O fato mais surpreendente neste jogo do Inter contra o Coritiba
O empate do Inter contra o Coritiba teve muito mais cara de sobrevivência do que propriamente de evolução. E talvez esse seja justamente o resumo mais honesto do momento colorado.
Porque olhando friamente o contexto do jogo, o resultado nem é ruim. Empatar fora de casa no Couto Pereira não é nenhum desastre. O surpreendente foi a maneira como aconteceu.
O Inter do Pezzolano virou um time completamente reativo nas últimas partidas. Seja com linha de cinco, seja com duas linhas de quatro, o conceito é sempre o mesmo: primeiro não sofrer, depois tentar escapar no contra-ataque. E contra adversários que gostam de ter a bola, isso até encaixa dentro das limitações atuais do elenco.
O Coxa simplesmente entregou a bola pro Inter e disse: “Agora cria”. E aí apareceu um problema que já tinha ficado muito claro contra o Mirassol: o Inter hoje não sabe propor jogo.
No primeiro tempo, teve mais posse, mas praticamente não criou nada relevante. Circulava a bola sem profundidade, sem criatividade e sem conseguir transformar domínio territorial em chances reais. E justamente nesse cenário acabou sofrendo o primeiro gol, numa jogada construída nas costas da defesa depois de uma inversão de bola.
O mais inesperado veio depois.
Porque esse Inter normalmente sente demais quando sai atrás. Só que dessa vez buscou o empate duas vezes. Primeiro com Borré aproveitando uma falha defensiva e depois com Félix Torres literalmente jogando como centroavante nos minutos finais.
E isso diz muito sobre como o time tenta resolver seus problemas ofensivos atualmente.
Quando precisa atacar, o Inter basicamente empilha bola na área. Foi assim durante praticamente todo o segundo tempo. Com 75% de posse depois do intervalo, o time pressionava mais no volume do que propriamente na organização. Cruzamento atrás de cruzamento, sobra, segunda bola e tentativa no abafa.
Inclusive, o próprio Pezzolano percebe isso durante a partida.
Ele adianta Vitinho, empurra Bernabei, coloca Borré ao lado do Alejandro e transforma o time quase numa formação desesperada de ataque total. O problema é que mesmo com toda essa pressão, a sensação ainda é de um time que cria pouco de maneira estruturada.
E aí entra uma questão importante sobre o Allex.
O garoto até pode não ter feito grande partida, mas é difícil cobrar muito quando ele passa boa parte do jogo praticamente jogando como lateral-direito auxiliar. Ele recuava tanto para ajudar defensivamente que ficava completamente distante da área adversária. Para um jogador jovem e ofensivo, parece mais um cenário de sobrevivência do que um ambiente favorável para desenvolvimento.
No segundo tempo, com Vitinho entrando na vaga dele, o Inter ganha mais presença ofensiva. Não necessariamente mais qualidade, mas mais agressividade.
O Borré, por exemplo, consegue ser decisivo justamente porque interpreta muito bem o lance do primeiro gol. Ele antecipa a falha da defesa, percebe a indecisão e ataca o espaço antes de todo mundo. É um movimento de atacante experiente.
Já no segundo gol sofrido, ficou a sensação de que dava para o Rochet defender. Não parece uma falha absurda, mas aquela versão “Rochet Prime” provavelmente faria a defesa.
Mesmo assim, o Inter buscou novamente o empate. E isso, dentro do contexto atual, talvez seja o ponto mais positivo da noite.
Porque coletivamente ainda existem muitos problemas.
O time sofre para criar quando precisa propor, depende demais de bola aérea, transforma zagueiro em centroavante no desespero e ainda parece limitado ofensivamente em vários momentos. O Alerrandro participou pouco, Alan Patrick até tentou organizar algumas ações quando entrou, mas o cenário geral continua sendo de um time que compete mais na insistência do que na construção.
Só que também existe um contexto difícil de ignorar.
É praticamente o mesmo elenco que brigou contra o rebaixamento no ano passado, com poucas soluções realmente transformadoras chegando. E dentro desse cenário, talvez o Inter esteja fazendo exatamente aquilo que consegue fazer hoje: sobreviver jogo após jogo enquanto tenta encontrar algum caminho mais consistente.
Não é bonito. Não parece sustentável a longo prazo. Mas nesse momento, talvez seja simplesmente o que o Inter consegue entregar.