorme para mim», confirmou André.

No entanto, este crescimento obrigou-os, de forma natural, a se afastarem um pouco. Contudo, o contacto nunca desaparece.

«Agora é mais difícil estarmos juntos, mas mesmo por mensagem, chamada ou quando conseguimos estar juntos pessoalmente, falamos muito. Eu pergunto-lhe sobre o seu lado do futsal e ele pergunta-me sobre o meu lado no futebol, como estão as coisas e tudo mais. É a relação de irmãos, queremos sempre o bem um do outro», afirmou o extremo da equipa da Linha.

«Mesmo jogando futsal, ele também percebe e sabe como funciona o futebol. Como se costuma dizer quando jogamos, as pessoas que estão de fora veem outras coisas: os posicionamentos, o comportamento dentro de campo ou um passe que poderia ter sido melhor. É sobre essas questões que ele aponta para eu melhorar e eu concordo também, porque são as minhas dificuldades e os meus pontos fracos», completou.

Ainda assim, não se livrou da velha arte que os irmãos mais velhos tanto apreciam aplicar sobre os mais novos: as picardias!

«No bairro jogávamos muito um contra o outro, apesar da diferença de idades. Eu, como irmão mais velho, sempre o piquei muito quando jogávamos. Sempre tentei picá-lo para ele conseguir fazer mais e melhor. Foi muito à base disso e das brincadeiras ao pé de casa», contou Fábio.

«Óbvio, tinha essas coisinhas, é normal. Era um desafio, por assim dizer, jogar contra ele, mesmo no bairro. A nível competitivo nunca cheguei a jogar com e contra ele, mas mesmo no bairro tinha sempre essas brincadeiras. Eu como era mais novo, pronto, ficava chateado. Mas acho que isso me fez crescer e acho que foi muito bom. Foi uma coisa muito boa que me ajudou a chegar a este nível», recordou André.

«Seleção? Vê-lo a concretizar esse sonho foi uma motivação ainda maior para mim»

Aos dias de hoje, essas brincadeiras continuam, mas mais em tom de pura provocação. Contudo, a «rivalidade saudável» parece ser eterna.

«Às vezes, eu estou a ver os jogos dele e comento com ele que os jogadores de futsal são melhores que os de futebol. Que se eu fosse jogador de futebol conseguia fazer melhor que ele e tudo. Ele responde que não é assim tão fácil e pronto, diz que não é bem assim, que é mais fácil ver do que fazer. Estamos sempre na picardia, é uma história contínua [risos]», referiu o jogador dos vilacondenses.

«Temos sempre essas picardias, digamos assim [risos]. Mas é bom, é saudável. Ele protege o seu desporto, por assim dizer, e eu protejo o meu. É algo bom entre nós», respondeu o mais novo.

Recentemente, Fábio recebeu uma excelente notícia a nível pessoal, com a estreia na seleção portuguesa, comandada por Jorge Braz. Um passo em frente na carreira, que serve como motivação para que, no futuro, tenhamos laços familiares nas principais seleções de diferentes modalidades.

«Claro que cada um tem o seu caminho e é o sonho de qualquer atleta. Eu sendo irmão dele, e apesar de toda a gente saber das dificuldades, acho que o pode motivar para, no dia a dia, trabalhar mais um bocadinho. E claro, tudo na vida, seja de jogador profissional de futsal ou de outra modalidade, é possível com trabalho, esforço e dedicação», desabafou o primogênito.

«Vê-lo a conseguir concretizar esse sonho foi um enorme orgulho e uma motivação ainda maior para mim, obviamente», validou o mais jovem.

A verdade é que André leva tantos jogos pela equipa A, como nos sub-23 do Estoril. Por isso mesmo, mostrou-se surpreendido com o andar das coisas e deixou elogios ao técnico Ian Cathro.

«Tem corrido melhor do que eu esperava, sendo sincero. Tem superado as minhas expectativas e estou muito feliz com a época que tenho feito. Cathro? É o treinador, ele é que manda, tem muita experiência e eu sou um miúdo que está no primeiro ano a conviver com a equipa principal. Dá-me dicas e aspetos em que tenho de melhorar e eu ouço», garantiu.

Por fim, e questionado em jeito de brincadeira sobre quem se dava melhor no desporto do outro, a resposta foi carregada de humildade: «Ui, boa pergunta... Mesmo sendo estilos de jogador diferente, eu vou dizer que seria ele, porque tem muita qualidade. Acho que ele no futebol safava-se muito bem

Longe das famílias Cavalcanti e Santos

Das duas duplas restantes da atualidade, destacam-se os Cavalcanti. Gabriel, que atua no Benfica em andebol, já é internacional A, ao passo que Amanda, que representa o Sporting, também já chegou à seleção principal de voleibol.

Por outro lado, Lourenço (andebol) e Frederico Santos (voleibol) não somam qualquer internacionalização. Em contrapartida, são os irmãos que mais épocas acumulam nesta lista: cumprem a oitava!

No total do lote restrito, nota ainda para alguns nomes fortes, como a parceria de Hugo Eduardo (futsal) com os futebolistas Wilson Eduardo e João Mário.

A LISTA COMPLETA:

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