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·13 July 2026

Na terra do pai para aproveitar «o que estava bem feito»: por dentro da apresentação de Carvalhal em Famalicão

Article image:Na terra do pai para aproveitar «o que estava bem feito»: por dentro da apresentação de Carvalhal em Famalicão

Depois de perder Hugo Oliveira, já com a pré-temporada em andamento, o FC Famalicão apresentou Carlos Carvalhal como novo timoneiro. Com vista a repetir a façanha da temporada passada, onde conseguiu o quinto lugar - mas não a Europa -, o clube minhoto tem um novo homem do leme.

O auditório da Academia do FC Famalicão recebeu as primeiras palavras de Carvalhal como treinador famalicense. Miguel Ribeiro, presidente da SAD dos azuis e brancos, justificou a aposta.


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«É o renovar da ambição do Famalicão. Mais do que objetivos, temos uma visão e filosofia que andam à volta do jogo e do jogador. As expectativas são altas pela confiança que temos na escolha. É uma grande satisfação para nós, quando perde um treinador de forma muito rápida, ter a capacidade de arranjar uma solução como esta (Carlos Carvalhal). Temos o treinador ideal para continuar esta caminhada do Famalicão», disse o responsável dos minhotos, antes de passar a palavra ao protagonista.

Carvalhal falou antes de abrir as perguntas aos jornalistas. Depois dos agradecimentos, justificou a decisão em aceitar o projeto do Famalicão em três pontos: a paixão do clube e das gentes de Famalicão por futebol; o trabalho com os jovens e a evolução do clube; e o pai, natural de Brufe, freguesia de Famalicão.

«Tenho família aqui, o meu pai é de Famalicão e tem demência. Metade do meu sangue é de Famalicão. Quando contei ao meu pai que ia treinar o clube da terra dele, ele ficou muito contente. Quero dar-lhe uma alegria grande no final da época», disse Carvalhal.

«Antecipei o convite. Posso contar, André?», perguntou a André Vilas Boas, diretor desportivo, que estava na primeira fila do auditório. «Tinha uma chamada do André e não falávamos há muito. 'Oh André não me digas que me estás a ligar porque o Hugo Oliveira foi vendido e queres que vá?’. Estava a brincar, pensei que ia ligar por algum jogador, mas de imediato foi aceite. As condições foram eles que fizeram, eu não pedi nada. Nem discuti valores, o que eles ofereceram foi o que aceitei.»

«Dou muito valor a dormir em casa todos os dias»

O treinador de 60 anos, natural de Braga, foi respondendo - sem grandes filtros - a todas as perguntas dos jornalistas. Escolheu estar um ano sem treinar «para bem da saúde mental», parabenizou Hugo Oliveira pelo «excelente trabalho desenvolvido» e agradeceu ao anterior técnico por lhe ter ligado.

«Fizeram um trabalho excelente, que se reflete na promoção que tiveram. O Hugo ligou-me e mostrou-se disponível para me oferecer todas as informações. Tivemos uma conversa muito agradável. Não queremos fazer uma rotura total, vamos aproveitar tudo o que estava bem feito e criar uma matriz de evolução para dar continuidade aos trabalhos», disse Carvalhal. 

Depois de não se mostrar preocupado com o mercado, situação que disse estar mais do que preparado para qualquer eventualidade, Carvalhal voltou a referir um fator importante na sua decisão: a família. As propostas apareceram, algumas delas «irrecusáveis», de vários pontos do globo. 

«Poderia ter ido para outras situações como Médio Oriente, Brasil, México, financeiramente propostas quase irrecusáveis, fomos dizendo que não porque tínhamos em casa a vontade de estar perto da família. Queria estar perto da família, do meu pai, do meu sogro. Dou muito valor a dormir em casa todos os dias. Tenho um neto de três anos que agora é do Fama, tenho outro de um mês e meio», assumiu o técnico.

«Chegámos a ter uma conversa em família sobre a primeira opção, mas disse que gostava de treinar o Famalicão. Tinha treinador, não cogitei possibilidade de vir cá, o Hugo estava a fazer um excelente trabalho. Seria o clube que na minha cabeça mais gostaria de treinar», acrescentou.

«O mercado não nos tira um minuto de sono»

Miguel Ribeiro voltou a ter a palavra. O presidente desvalorizou a classificação, dizendo perentoriamente que o objetivo principal do clube é praticar um jogo atrativo e valorizar os jogadores, libertando assim a pressão do quinto lugar ao treinador.

À imagem do treinador, o presidente não se mostrou preocupado com o mercado. «Se estamos preparados para perder o treinador depois de uma cláusula de rescisão, imaginem para perder um jogador»: é esta a frase mais marcante do discurso do presidente. 

«O mercado ditará o futuro. Não nos tira um minuto de sono se os jogadores (Ba, Gustavo Sá e Mathias de Amorim) ficam ou não, não dependemos disso. Naturalmente, os jogadores têm várias abordagens, mas estamos preparados em toda a linha, quer fiquem, quer saiam».

Por fim, a inesperada saída de Hugo Oliveira. «Surpreendeu-me, mas tudo o que envolve cláusulas de rescisão tem esse efeito surpresa. Não foi nada negociado e o exercício dessa cláusula tem essa particularidade. Acredito que o treinador tenha tido mais tempo com o Estrasburgo do que nós, estivemos à distância de indicar o IBAN e receber o pagamento», disse, elogiando o comportamento de todas as partes envolvidas no negócio. Depois de uma palavra de agradecimento a Hugo Oliveira, terminou a apresentação de Carlos Carvalhal.

O Famalicão segue a preparação com Carvalhal antes de seguir para Itália, onde vai disputar a Como Cup - torneio de pré-temporada do clube transalpino - de 28 de julho a 1 de agosto.

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