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·10 July 2026
Jorge Jesus: «Ronaldo? Nunca será um problema para a seleção»

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·10 July 2026

Jorge Jesus foi apresentado, esta sexta-feira, como o novo selecionador nacional de Portugal. Na primeira conferência de imprensa após assumir o cargo, o experiente treinador, de 71 anos, assumiu que o mote para este capítulo da sua carreira é «vencer» ao leme das Quinas.
Introdução: «Queria agradecer ao presidente a oportunidade que me deu de treinar uma das melhores seleções do Mundo. Viemos para ganhar, vencer. Estamos convencidos de que, quando chegamos a qualquer lado, vencem os. Com estas condições de trabalho, sabemos todos, temos uma seleção para poder acreditar e valorizar o espetáculo, os jogadores e a nossa seleção.
É um grande orgulho treinar a seleção do meu país. Sou orgulhoso e convicto de tudo o que seja português, tenho muito orgulho e esta oportunidade vai exatamente justificar o que é a minha ideia de ser português. Sou um treinador de 12 milhões, do povo português, dos que estão ansiosos por ganhar.»
«Tenho certezas absolutas e quero que Portugal esteja ligado aos adeptos, dentro e fora do nosso país. Senti isso no Mundial, mas não desportivamente, senão não estava aqui. Viemos para vencer, mas isso não passa só pelo treinador, nem pelos jogadores, nem pelo jogo.»
«Vou entrar numa casa que não conheço, mas que vou conhecer em pouco tempo. Tive sorte porque vou trabalhar com um homem que trabalhou seis anos comigo no Benfica. Não vamos facilitar em nada. A partir daqui, os dados vão ser lançados para a seleção começar já a ganhar. O nosso caminho é ganhar.»
Desafio exigente e ritmos diferentes: «Há muita tendência de dizer que um selecionador é diferente de um treinador de equipa. Não é verdade. Não tem tantos dias de trabalho, mas o método, de cada um... Não é uma ciência exata, mas é a de cada um.»
«Vou-me adaptando às circunstâncias, preparei-me para este dia. Desportivamente para poder ser selecionador de Portugal. Estou preparado para isso. Nada vai ser muito diferente do que é trabalhar num clube.»
Chega no momento ideal, aos 71 anos, e tornar seleção a melhor do Mundo: «É o que estou habituado. Onde chego, é para vencer. Gosto de assumir a responsabilidade e, quando tenho certezas para o desenvolver... Estou habituado a essa pressão. Enquadra-se no que penso.»
«Estamos preparados a traçar o nosso caminho. A minha idade, os 71 anos. O número está lá, mas no que sou está 50. Felizmente, tenho uma saúde onde posso treinar todos os dias, uma ou duas horas, e estou preparado para ter um desafio difícil.»
Falou com Ronaldo? Que papel vai ter?: «Ainda não falei com o Cris[tiano Ronaldo]. Nunca vai ser um problema para a seleção, nem para mim. Aquilo que é como jogador e a polémica que houve à volta dele... Cada um pensa como quiser.»
«Quando se tiver que tomar alguma decisão, vou falar com ele. Mas não só, vou falar com todos individualmente. Ele é um símbolo do futebol português e da seleção. De Portugal. Isso vai ficar sempre na história. Tive o grande prazer de trabalhar com ele, é fácil.»
«Desde que ele percebe até onde pode chegar, que haja relação entre treinador e jogador. Mas será sempre ele, vamos ter uma conversa os dois, para perceber o que quer fazer. Sei que quer continuar a jogar no Al-Nassr, vai acabar a carreira lá.»
«A partir do momento em que esteja a jogar e tenha condições, farei [essa escolha]. Vai ser assim. No ano passado, ele fez 31 em 50. Substitui-o 16 vezes, portanto nunca confundimos que ele é o jogador e eu o treinador.»
Jogador que não gostava de perder: «Só os vou perder se se lesionarem. Tenho alguma vantagem de poder falar da seleção e de alguns jogadores. Destes 26 que estavam na seleção, 12 já trabalharam comigo. Conheço-os bem, são todos grandes jogadores. A seleção tem tanta qualidade que, se fizéssemos uma equipa da seleção, todos faziam uma diferente.»
«Acredito em todos, têm muita qualidade. Esta seleção, que acabou com o Mundial... Vão aparecendo jogadores novos. Conheço muitos que atuam nos escalões jovens. Vou estar inserido nesse futebol. O mais importante é o presente.»
«Tem de existir uma remodelação na seleção? Neste momento, não. Só seis jogadores é que têm acima de 30 anos. Desses seis, dois são guarda-redes, que podem jogar muito mais tempo. Não é uma equipa velha, temos média de idades de 28. Quem foi jogador, sabe que é o nosso melhor período. Não é por aí que vamos ter problemas.»
Treinador vai estar acima dos egos e estatutos?: «Não tenho dúvida nenhuma em relação a isso. O ego existe em todas as equipas e seleções. É muito mais difícil trabalhar com jogadores que julgam que são grandes do que com os que são mesmo. Esses são fáceis.
«É o caso da seleção, são jogadores que atuam nas melhores equipas da Europa e conquistam títulos. O mais importante agora é conquistar títulos na seleção. Todos vamos ter de pagar o preço.»
Capitães e caso Bernardo Silva: «Em relação aos capitães, são cinco. O Cris, o Bernardo, o Bruno, o Rúben e o Diogo [Costa]. Não sei qual é a ordem, não tenho muito o hábito que os anos façam um jogador capitão. É muito além disso, é o expoente máximo do pensamento do treinador. Não vai existir problema.»
«Quanto ao Benardo [Silva], era um menino. Estava a começar os passos dele, com muita ambição. Notava-se que confiava muito nele, que queria jogar e ser jogador. Foi mais o que se falou do que aconteceu no treino. Vamos falar abertamente, não há segredos.»
«Dizer que eu o quis colocar a lateral-esquerdo num jogo... Não é bem assim. Foi na pré-época, fiz uma alteração e meti-o a jogar lá nos últimos minutos. Ele ainda estava no início da sua carreira. Agora é um jogador formado, de nível mundial, e o Pep muitas vezes decidiu meter o Bernardo lá.»
Vai ser selecionador ou treinador? Vai sair prestigiado?: «Temos de escolher, é como num clube, temos de fazer a convocatória para depois treinar. Dizem que gosto é do treino, do campo e que agora não há treino. A minha carreira como treinador, principalmente nestes últimos anos, levou-me a estar em equipas que jogava de dois em dois dias. Vai ser assim na seleção.»
«Há treino! Julgam que os jogadores estão cansados dos clubes e vêm dormir, mas há muitas formas de treinar. As novas tecnologias deram-nos ferramentas no treino. Tudo isso vai ligar com o que tem sido os meus últimos anos de treinador.»
«O importante é organizar uma equipa médica. A recuperação dos jogadores, hoje, é um dos segredos do futebol. Os que estão mais habilitados, têm mais vantagem.»
«Sobre a segunda pergunta, isso é como tudo. Nos clubes, uns ganham, outros perdem. Não se ganha sempre. Já perdi algumas vezes. Faz parte do nosso crescimento. O que pode atrapalhar, pelo que é bom, é ter de convocar 23/24 jogadores, escolher 11 de princípio com a grande qualidade que a seleção tem.»







































