O grande ensinamento que o Inter teve nesta noite contra o Flamengo
O Internacional ficou no empate por 1 a 1 com o Flamengo no Beira-Rio, mas a sensação deixada após o apito final foi bem diferente daquela vista em tantas outras partidas da temporada. Se alguém dissesse antes do jogo que o Colorado somaria um ponto contra um dos melhores times do país, provavelmente boa parte da torcida aceitaria. O problema é que, pelo que o Inter apresentou em campo, ficou aquela impressão de que dava para sair com a vitória.
E talvez essa seja justamente a maior lição da noite. O Internacional mostrou que, quando respeita suas características, consegue competir contra qualquer adversário. A grande pergunta é: por que esse time não aparece com a mesma frequência diante de equipes tecnicamente inferiores?
Pezzolano optou por um plano de jogo completamente diferente do que tentou em várias partidas anteriores. O Inter entregou a posse de bola ao Flamengo, fechou os espaços, marcou forte e apostou nos contra-ataques. O resultado foi um time organizado, competitivo e que praticamente não sofreu a pressão que muita gente imaginava. Sim, o Flamengo terminou com 73% de posse de bola, mas isso pouco significou em volume real de chances.
Muito mais importante do que a estatística foi a sensação dentro de campo. Em nenhum momento o Flamengo empilhou oportunidades claras ou amassou o Internacional. O Colorado soube sofrer, defendeu bem e fez exatamente aquilo que parecia mais adequado para enfrentar um elenco tão qualificado.
Isso reforça uma impressão que vem crescendo: hoje, o problema do Inter não são exatamente os jogadores, mas sim a forma como o time escolhe jogar. Contra o Flamengo, Alan Patrick voltou ao time, mas não foi aquele meia responsável por controlar o jogo. Atuou praticamente como atacante em vários momentos, ajudou na recomposição e participou de um sistema muito mais coletivo do que individual.
A estrutura também chamou atenção. Em determinados momentos, o Inter tinha duas linhas de quatro jogadores. Em outros, os laterais recuavam e formavam uma linha de cinco defensores. Bruno Gomes aparecia quase como terceiro zagueiro, enquanto Vitinho e Mateus Bahia alternavam funções pelos lados. As variações aconteceram, mas a ideia nunca mudou: fechar os espaços, obrigar o Flamengo a rodar a bola e aproveitar qualquer erro para acelerar.
E foi exatamente assim que saiu o gol colorado. Alan Patrick encontrou Carbonero em profundidade, o colombiano finalizou, o goleiro rebateu e Vitinho apareceu para completar. Era exatamente o roteiro imaginado por Pezzolano: poucas oportunidades, mas muita eficiência quando elas aparecessem.
Aliás, Carbonero talvez tenha feito sua melhor atuação desde a parada da Copa do Mundo. Voltou a ganhar divididas, pressionou a saída de bola, venceu duelos individuais e quase marcou um golaço pouco depois de abrir vantagem, quando deixou Léo Pereira para trás antes da finalização. Foi um jogador muito mais próximo daquele atacante agressivo que o Inter espera ver.
Foi um empate com gosto amargo justamente porque o Inter esteve muito perto de conquistar uma vitória enorme. Ao mesmo tempo, o desempenho deixa uma mensagem importante para a comissão técnica.
O Internacional mostrou que não precisa ter a bola para competir. Pelo contrário. Hoje, parece muito mais confortável jogando fechado, sendo intenso na marcação e atacando em velocidade do que tentando controlar partidas através da posse de bola.
Talvez esteja aí a principal resposta que Pezzolano procurava desde que chegou ao Beira-Rio. O Colorado encontrou um modelo que funcionou contra um dos elencos mais fortes do Brasil. Agora resta saber se o treinador terá coragem de repetir essa ideia também contra adversários menores.
Porque, se existe uma crítica que acompanha o Internacional há muitos anos, é justamente essa: o time costuma crescer contra os grandes e complicar jogos que, teoricamente, seriam mais acessíveis. Contra Flamengo, Palmeiras e outros gigantes, normalmente compete. Já diante dos clubes que brigam na parte de baixo da tabela, frequentemente deixa escapar pontos preciosos.
Se conseguir transformar essa atuação em padrão, o empate pode valer muito mais do que apenas um ponto na classificação. Pode representar o início de uma identidade para um time que passou boa parte da temporada tentando descobrir qual futebol realmente deveria jogar.