Revista Colorada
·2 February 2026
O “chapéu” aplicado pelo Inter no Grêmio nesse início de temporada

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A primeira fase do Campeonato Gaúcho de 2026 escancarou uma inversão de perspectiva na Dupla Gre-Nal que poucos imaginavam no início da temporada. Mesmo com menos reforços, perdas mais relevantes no elenco e um começo de ano turbulento fora de campo, o Internacional terminou a etapa inicial com a melhor campanha geral, enquanto o Grêmio encerrou o período cercado por desconfiança e sensação de repetição de velhos problemas.
A impressão dominante é de que 2026 ainda carrega muitos traços de 2025, especialmente no Beira-Rio. O título estadual conquistado pelo Inter no ano passado não apenas interrompeu o sonho gremista do octacampeonato, como também redefiniu o peso da pressão para esta temporada. Defender a taça, curiosamente, parece ter sido um fardo menor do que buscá-la, o que ajuda a explicar a tranquilidade colorada mesmo diante de um planejamento instável no início do ano.
O Inter passou por uma situação incomum: três treinadores comandaram a equipe nos três primeiros jogos da temporada. Pablo Fernández dirigiu o time jovem na estreia contra o Novo Hamburgo, Paulo Pezzolano assumiu na goleada sobre o Monsoon, e Esteban Conde esteve à frente na derrota para o Ypiranga. Somente a partir da quarta rodada, diante do Inter de Santa Maria, os titulares começaram a aparecer com mais frequência. Ainda assim, o Colorado utilizou força máxima apenas duas vezes em seis jogos da fase classificatória — e mesmo assim terminou líder geral, com 15 pontos e margem confortável.
A derrota para o Athletico-PR no Brasileirão, quando Pezzolano poupou Mercado e Carbonero, reacendeu um alerta já exposto pelo treinador: o foco principal do clube é o Campeonato Brasileiro. O trauma da reta final da edição passada segue influenciando decisões e prioridades. O elenco é praticamente o mesmo, mas a saída de Vitão pesou, enquanto Ricardo Mathias e Luis Otávio surgem como alternativas. Em contrapartida, chegaram nomes pontuais como Paulinho, Félix Torres, Villagra e Alerrandro, que reforça o ataque e pode atuar ao lado de Borré, conforme já adiantou o técnico.
No ambiente colorado, a sensação é de continuidade. Quem chegou agora e quem permaneceu sente que a base vencedora de 2025 ainda sustenta o time dentro e fora de campo.
Na Arena, o cenário é oposto. Apesar de um início promissor, com vitória no Gauchão e o surgimento de jovens sob o comando de Luís Castro, a sequência de resultados e escolhas do treinador trouxe à tona um incômodo déjà vu. A derrota em casa para o São José, a insistência em nomes conhecidos e, principalmente, a virada sofrida no Gre-Nal reabriram feridas recentes. A escalação de Dodi, Edenilson e Cristaldo na estreia do Brasileirão simbolizou, para muitos, o retorno de um Grêmio que o torcedor acreditava ter deixado para trás.
Com cinco pontos de vantagem ao fim da primeira fase, o Inter não apenas superou o rival na tabela, como também assumiu o protagonismo simbólico do começo de temporada. A inversão de expectativas é clara. Resta saber se ela se confirmará no mata-mata. Até lá, a única certeza é que, em apenas 20 dias, o futebol gaúcho voltou a provar como tudo pode mudar rapidamente.








































