Paulo Victor e a busca pela volta da identidade campeã nas Seleções Sub-20 e Sub-23 | OneFootball

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·25 March 2026

Paulo Victor e a busca pela volta da identidade campeã nas Seleções Sub-20 e Sub-23

Article image:Paulo Victor e a busca pela volta da identidade campeã nas Seleções Sub-20 e Sub-23

“O bom filho à casa torna”. Foi com estas palavras que o tetracampeão mundial Branco, coordenador das Seleções de Base da CBF, apresentou Paulo Victor Gomes aos jogadores da Seleção Brasileira Sub-20, primeiros convocados do novo comandante, que acumulará também a função de técnico da Seleção Sub-23.

PV, como também é conhecido, volta à Casa do Futebol Brasileiro tendo conquistado o título do Sul-Americano Sub-15 em 2019, como técnico, e o ouro olímpico em Tóquio, como auxiliar de André Jardine, além de uma passagem como treinador da Seleção Sub-17. Ao seu lado estará o auxiliar Lucas Andrade, outro especialista das categorias de base, com quem Paulo Victor acumula parcerias e amizade.


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Seus primeiros compromissos no comando serão os amistosos dos dias 28 e 31 de março, contra o Paraguai. Mas no horizonte, Paulo Victor tem o ciclo Sub-20 para o Sul-Americano e a Copa do Mundo da categoria em 2027, e o projeto olímpico em 2028. Os resultados estão em seu planejamento. Para alcançá-los, o técnico tem uma palavra de ordem: identidade. “Eu gosto muito de usar essa palavra. O jogador tem que sentir a Seleção Brasileira de uma forma diferente”, disse ele, em entrevista exclusiva à CBF TV. Confira este e outros temas abordados por PV na íntegra:

CBF TV: Você retorna à Seleção agora como treinador principal. O que representa assumir a Sub-20 e a Pré-Olímpica neste momento da sua carreira?

Paulo Victor: Para mim é motivo de muito orgulho, de muita gratidão, e uma sensação também de merecimento por toda a trajetória percorrida aqui dentro da Seleção Brasileira, no Palmeiras e mais recentemente agora no no América, nos três anos no futebol do mexicano. Então, eu me sinto de verdade um privilegiado por poder retornar à essa instituição nesse momento especial, no momento que se aproxima a Copa do Mundo, em um momento que a gente entende que a instituição enxerga esse projeto do Sub-20 e da Seleção Olímpica com muitos bons olhos, com muita atenção, nos proporcionando uma condição e uma estrutura de trabalho muito interessante. Então é motivo de muito orgulho. Temos que arregaçar as mangas, trabalhar e entregar o máximo para que a nossa Seleção volte a figurar entre as grandes seleções a nível mundial, seja ele no ciclo Sub-20 ou ciclo olímpico.

Sua trajetória na base da Seleção (Sub-15 e Sub-17) e no Palmeiras sempre foi marcada pela formação de talentos. Como essa experiência influencia o trabalho que você pretende desenvolver agora?

Exato, tive o privilégio de trabalhar com grandes jogadores, seja no clube ou na Seleção, dentro do seu processo de formação. Eu acho que o que ajuda muito é o parâmetro que a gente tem, o nível que a gente tem desses desses jogadores, né? Acompanhar o crescimento de um jogador da da Sub-15 até a Sub-20, acompanhar o crescimento de jogadores que passaram na nossa mão por um ciclo Sub-20 depois no ciclo olímpico, isso te dá muito parâmetro, isso te dá uma real noção do que realmente o grupo precisa, o que cada função, cada posição, cada setor realmente precisa para trabalhar em alto nível, para buscar coisas grandes dentro dos do ciclo Sub-20 e Sub-23.

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Primeiras atividades de Paulo Victor com a Seleção Sub-20 serviram para observações e introduções de conceitosCréditos: Staff Images / CBF

Você também fez parte da comissão campeã olímpica em Tóquio ao lado do André Jardine. Que aprendizados daquele ciclo podem ser aplicados agora na base?

Eu acho que o maior valor agregado que eu tenho dentro da trajetória é esse: essa experiência adquirida dentro do clube e dentro da Seleção com altíssimo nível de jogadores aí dentro da trajetória. Foi um ciclo muito muito gostoso de se viver.

