Jogada10
·15 April 2025
O campo não fala. Ele grita!

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·15 April 2025
Os escolhidos repetem uma expressão curiosa para expressar o momento irregular do Botafogo. Ela é a síntese de 2025: “O campo fala”. Este reles cronista, com voz de fala no “botafoguismo”, pede – por gentileza, claro -, licença à torcida alvinegra para alterar o verbo da sentença. “O campo grita”. Ele alerta sobre todas as mazelas que acometem o Mais Tradicional nesta temporada. Desde o planejamento bisonho no início do ano até as escolhas do técnico Renato Paiva.
A estreia do Botafogo no Campeonato Brasileiro foi, no mínimo, promissora. Elencamos, neste espaço, os motivos pelos quais o Glorioso iniciou o torneio como um dos favoritos ao resgatar características de 2024. De lá para cá, porém, o time alvinegro, com duas vitórias e duas derrotas, caiu de rendimento. Na terceira rodada do Nacional, ocupa apenas a décima colocação. Deixou, assim, outros postulantes se descolar na tabela. Mas o pior é ter a pior campanha entre os cariocas. Na Libertadores, não estaria classificado para as oitavas de final.
O campo berra para o técnico Renato Paiva que insistir com determinadas situações pode causar desgastes e deixa o time engessado, principalmente depois da derrota para o Bragantino. De Paula só rendeu como meia em um amistoso de intertemporada. No “pega para capar”, o camisa 6 bateu cabeça com Freitas, realizou a mesma função do capitão do time, e os dois tornam-se presas fáceis para a marcação adversária. Quase sempre encaixotado, o volante não dribla, não acelera, não tabela, não gira quando pega a bola de costas e entrega pouquíssima intensidade. Dos quatro gols com o treinador português, apenas um PK estava em campo como “10”.
De Paula é o centro do trabalho de Paiva no Mais Tradicional – Foto: Vítor Silva/Botafogo
Com De Paula no meio, Savarino não rende como ponta, sempre tenta puxar para dentro e deixa Telles, um lateral que não vai a fundo e está em má fase, sem auxílio. O craque venezuelano já não anda nos seus melhores dias. Fora de posição, então, fica com poucas ações efetivas e some em grande parte das partidas.
Outra ideia que ainda não harmoniza com o elenco do Botafogo foi a “saidinha do Paiva”. Troca de passes curtos. A bola passa por John, pelos zagueiros, por um dos volantes que recua até chegar nos laterais, já afundados pela marcação. Aí é bola para frente e que Jesus se vire na frente. O centroavante ainda se vira como pode, mesmo quando a pelota chega quadrada.
Se o Botafogo flerta com a involução, as digitais de John Textor estão nas raízes deste processo de enfraquecimento do elenco. O sócio majoritário da SAF do clube alvinegro é o maior responsável por deixar a equipe dois meses sem treinador. Em 2024, Artur Jorge também pegou o bonde andando. Mas o Glorioso iniciou o ano com um treinador, por pior que ele seja, diferentemente de um “tampão”, como Carlos Leiria, deslocado do sub-20 para os profissionais e mais perdido do que cachorro em dia de mudança.
John Textor passeia pelo Nilton Santos. Big boss não montou um plantel à altura de 2024 – Foto: Lucas Bayer/J10
Paiva, sempre disponível no mercado desde 1º de janeiro, poderia testar todos os seus conceitos futebolísticos no Campeonato Carioca, um torneio sem importância e ideal para estes tipos de experimentos. Teria tempo de sobra até para aprimorá-los, caso entendesse que a repetição traria benefícios ao time. Ninguém o condenaria se escalasse de De Paula como o último homem de meio de campo, Telles no gol ou Barboza no ataque. Ou seja, defecaria com mais propósito para o Estadual.
Com Paiva, o Botafogo também enxergaria a Supercopa do Brasil e a Recopa com mais respeito, dois torneios que o Alvinegro ignorou e passou vergonha. Mas Textor queria uma grife, esbarrou na própria soberba, voltou as atenções para o Lyon e teve que contratar um treinador que não era nem o plano.