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·3 August 2026

Por uma unha, o Cruzeiro não voltou sorrindo de Chapecó

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O Cruzeiro foi à Arena Condá com um objetivo que nem sempre agrada ao torcedor, mas costuma agradar aos técnicos: voltar vivo para Belo Horizonte. E conseguiu. O empate por 0 a 0 com a Chapecoense, na partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, não foi um espetáculo, mas manteve a decisão exatamente onde Arthur Jorge queria: no Mineirão, diante de uma arquibancada que promete empurrar a Raposa rumo às quartas de final.

Foi um Cruzeiro consciente de que mata-mata também se joga com calculadora. Não se lançou ao ataque de qualquer jeito, não transformou o jogo em trocação e preferiu controlar os riscos. Em alguns momentos pareceu cauteloso demais, é verdade, mas também passou longe de oferecer espaços para a Chapecoense sonhar com uma vantagem.


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Matheus Pereira, o cérebro da equipe celeste, passou boa parte da noite acompanhado. A marcação da Chapecoense era tão próxima que, se ele parasse para tomar um café, provavelmente teria um marcador perguntando se podia adoçar. Sem espaço para pensar, apareceu menos do que de costume. E quando o cérebro do Cruzeiro funciona em marcha lenta, toda a engrenagem da equipe também reduz a velocidade.

Ainda assim, o Cruzeiro criou as melhores oportunidades e chegou ao gol. Kaique Kenji apareceu para completar a jogada e fez a festa dos companheiros. Festa com prazo de validade curtíssimo. O VAR entrou em ação e descobriu que o atacante estava impedido por uma diferença tão pequena que talvez nem a costureira da chuteira conseguisse enxergar. Foi uma unha, um pedaço da ponta do pé, um daqueles impedimentos que fazem o torcedor perguntar se o futebol continua sendo decidido pela bola ou pelos pixels.

O gol foi anulado, o placar voltou ao zero e o Cruzeiro também voltou à sua estratégia inicial: sem desespero, sem aventuras e sem abrir espaços para a Chapecoense acreditar.

Na segunda etapa, Arthur Jorge começou a olhar além da Arena Condá. Sacou Matheus Pereira até de maneira um pouco precoce, justamente quando o Cruzeiro parecia crescer na partida. Depois, também preservou Gerson, pensando na maratona de jogos e na decisão da próxima quarta-feira. A intenção fazia sentido. O problema é que os substitutos, mais uma vez, não conseguiram manter o mesmo nível. Matheus Henrique e Bruno Rodrigues entraram abaixo do esperado, repetindo uma dificuldade que o banco de reservas tem mostrado nas últimas partidas.

Ainda assim, o Cruzeiro administrou bem o resultado. Não sofreu pressão, pouco trabalhou o goleiro Otávio e confirmou um empate que, embora não empolgue, mantém o controle da disputa nas mãos da equipe celeste.

No fim das contas, ninguém saiu exatamente feliz. Mas o Cruzeiro saiu confortável. A decisão da vaga ficou para a próxima quarta-feira, no Mineirão, onde a torcida celeste deve lotar as arquibancadas para transformar o estádio em um aliado na busca pela classificação às quartas de final da Copa do Brasil.

De quebra, a Raposa ampliou sua impressionante sequência longe de Belo Horizonte. Já são dez partidas de invencibilidade como visitante, com cinco vitórias e cinco empates, números que reforçam a consistência de um time que aprendeu a competir também fora de casa.

Agora, a Arena Condá ficou para trás. O que escapou por uma unha em Chapecó pode ser conquistado com os pés no Mineirão. E, diante da sua torcida, o Cruzeiro sabe que a classificação dependerá muito menos dos centímetros e muito mais da bola na rede.

Angel Drumond

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