Um momento muito especial que começou ali em 2019, a partir do torneio de Toulon, na França, e se estendeu até o ouro olímpico em Tóquio, no qual muitos jogadores que participaram desse ciclo hoje figuram com bastante protagonismo dentro da Seleção principal. Então, o aprendizado foi muito grande, a minha relação com o André era muito boa. É um cara em quem eu me espelho, que eu me inspiro, pelas suas ideias, pela forma como trabalha, pela pessoa que é. E vivi esse ciclo, vivo também atualmente um trabalho com ele, uma relação de muito carinho e de muita amizade, que se sustenta pelo profissionalismo de ambas as partes, pela entrega diária. E com certeza vou trazer muito desse ciclo para o meu trabalho atual agora aqui com a Sub-20 e com a Sub-23.

Falando em parcerias, você volta a trabalhar na Seleção tendo o Lucas Andrade como auxiliar técnico.

Ah, o Lucas é uma grande pessoa, um grande profissional. Eu acho que as escolhas passam muito por aí. O caráter acompanha o profissionalismo todo o tempo. Eu acho que somado todo o tempo que a gente está junto, com algumas interrupções, indo cada um para um lado, ele foi para a China, teve um período ali, e depois nos reencontramos no Palmeiras. Mas desde 2016, há exatos 10 anos, a gente trabalha junto, desde ele no Sub-14 e eu no Sub-15 do Palmeiras àquela altura.

Eu saio para a Seleção, ele assume o meu lugar no Palmeiras na Sub-15, vai comigo para a Seleção Sub-15 de auxiliar, conquistamos juntos o Sul-Americano Sub-15 em 2019 no Paraguai. Depois vai viver uma experiência na China, eu sigo ali na Seleção. E depois dos jogos olímpicos, a gente retorna junto para o Sub-20 do Palmeiras também, reeditando uma parceria legal.

Aí vou para o América em 2023, ele fica no meu lugar mais uma vez ali no Sub-20 do Palmeiras e agora a gente está junto de novo. Eu acho que é uma via de mão dupla: a gente se ajuda muito, a gente se conhece, tem uma sintonia muito grande, isso é muito importante dentro de um trabalho de Seleção, que você nunca tem tempo, eu costumo dizer que você já tem que chegar fazendo, chegar mostrando o resultado. E a afinidade profissional, e consequentemente também a pessoal, contribui bastante para que esse ciclo de trabalho seja acelerado.

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O treinador terá Lucas Andrade como auxiliar técnicoCréditos: Staff Images / CBF

Como você enxerga o papel da Seleção Sub-20 dentro do processo de transição até a Seleção principal?

Para mim é um papel importantíssimo. Quando a gente resgata toda a história da Seleção Brasileira Sub-20, o nosso último título mundial na categoria foi em 2011. Naquela seleção, tem jogadores que vivem um ciclo há mais de 10 anos na Seleção, caso de Casemiro, caso de Danilo, que ainda hoje estão na Seleção principal. Alexsandro, Oscar, Coutinho, Alan Patrick, Dudu… todos em algum momento tiveram um momento de destaque na Seleção principal, uma ascensão natural à Seleção principal, mas eu costumo associar muito a qualidade do trabalho vitorioso com a sequência natural do processo.

Quando você atinge vitórias, atinge conquistas, com protagonismo, jogando um bom futebol, como foi agora também nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que muitos fizeram a sequência dentro da Seleção Brasileira, é um processo natural. Se tratando de Seleção, em que estão os melhores, as conquistas expressivas, elas com certeza vão marcar um caminho de ascensão, um caminho natural que passa por Sub-20, Sub-23 e Seleção Principal. E esse é o meu foco principal: conseguir entregar para a Seleção Principal, num curto, médio prazo, jogadores que possam representar muito bem o nosso país, com protagonismo, com hierarquia e principalmente com uma identidade junto à Seleção Brasileira. Eu gosto muito de usar essa palavra. O jogador tem que sentir a Seleção Brasileira de uma forma diferente, e ele só sente convivendo, ele só sente vivendo o dia a dia da Seleção, e quando se tem um processo vitorioso, a sensação é ainda melhor, e ele carrega isso com muita força dentro do seu dia a dia dentro da Seleção Brasileira.

Sua primeira convocação reúne atletas de diferentes ciclos recentes da base. Qual o principal desafio para dar identidade a essa equipe em pouco tempo?

