Portal dos Dragões
·11 March 2026
Lenda portuguesa do Estugarda antecipa o jogo com os Dragões: “Vejo um FC Porto muito bem treinado”

In partnership with
Yahoo sportsPortal dos Dragões
·11 March 2026

Muitos recordam nomes como Sérgio Pinto, Roberto Pinto ou os mais famosos Meira e Domínguez, mas outro jogador foi o primeiro português a alinhar na Bundesliga: Víctor Lopes. Foi no Estugarda, em 1984/85, que este médio, com 20 anos, se estreou sob o comando de Helmut Benthaus em jogos frente ao Bochum e ao Leverkusen. Na mesma equipa alinhavam-se figuras de referência como Karl-Heinz Forster, Allgöwer, Buchwald e o icónico Klinsmann, dois campeões do mundo em 1990. Posteriormente, Víctor seguiria carreira no Ulm e no Mainz, onde criou laços com Klopp.
A deslocação do FC Porto ao reduto do atual detentor da Taça da Alemanha, num encontro que pode decidir uma vaga nos quartos-de-final, entusiasma Víctor, que continua a residir na Alemanha mas visita Portugal com regularidade – também devido às concentrações bienais da Seleção Portuguesa do Vinho. Com 61 anos, o antigo jogador rememora a sua passagem pelo Estugarda.
“Foi uma escola difícil onde tive de ter muita determinção para jogar e realizar o meu sonho. Tornei-me profissional e joguei no estádio fazendo parte da equipa principal, repleta de grandes jogadores. Era uma equipa que tinha acabado de vencer a sua primeira liga alemã em 1984 com os seus pilares que eram os irmãos Forster, o excelente Siggurvinson e Allgöwer”, afiança Víctor Lopes, conhecedor dos registos do Estugarda, do seu foco cimeiro. “Venceram campeonatos em 50 e 52, mas ainda não era a Bundesliga, só fundada em 1963. Esse campeonato que eu vi de perto foi muito especial e celebrado durante muito tempo. Houve influência dos jogadores que falei e já do Buchwald. O Klinsmann entrou comigo, conhecíamo-nos de jogos de juniores entre Estugarda e Stuttgart Kickers, e rapidamente se desenvolveu. Estamos a falar de verdadeiras lendas”, relata, focando-se um pouco mais no bombardeiro como “um avançado descontraído”, algo que se fez um “fator decisivo” para fazer o seu caminho.
Lopes, que cresceu na Alemanha sem negar as suas raízes, afirma carregar “um sentimento português. A carreira foi deixando ensinamentos. “O meu coração bate ao nosso ritmo. Tive expetativas muito elevadas, abdiquei de muitas coisas mas dependemos sempre de outros fatores. Podes ter vontade, ambição, talento, nunca desistir, mas há que contar com o treinador, que te pode ou não incentivar. Nem sempre tive essa sorte mas a ambição permaneceu intacta”, garante. “Um técnico quis corrigir-me dizendo que eu jogava muito com o coração, eu respondi que sem paixão não podia ser futebolista. Não devia ter dito isso, mas disse por ser fanático com um tratamento justo. Fui mandado para o banco, mas não fui covarde. Fiz questáo de ser tratado de forma correta, talvez tenha ficado como um revolucionário”, sustenta.
O antigo jogador mantém uma ligação permanente ao Estugarda, apesar de a sua passagem ao nível sénior ter sido curta. “Marcou-me porque deu-me a estreia na Bundesliga e já jogo há 26 anos nos veteranos, uma equipa que segue invicta deste então. Vou regularmente ao estádio ver os jogos e converso com o Cacau, os Forster, Hansi Muller ou Buchwald. Fico na mesa das lendas com eles. Também não digo que não a jogos de veteranos do Mainz, sempre à espera de mais um encontro com o meu amigo Klopp”, conta Víctor Lopes, que emigrou com a família da zona de Lisboa com oito anos. Apesar da longa vida na Alemanha e dos afectos criados pelo Estugarda, o português mantém um espírito patriótico. “Até sou adepto do Sporting desde o meus 6 anos, mas isso não significa que não deseje que o FC Porto avance. Sinceramente também não sigo muito a liga portuguesa, porque cansam-me as discussões por nada!”, vinca, deixando escapar uma observação curiosa: “Vejo o FC Porto muito bem treinado que joga e age de forma mais defensiva, pelo seu treinador italiano. Marca um golo e segura logo a intensidade para gerir o jogo. Tem enfrentado problemas com lesões. O meu filho, sim, é portista, e conhece os pontos fortes todos. Quando estamos em Portugal obriga-me a ir ao Dragão”, graceja, identificando alguns elementos fortes da muralha portista e referindo o Diogo Costa. Apesar disso, considera que o Estugarda parece dispor de um plantel superior e pode ser decisivo, embora reconheça que o FC Porto é muito forte em confrontos internacionais. “Que seja um primeiro jogo emocionante e vença o melhor”, conclui.
Live









































