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Jornal do Fla

·3 June 2026

O ‘projeto’ de Boto: diretor admite estratégia que bloqueia base do Flamengo

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José Boto entende que a cultura de exigência por vitórias inviabiliza a transição da base do Flamengo, o que indica a sua estratégia como a causa direta do cenário atual de subutilização de jovens. Em entrevista, o diretor afirmou que foi necessário se adaptar ao contexto rubro-negro, onde diz que a pressão não admite a paciência necessária para o desenvolvimento de promessas.

Boto argumenta que o ambiente no Flamengo exige maturidade psicológica imediata para lidar com a pressão do Maracanã, o que força a prioridade por jogadores prontos. O foco do clube, segundo o dirigente, é exclusivamente a vitória, o que desqualifica a formação como estratégia atual.


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“O que define o Flamengo é aquela frase que está ali [na parede do escritório] que é ‘Vencer, vencer, vencer’. Aqui não há outra hipótese. Não há aqui o ‘fizemos não sei quanto dinheiro com vendas’, não há essas culturas que, por exemplo, nós temos em Portugal, de tornarmos o clube rentável do ponto de vista financeiro através da venda ou da formação de jogadores”, disse ao jornal ‘A Bola’, antes de concluir:

“Aqui o foco está completamente em vencer. E é a isso que tens de te adaptar. E é isso que que tentei fazer, trazendo jogadores prontos, com experiência, porque não é fácil jogar no Flamengo. A pressão de jogar no Maracanã é muito grande e, por isso, os jogadores têm de ter algumas características psicológicas, de experiência e maturidade.”

Clube se afasta do lema ‘Craque o Flamengo faz em casa’

José Boto reconhece que, apesar da experiência em formação adquirida no Benfica e no Paok, a cobrança por resultados impede o lançamento dos jovens talentos. Ele, inclusive, admite que o clube se afasta do lema “Craque o Flamengo faz em casa” e joga parte da responsabilidade nos torcedores.

“Não é fácil. Em Portugal somos especialistas nisso. O lançar jovens jogadores tem uma série de premissas que tens de ter e não é fácil tê-las aqui no Flamengo. É paciência. São os momentos certos para lançar os jogadores e saber que o rendimento desses jovens vai oscilar muito e temos de ter paciência com eles.

“Essa paciência que os adeptos também tinham de ter para lançarmos alguns dos jovens que temos, alguns jovens com valor, mas que acabam por ter um espaço mais limitado num contexto que é este de exigência máxima.”

O diretor reforça que sua atuação mudou drasticamente em relação aos trabalhos anteriores, sendo necessária uma postura pragmática para obter sucesso na realidade rubro-negra.

“É o que eu te digo, é a adaptação ao contexto. O que fazia no Benfica é diferente do que fiz depois no Shakhtar. O que fiz no Shakhtar era diferente do que fiz no PAOK. São contextos diferentes a que nós nos temos de adaptar para ter sucesso”, concluiu José Boto.

Um exemplo claro dessa visão de Boto é o jovem João Victor. O zagueiro foi acionado por Filipe Luís em 2025 para suprir desfalques e sofreu críticas pelas atuações. No fim da temporada, o diretor falou até em emprestar o atleta para um clube fora do país.

O impacto da gestão José Boto na base do Flamengo

A estratégia de José Boto reflete diretamente nos dados do Jornal do Fla, que posicionam o Flamengo na lanterna do aproveitamento de atletas sub-23 no Brasileirão 2026. O clube utilizou apenas três jogadores, Evertton Araújo, Wallace Yan e mais recentemente João Victor.

Enquanto rivais como o Palmeiras (12 jogadores) utilizam a base como pilar de competitividade, a gestão atual ignora o talento caseiro. O Alviverde, mesmo sob alta pressão de disputar com o próprio Rubro-Negro, utilizou quatro vezes mais jovens que o Fla.

A insatisfação da torcida cresce com a falta de oportunidades, enquanto o clube mantém uma estrutura de contratações pesadas. A gestão de Boto e Alfredo Almeida, focada em atletas experientes, acaba por asfixiar a formação, reduzindo as chances dos talentos do Ninho.

Caso Ryan Roberto e o efeito dominó

A política do departamento de futebol culmina na iminente saída de Ryan Roberto, joia de 18 anos da geração 2008. O jogador decidiu não renovar seu contrato ao entender que o caminho para o profissional está permanentemente bloqueado, o que as falas de José Boto corroboram.

O cenário torna-se dramático com a possibilidade de Ryan assinar um pré-contrato e sair de graça. A diretoria, ao priorizar nomes como experientes, ignora o talento interno, resultando em uma crise de transição que afasta os garotos do Manto Sagrado.

A torcida questiona a real utilidade da base do Flamengo ser uma das mais valiosas do mundo se os frutos nunca são aproveitados. O Rubro-Negro corre contra o tempo para não perder talentos, enquanto o lema de que craque se faz em casa é substituído pela estratégia de Boto.


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