O Grêmio perdeu para o Palmeiras e a verdade é que eu estou me policiando, estou tentando evoluir naquela situação de não entrar na onda de todo clube que joga contra o Palmeiras e tem o mesmo discurso depois. Não, jogamos super bem, enfrentamos, jogamos de igual para igual um dos principais times do Brasil e não vencemos por detalhe ou perdemos pelo detalhe.
A verdade é que o Palmeiras é sempre assim, o Abel Ferreira é sempre o cara da mesma fórmula. O Palmeiras não joga bem, não dá espetáculo, mas no final das contas ganha. É líder do Campeonato Brasileiro de novo. E o Grêmio se submeteu a isso. A grande verdade para a gente começar a conversa aqui é essa. O Grêmio perdeu para o Palmeiras e o resultado, nesse caso, de um time extremamente pragmático do Abel, é esse. Palmeiras 2 a 1, sem muita discussão, principalmente um Palmeiras muito melhor do que o Grêmio no primeiro tempo.
Num segundo momento, a gente precisa analisar a situação do técnico Luís Castro. O Luís Castro muda de novo o time, as peças do time, mas mantém mais ou menos o jeito de jogar. São dois laterais e dois zagueiros, uma linha de quatro na defesa, Noriega na frente da zaga, primeiro volante normal, tripé de meio-campo, Nardoni pela direita, Monsalve pela esquerda. Isso já tinha acontecido antes.
O Arthur não pôde jogar, está com dor muscular, não está com lesão, mas esse tripé antes tinha o Arthur, agora teve o Nardoni e o Monsalve. O Monsalve, inclusive, já jogou nesse tripé pela direita e pela esquerda, hoje foi pela esquerda. O Nardoni era o meia pela direita, mas nenhum dos dois funcionou.
Aí a gente vai dizer: tá, mas o problema é no meio-campo? Não necessariamente. Porque o Luís Castro faz duas mudanças fundamentais no time: o Enamorado de ponta esquerda e o Tetê de ponta direita. O Tetê de ponta direita não é bem uma mudança. A mudança é tirar o Enamorado, que era titular na ponta direita, e jogar ele para a ponta esquerda, e aí prejudicar o time.
Por quê? O Tetê hoje tem sido um jogador que não contribui. Cara, nós aqui no Rio Grande do Sul falamos abertamente: o Tetê não estreou, o Tetê não conseguiu ainda jogar pelo Grêmio. Na transmissão da GE TV, que foi pelo menos onde eu vi a partida, o Igor Formiga estava falando rigorosamente a mesma coisa. Ele estava relatando exatamente a mesma situação. Ele chegou a dizer, quando o Luís Castro fez a troca no intervalo, que o Tetê não estreou com a camisa do Grêmio.
Então não é uma loucura da imprensa pensar isso. Não é perseguição. Pelo contrário. O Tetê está muito distante do grande jogador que todos nós imaginávamos e do cara de 7 milhões de euros.
Mas eu também preciso te dizer que o Nardoni não está nem perto dos 10 milhões de dólares. Custou oito fixos mais dois em bonificações. Não está sendo o meio-campista de intensidade que se imaginava. O Monsalve não está sendo nem meia armador, nem meio-campista, nem nada do que se imagina. Tanto é verdade que chega no intervalo e, automaticamente, para tentar mudar alguma coisa no Grêmio, o Luís Castro faz três trocas já no intervalo.
Coloca o Amuzu, que melhora muito o time em relação ao Tetê, principalmente porque joga na ponta esquerda, e aí joga o Enamorado para a ponta direita. O Enamorado não fez nada absurdo na segunda etapa também, mas cada um jogou mais ou menos na sua. E o Amuzu não condiz com ser reserva do Grêmio, ainda mais voltando de data FIFA, não teria por que fazer essa preservação.
O Dodi no lugar do Noriega faz sentido, imagino, por conta do desgaste do Noriega, que jogou amistoso na data FIFA com o Peru. E ainda no intervalo o Meck no lugar do Monsalve. O Meck não faz algo brilhante, mas o Monsalve também não se justificava.
Mas a verdade é que o Grêmio propõe mais, tenta mais na segunda etapa, tem muito mais chances. Só que aqui a gente precisa analisar duas coisas. Primeiro: é um Grêmio que tem mais oportunidades também porque o Palmeiras é esse tipo de time. O Palmeiras estava vencendo por 1 a 0 e disse: “tá, Grêmio, vai aí, faz o teu jogo, eu vou ficar aqui, tu não vai entrar, tu não vai fazer gol em mim”. E foi isso que aconteceu.
Quer dizer, um lance que foi exceção, uma bola que o Gustavo Martins joga para frente, é mérito dele, ele faz o cruzamento. A bola quica, favorece, tem o jogo de corpo do Carlos Vinícius, tem o enquadrar para bater e ele finaliza mesmo com pouco ângulo. Eu achei um pouco de falha do Bruno Fuchs, mas enfim. O Carlos Vinícius vai lá, finaliza para a rede.
Só que aí está o empate e minimamente as coisas se equilibram. Só que o Palmeiras tem banco. O Palmeiras começa a colocar jogadores. Entra Arthur Gabriel, entra Felipe Anderson, entra Ramon Souza no ataque.
Só que quem decide, na verdade, é o Marlon Freitas, que já tinha feito o primeiro gol numa bola parada. E aí é uma falha individual do Gustavo Martins, que teve grande mérito no gol do Grêmio, mas depois faz uma cabeçada completamente sem noção. Ele cabeceia fraco para a entrada da área e dá um passe para o adversário.
Não pode acontecer. Ou ele joga a bola longe ou tenta sair jogando certo. Do jeito que foi, entregou. O Marlon Freitas pega e faz o 2 a 1.
E aí não adiantava mais. O Grêmio até tentou depois de tomar o gol, mexeu no time, colocou o Braithwaite, entrou o Zortea, tentou alguma coisa, mas já era tarde.
É aquela história que eu disse lá no começo. O Palmeiras não vai sofrer uma virada dessas. É um time que sabe sofrer, é um time que sabe jogar, os caras são expertos nessa situação.
Por isso que eu disse desde o início: eu não pretendo mais cair na artimanha de dizer “jogou melhor ou pior”. O Palmeiras é sempre assim. Não vai dar espetáculo, não vai encher os olhos, mas no final está lá, líder com 22 pontos, o dobro da pontuação do Grêmio.
E a diferença entre os dois é exatamente essa. O Palmeiras está em outro campeonato e o Grêmio está no meio da tabela do Brasileirão.
E tá, eu sei que é uma grenbalização. E por um fato que não aconteceu, mas se o Inter consegue uma vitória contra o São Paulo em casa, que não era impossível, estaria com 11 pontos, e o Grêmio também tem 11 pontos. Ou seja, no fim das contas, não estaria tão diferente.
Hoje são só dois pontos entre Grêmio e Inter. Então acho que é bom a gente começar a refletir sobre algumas coisas importantes do Grêmio.