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·19 June 2026

Martín Anselmi e as passagens por FC Porto e Botafogo: “Os treinadores não são mágicos, precisamos de tempo”

Article image:Martín Anselmi e as passagens por FC Porto e Botafogo: “Os treinadores não são mágicos, precisamos de tempo”

Martín Anselmi apresentou-se no Elche CF com uma mensagem definida, um discurso sem rodeios e uma resposta clara às experiências breves por FC Porto e Botafogo. Na sua apresentação, o treinador argentino falou da identidade que pretende construir, do ponto de partida deixado pela época anterior e de uma ambição que recusa ficar limitada a objectivos modestos. E, ao olhar para o percurso mais recente, deixou uma certeza: “Os treinadores não são mágicos”.

Numa fase inicial de trabalho e de definição do rumo, Martín Anselmi apareceu perante o novo enquadramento com uma ideia central: a equipa está acima do indivíduo, a evolução vale mais do que a ansiedade e o tempo continua a ser determinante em qualquer projecto. O novo técnico do Elche CF não alimentou ilusões, mas também não baixou a exigência para aquilo que quer ver no relvado.


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Ao explicar a sua filosofia, Anselmi traçou mais o perfil da equipa que quer formar do que o destaque de talentos isolados. Fê-lo com uma visão de competição constante, sem se deixar contaminar nem pela euforia do triunfo nem pelo peso da derrota.

“Não encaro o futebol a partir do indivíduo. O indivíduo depende da equipa. Competir é dar o melhor de si em cada ação do jogo, independentemente do resultado.”, afirmou. “Ganhar não deve levar à complacência, perder não pode frustrar. O importante é que a equipa seja competitiva. E isso tem de se ver desde o primeiro jogo. Quero uma equipa inteligente que saiba sofrer e lutar em todos os momentos.”

Nas palavras do argentino há uma exigência emocional tão forte quanto a táctica. A competitividade que descreve não depende apenas de jogar bem, mas também da capacidade de resistir, interpretar e responder em qualquer contexto.

Quando falou da base deixada pela época passada, Anselmi evitou qualquer ruptura por vaidade e preferiu reconhecer matéria-prima. Admitiu qualidades no que encontrou, mas deixou claro que o objectivo não é conservar: é levar a equipa a um nível superior.

“Temos de dar o nosso toque pessoal, mas não podemos contentar-nos com o que foi feito naquela época. Vi uma equipa corajosa que se atreve a jogar.”, explicou. “Temos de partir daí. Ainda pode ser melhor. Adoro a ousadia que o Elche demonstrou e temos de dar-lhe muita continuidade. Intensidade na pressão no campo adversário e defesa homem a homem.”

O treinador identifica, assim, uma herança que quer aproveitar sem ficar preso a ela. A palavra continuidade surge associada a outra ainda mais decisiva: intensidade, sinal de uma equipa que pretende viver no confronto e não na espera.

Questionado sobre as passagens curtas por FC Porto e Botafogo, Anselmi respondeu sem dramatizar e com um pedido implícito de contexto. Mais do que justificar-se, procurou enquadrar o trabalho dos treinadores numa lógica menos imediata e mais realista.

“Os treinadores não são mágicos, tentamos dar o nosso melhor. Tal como qualquer trabalhador, precisamos de tempo para demonstrar o nosso trabalho.”, sublinhou. “Estivemos por muito pouco tempo numa instituição [Botafogo] que passava por um período muito caótico, que ainda está a acontecer. Não sei se o último processo pode ser categorizado como mau, porque, no fim das contas, nem o considero um processo.”

Nesta resposta, Anselmi deixou uma visão quase estrutural da profissão: sem tempo, a avaliação tende a ser sempre mais apressada do que justa. E, ao escolher a palavra “processo”, sugeriu também que nem todas as experiências permitem medir de forma verdadeira uma ideia de jogo ou um projecto.

Quanto aos objectivos para a temporada, o novo técnico rejeitou o conforto das metas mínimas e preferiu um horizonte mais exigente. A sua ambição, disse, começa na melhoria e só depois se traduzirá na posição que a equipa poderá alcançar.

“Estabelecer a permanência na liga ou qualquer outro objetivo é limitar-nos a nós próprios. O objetivo é sermos melhores e, se formos melhores, aspiraremos a mais do que na época passada.”, garantiu. “Não tenho dúvidas de que os adeptos se sentirão orgulhosos do que os jogadores vão fazer.”

A ideia encerra o fio do discurso: identidade, evolução e ambição sem receio de soar maior do que a prudência habitual das apresentações. Anselmi não prometeu milagres, mas também não se escondeu atrás deles.

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