O pós-jogo foi tão inacreditável quanto a eliminação do Grêmio
A entrevista coletiva depois da eliminação não trouxe nenhuma resposta capaz de diminuir a pressão sobre o Grêmio. Pelo contrário. Tanto Luís Castro quanto o vice Rafael Lima apostaram no discurso de que existe evolução no trabalho, mas o momento do clube simplesmente não permite que esse argumento convença o torcedor.
Luís Castro justificou sua permanência dizendo que trabalha “de forma digna e honesta” todos os dias. Ninguém questiona isso. Honestidade e dedicação são obrigações de qualquer profissional. O problema é que treinador é avaliado pelos resultados e, principalmente, pelo desempenho. O Grêmio foi eliminado pelo Bolívar, está pressionado no Brasileirão e não conseguiu convencer em praticamente nenhuma competição da temporada.
A direção foi pelo mesmo caminho. Rafael Lima garantiu que vê evolução no dia a dia e, por isso, mantém a confiança no treinador. Só que essa evolução não aparece dentro de campo. Se existe, ela ainda não se transformou em futebol, vitórias ou competitividade suficiente para justificar a permanência sem questionamentos.
Outro ponto que chamou atenção foi Luís Castro tentar sustentar sua análise em números: 31 finalizações, 11 escanteios, posse de bola. Estatística ajuda a explicar um jogo, mas não muda o resultado. O Grêmio foi eliminado dentro de casa por um adversário que era plenamente acessível. Quando a classificação escapa, falar apenas de volume ofensivo acaba soando como uma tentativa de amenizar um fracasso evidente.
O treinador também admitiu que as vaias eram direcionadas a ele. Acertou nessa leitura. A torcida deixou claro que a insatisfação hoje está muito mais ligada ao comando técnico do que propriamente aos jogadores. E o coro pedindo Renato Portaluppi mostra que existe uma comparação inevitável. Castro disse que respeita a história do ídolo e que não trabalha com essa sombra, mas ela existe e vai aumentar a cada resultado negativo.
A direção ainda pesa outro fator importante: o contrato. A multa elevada torna uma troca de treinador muito cara neste momento. Na prática, o discurso sobre confiança no trabalho também passa pela dificuldade financeira de fazer uma mudança.
No fim, ficou a sensação de que a coletiva serviu mais para justificar a permanência do treinador do que para explicar por que o Grêmio chegou a esse ponto. O clube segue vivo na Copa do Brasil e precisa reagir no Campeonato Brasileiro, mas a margem para novos tropeços praticamente acabou. Se os resultados não aparecerem rapidamente, nem o discurso sobre evolução, nem a dedicação diária, nem o custo da multa serão suficientes para conter a pressão.