Essa nova geração 2007, junto com a 2008, que cumprem esse essa idade de ciclo Sub-20 atual para as competições do ano de de 2027, para mim elas se diferenciam a nível de experiência e vivência dentro da Seleção Brasileira. A geração 2007 tem apenas uma convocação dentro de todo todo o ciclo de base, que é um torneio em Portugal disputado no ano de 2024, salvo engano. Já a geração 2008 cumpriu um ciclo de Sul-Americano e Mundial. Já tem muito mais experiência, muito mais vivência dentro da Seleção. E o meu papel aqui é unificar uma mentalidade, uma identidade enquanto Seleção Brasileira. E quando eu digo unificar identidade, é unificar comportamentos.

É óbvio: cada jogador vem de uma escola, cada jogador vem de um clube, jogam de formas diferentes, têm comportamentos de jogo diferentes e aqui a gente precisa unificar todos dentro de uma identidade da Seleção Brasileira.

Eu creio que isso é um ciclo, é um processo, leva tempo. Não adianta eu falar para vocês aqui que do dia para a noite a gente vai apresentar a nossa melhor versão. Não, não é assim, mas sei da responsabilidade que a Seleção Brasileira tem em acelerar esses processos, e procuro através de uma metodologia que passe a ideia com uma velocidade maior, passe os padrões com uma velocidade maior, atingir esse resultado esperado o mais breve possível, a nível de desempenho e também de resultado. Eu acho que na Seleção Brasileira as duas coisas precisam caminhar juntas. O torcedor brasileiro quer ver uma Seleção que jogue para a frente, que envolva o adversário e que também tenha resultado. Então a gente vai trabalhar com muita força para que isso aconteça o mais rápido possível e a gente consiga todos os nossos objetivos dentro da categoria.

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Uma das marcas de Paulo Victor é a habilidade para lapidar jovens talentosCréditos: Staff Images / CBF

Você estreia no comando técnico com um clássico sul-americano contra o Paraguai. Neste primeiro compromisso, a meta é ter um bom futebol e vencer ou o importante é sair com vitórias?

Ah, sem dúvida eu acredito muito no jogo como um instrumento de evolução do jogador. Eu acho que o jogador só melhora jogando. Acho que a gente como Seleção só tem o real parâmetro quando se enfrenta outras seleções da categoria. Foi um pedido que eu fiz para toda a diretoria e fui prontamente atendido e todos corroboram com essa ideia. O Paraguai é um grande adversário, são sempre duelos muito duros. É uma equipe que se defende muito bem, que é muito agressiva, muito competitiva e eu acho que isso nos traz o que é o real cenário da competição.

Isso com certeza potencializa as nossas escolhas, expõe os nossos jogadores ao nível de dificuldade exato do que vamos encontrar na competição, que é o nosso primeiro desafio, o Sul-Americano Sub-20 em janeiro de 2027. E em se tratando de Seleção Brasileira, a gente tem que buscar as duas coisas sempre: desempenho, ver os comportamentos que a gente está trabalhando, associado ao resultado. Isso eu vou cobrar muito dos jogadores, esse compromisso com as vitórias, com as conquistas, sempre com a nossa identidade, com a nossa essência, para que a gente consiga trabalhar com esses dois lados em conjunto.

Por fim, que mensagem você gostaria de passar para o torcedor brasileiro sobre essa nova geração que está começando agora?

Eu acho que de forma geral, me permito passar uma mensagem para o torcedor de expectativa, de patriotismo, de muito apoio a esses jovens. Eu acho que esses jogadores precisam do nosso apoio. A Seleção Brasileira para mim vive um momento diferente, um momento especial, um momento em que a Copa do Mundo se aproxima, e para esses jovens, jogarem com o apoio da torcida dentro do Brasil, agora nesses dois jogos contra o Paraguai, não é algo comum, que acontece sempre.

Então, peço ao torcedor que apoie, que jogue junto com os garotos, que realmente sinta a Seleção Brasileira de perto, porque do nosso lado a gente vai buscar entregar a nossa melhor versão possível, fazer um grande jogo, mostrar a essência do futebol brasileiro, dentro do pouco tempo que a gente teve de trabalho, mas vamos buscar com muita força a nossa identidade e construir uma relação com o torcedor através do que ele vai ver dentro de campo cada vez mais forte.

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