Deus me Dibre
·31 July 2026
Matheus Pereira e Gerson: quando a receita volta, o Cruzeiro lembra como se cozinha

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·31 July 2026

Domingo passado, o Cruzeiro parecia aquele cidadão que sai de casa decidido a fazer um churrasco e esquece a carne. Nesta quinta-feira, em Curitiba, bastou devolver dois ingredientes fundamentais para a receita voltar a dar certo. Matheus Pereira e Gerson retornaram. Coincidência? Difícil acreditar. Quando os dois estão em campo, o Cruzeiro simplesmente joga outro futebol.
A vitória por 1 a 0 sobre o Coritiba teve mais suor do que brilho, mais transpiração do que inspiração, mas campeonato também se ganha assim. Afinal, ninguém entrega taça por nota artística.
O Cruzeiro começou melhor, viu o Coritiba equilibrar a partida, empilhou chutes bloqueados, desperdiçou oportunidades e fez a torcida imaginar que a bola tinha desenvolvido um relacionamento sério com a defesa paranaense. Era um festival de travadas. Parecia que cada finalização celeste precisava preencher um formulário antes de chegar ao gol.
Até que, aos 20 minutos do segundo tempo, aconteceu aquilo que muitos já esperavam. Gerson levantou na medida, na entrada da pequena área, e Matheus Pereira apareceu como quem conhece o endereço de olhos fechados. Gol. Simples, preciso e absolutamente revelador.
Os dois não atuaram contra o Botafogo. Os dois voltaram. Os dois decidiram.
Há jogadores importantes. Há jogadores fundamentais. E há aqueles que fazem o torcedor perceber a falta antes mesmo de a bola rolar. Matheus Pereira e Gerson pertencem a essa última categoria. Hoje, são os dois pilares técnicos do Cruzeiro. Quando um falta, o time sente. Quando os dois faltam, o futebol pede atestado médico.
Depois da vantagem, o Cruzeiro fez aquilo que time maduro precisa fazer: controlou o jogo. Não encantou, não transformou o goleiro Otávio em candidato a herói da rodada e tampouco saiu distribuindo espetáculo. Administrou. E administrar também é uma arte para quem quer disputar títulos.
A vitória ainda confirma um dado que já deixou de ser coincidência: nove jogos de invencibilidade longe de Belo Horizonte, com cinco vitórias e quatro empates. O Cruzeiro resolveu se sentir mais confortável como visitante do que muito turista em hotel cinco estrelas. Tem equipe que sofre quando pega estrada. O Cruzeiro parece abastecer o tanque da confiança justamente fora de casa.
Nem tudo, porém, terminou em sorrisos. Gerson deixou o campo reclamando da parte posterior da coxa, aumentando a preocupação de um departamento médico que já anda mais movimentado do que pronto-socorro em segunda-feira. Sinisterra vai passar por cirurgia, Gabriel Pec segue fora após a fratura na perna e qualquer nova lesão soa como boleto chegando no último dia do mês: ninguém queria receber essa notícia.
Enquanto isso, a falta de reforços continua escancarando a realidade do elenco. Felipe Moraes, garoto promissor, ganhou oportunidade, mas desperdiçou um gol inacreditável dentro da pequena área. Faz parte do aprendizado, mas também evidencia que talento e responsabilidade nem sempre caminham na mesma velocidade. Kaique Kenji entrou depois, mostrando que o banco ainda obriga o Cruzeiro a acelerar processos que deveriam acontecer com mais calma.
Já Bruno Rodrigues protagonizou um lance que resumiu seu momento. Arrancou sozinho, tinha caminho aberto para finalizar e preferiu tocar para Matheus Pereira, que já chegava marcado. Não foi covardia. Foi algo talvez ainda mais preocupante para um atacante: falta de confiança. Camisa 9 vive de gols. Quando começa a pedir licença para chutar, o problema deixa de ser técnico e passa a morar na cabeça.
Agora, o foco muda completamente. Domingo tem Chapecoense, na Arena Condá, pela Copa do Brasil. Quarta-feira, a decisão será no Mineirão. O Cruzeiro chega fortalecido pela vitória, mas também lembrado de uma verdade que o jogo desta noite escancarou: alguns jogadores são substituíveis. Outros são simplesmente insubstituíveis.
E Matheus Pereira e Gerson fizeram questão de deixar isso muito claro em apenas um cruzamento e uma finalização.
Angel Drumond
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