O Código Abel: como a 6ª temporada desafia a ciência da rotatividade no futebol brasileiro | OneFootball

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·4 April 2026

O Código Abel: como a 6ª temporada desafia a ciência da rotatividade no futebol brasileiro

Article image:O Código Abel: como a 6ª temporada desafia a ciência da rotatividade no futebol brasileiro

No mesmo Brasileirão em que nove técnicos foram demitidos nas primeiras nove rodadas de 2026 — o pior índice dos últimos anos —, Abel Ferreira inicia sua sexta temporada consecutiva no comando do Palmeiras. E, ao conquistar o Campeonato Paulista 2026, se tornou sozinho o técnico com mais títulos da história do clube: 11 troféus, um a mais do que Oswaldo Brandão.

O Portal do Palestra cruzou os dados completos da Era Abel com o histórico de mandatos de técnicos no Brasileirão desde os pontos corridos, em 2006, e encontrou uma anomalia estatística que desafia tudo o que o futebol brasileiro ensina sobre a vida útil de um treinador: enquanto a curva de desempenho de quase todo técnico cai depois de 18 meses, a de Abel sobe.


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Era Abel Ferreira — Palmeiras 2020–2026

11

Títulos com o Palmeiras

Mais que qualquer outro técnico na história do clube

~401

Jogos no comando

Dados até abril/2026

79,2%

Aproveitamento — Série A 2026

6V 1E 1D em 8 rodadas

~67%

Aproveitamento geral na era

Estimado. Comissão: 229V/93E/74D em 395J

672

Gols marcados (comissão)

320 sofridos

1.982

Dias ininterruptos no cargo

Out/2020 → Abr/2026

Fontes: palmeiras.com.br · gazeta esportiva · bolavip.com · cálculo Portal do Palestra · dados até 4/4/2026.

O número que ninguém mais conseguia desde Telê Santana — e que Abel já superou

Em janeiro de 2026, ao dar início à sua sexta temporada, Abel Ferreira igualou uma marca que nenhum técnico havia alcançado em três décadas no Brasil. Mas ao conquitar o Campeonato Paulista 2026, foi além: tornou-se o técnico com mais títulos da história do Palmeiras, com 11 troféus, superando Oswaldo Brandão e chegando mais longe do que o próprio Telê Santana jamais chegou com o São Paulo.

Telê é o único paralelo real. Comandou o tricolor paulista de 1990 a 1996 — seis temporadas, dez títulos, duas Libertadores, dois Mundiais. Foi o último ciclo de longevidade comparável no futebol brasileiro. Mas Abel já passou dele em títulos, e ainda tem contrato até o fim de 2027.

Longevidade no comando — comparativo histórico

Fontes: palmeiras.com.br · transfermarkt.com.br · gazetaesportiva.com · flashscore.com.br · indicadoresportivo.com · dados até 4/4/2026.

O Brasileirão como cemitério de técnicos — e Abel como anomalia estatística

Para entender o que Abel representa, é preciso primeiro entender o ambiente que ele habita. O futebol brasileiro é, segundo o CIES (Centro Internacional de Estudos Esportivos, Fifa), o terceiro pior do mundo em permanência de técnicos no cargo — atrás apenas da Bolívia e da Arábia Saudita.

Entre 2021 e 2025, o Brasileirão registrou uma média de 21 demissões por temporada — três vezes mais do que a Premier League no mesmo período. Em tempo de permanência: um técnico brasileiro dura em média 164 dias no cargo (menos de seis meses), enquanto na Premier League a média é de 798 dias — quase cinco vezes mais.

O Brasileirão 2026 já bateu recorde de aceleração: nas primeiras nove rodadas, nove técnicos foram demitidos — média de uma saída por rodada, a mais alta em anos recentes, conforme levantamento do Flashscore. Abel assiste a tudo isso do mesmo banco de reservas onde sentou pela primeira vez há mais de cinco anos.

A comparação com o Flamengo é emblemática: desde outubro de 2020, o clube carioca mais vitorioso da era moderna acumulou ao menos nove técnicos diferentes — incluindo Domènec Torrent, Rogério Ceni, Paulo Sousa, Vítor Pereira, Jorge Sampaoli, Tite e Filipe Luís, demitido em março de 2026. Abel ainda é o mesmo.

Permanência no cargo — Brasileirão vs. Abel Ferreira

Técnico médio — Brasileirão Série A

164

dias no cargo

Menos de 6 meses. 21 demissões por temporada em média (2021–2025). Brasil demite 3× mais que a Premier League.

Abel Ferreira — Palmeiras

1.982

dias ininterruptos

Out/2020 → Abr/2026. Equivale a 12× a permanência média de um técnico no Brasileirão.

Fontes: CIES · indicadoresportivo.com · flashscore.com.br · cálculo Portal do Palestra (30/10/2020 → 04/04/2026).

A curva que desafia a teoria do desgaste

A ciência do gerenciamento no esporte tem um achado consistente: a curva de desempenho de um técnico tende a cair depois de 18 a 24 meses no mesmo cargo. É o chamado “efeito desgaste” — os jogadores param de reagir a estímulos, o adversário decora os padrões táticos, e a autoridade do técnico erosiona gradualmente.

O que os dados de Abel mostram é o oposto. Veja o aproveitamento por temporada:

A linha não cai. Em 2025, o primeiro ano sem título, o aproveitamento foi de 66,2% — superior à própria média histórica da era. O time performou acima da média mesmo sem conquistar taças, indicador de solidez que vai além de resultados pontuais em mata-matas. E em 2026, o aproveitamento na Série A chegou a 79,2% — o maior número verificado de toda a era.

11 títulos, 6 anos, zero declínio: como Abel escapou do “burnout técnico”

A resposta não é simples, mas os dados sugerem ao menos três fatores estruturais:

1. Renovação sem reconstrução

Abel nunca destruiu o que construiu para começar do zero. A espinha dorsal do time — Weverton, Gustavo Gómez, Raphael Veiga — atravessou praticamente toda a era como referência. Cada temporada incorporou novidades sobre uma base estável. O time muda; o projeto não.

2. O modelo Leila: a estrutura que sustenta o técnico

Longevidade não é só mérito do técnico — é mérito do clube que o sustenta. A presidência de Leila Pereira criou um ambiente de continuidade raro no Brasil. Em 2025, primeiro ano sem título, o clube renovou o contrato de Abel até 2027 em vez de demiti-lo. Esse gesto muda o jogo psicológico de toda a estrutura. Nos rivais, a demissão já teria acontecido.

3. Método como blindagem contra o tempo

Abel tem identidade tática reconhecível: pressão alta, posse direta, transições rápidas. Quem tem método resiste mais ao tempo do que quem improvisa. O adversário aprende, mas Abel evolui. Os 79,2% de aproveitamento no Brasileirão 2026 são o argumento mais forte de que a evolução continua.

“O futebol brasileiro demite 21 técnicos por temporada em média. Abel Ferreira, no mesmo período, conquistou 11 títulos com o Palmeiras — mais do que qualquer outro treinador na história do clube.”— Análise do Portal do Palestra com base em dados de palmeiras.com.br, cbf.com.br, bolavip.com e flashscore.com.br

Desempenho por competição — Era Abel Ferreira no Palmeiras

A era Abel na Libertadores: o melhor desempenho do Brasil

Parte do que consolida a longevidade de Abel é que ele trouxe ao Palmeiras uma identidade internacional construída de forma sistemática. Desde que chegou em 2020, o Verdão acumula 63 vitórias em 93 partidas de Libertadores, com aproveitamento de 74,5% — o maior de sua história na competição, segundo o site oficial do clube.

O Palmeiras inicia a Libertadores 2026 como o clube brasileiro com o maior aproveitamento histórico na competição: 57,25% desde a primeira participação, com média de 1,95 gol por partida. Números que antecedem Abel, mas que o português aprofundou de forma decisiva.

O que o ciclo Abel ainda pode produzir

A ciência diz que todo ciclo vencedor acaba. Telê Santana encerrou em 1996 com o São Paulo em reconstrução. Mas os dados de Abel não sinalizam esgotamento. Com 11 títulos no currículo, contrato até 2027 e o melhor aproveitamento parcial de toda a era, o português está construindo algo que o futebol brasileiro não vê há gerações.

Se Abel cumprir o contrato atual, terá comandado o Palmeiras por pelo menos sete temporadas consecutivas. Nenhum técnico fez isso em nenhum grande clube brasileiro no século XXI. O Código Abel ainda não está completo — e os dados sugerem que o capítulo mais rico está sendo escrito agora.

Perguntas frequentes

Quantos títulos Abel Ferreira conquistou com o Palmeiras?

Abel Ferreira conquistou 11 títulos pelo Palmeiras: Copa do Brasil (2020), Copa Libertadores (2020 e 2021), Campeonato Paulista (2022, 2023, 2024 e 2026), Brasileirão (2022 e 2023), Recopa Sul-Americana (2022) e Supercopa do Brasil (2023). Com a conquista do Paulistão 2026, tornou-se o técnico com mais títulos da história do clube, superando Oswaldo Brandão (10).

Abel Ferreira é o técnico mais longevo do futebol brasileiro?

Sim, em termos de permanência ininterrupta em um mesmo clube na elite do futebol brasileiro. Ao iniciar a 6ª temporada consecutiva no Palmeiras em 2026, Abel igualou a marca de Telê Santana no São Paulo (1990–1996) — o último a fazer isso em 30 anos. Nenhum outro técnico da Série A chega perto desse número atualmente.

Qual é o aproveitamento de Abel Ferreira no Palmeiras?

Abel Ferreira tem aproveitamento estimado em ~67% ao longo de toda a passagem pelo clube (dados parcialmente verificados). No Brasileirão 2026, o aproveitamento é de 79,2% (6V, 1E, 1D em 8 rodadas — verificado). A comissão técnica portuguesa acumula dados oficiais de 229V, 93E e 74D em 395 jogos (até dezembro de 2025, segundo palmeiras.com.br), com 672 gols marcados e 320 sofridos.

Quantos técnicos o Brasileirão demite por temporada em média?

Entre 2021 e 2025, o Brasileirão registrou média de 21 demissões por temporada — três vezes mais do que a Premier League no mesmo período. Em 2026, o índice piorou: 9 demissões em 9 rodadas, a média mais alta dos últimos anos (Flashscore). Um técnico brasileiro dura em média 164 dias no cargo, segundo estudo do CIES (Centro Internacional de Estudos Esportivos, Fifa). O Brasil é o 3º pior do mundo nesse indicador.

Até quando Abel Ferreira tem contrato com o Palmeiras?

Abel Ferreira renovou seu contrato com o Palmeiras em dezembro de 2025, com vínculo vigente até o fim de 2027. Se cumprir, será o técnico mais longevo de um grande clube brasileiro em mais de quatro décadas. A renovação foi anunciada pelo próprio clube: “Orgulho, gratidão e responsabilidade”, disse o treinador.

O Brasileirão 2026 demite um técnico por rodada. Abel Ferreira começa sua sexta temporada, tem 11 títulos, 1.982 dias no cargo e o maior aproveitamento parcial de toda a era. Os dados estão aí — e eles não costumam mentir.

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