Profissional com passagens pela base do Corinthians fala sobre mudanças estruturais no departamento e cita talentos vindos do ‘Terrão’ | OneFootball

Profissional com passagens pela base do Corinthians fala sobre mudanças estruturais no departamento e cita talentos vindos do ‘Terrão’ | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Central do Timão

Central do Timão

·3 July 2026

Profissional com passagens pela base do Corinthians fala sobre mudanças estruturais no departamento e cita talentos vindos do ‘Terrão’

Article image:Profissional com passagens pela base do Corinthians fala sobre mudanças estruturais no departamento e cita talentos vindos do ‘Terrão’
  1. Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

Rodrigo Mello, analista que somou duas passagens pelas categorias de base do Corinthians, concedeu uma entrevista ao portal Meu Timão, e detalhou as mudanças estruturais que viu de perto no departamento ao longo dos anos. Formado em Educação Física, deu início à sua trajetória profissional com a intenção de trabalhar no futebol.

Ele teve a primeira oportunidade em 2007, no São Carlos. Lá, atuou como preparador físico e, em seguida, passou a fazer parte da comissão técnica das categorias de base do time do interior de São Paulo. No começo de 2008, a cidade interiorana recebeu o Corinthians para a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, algo que acabaria mudando seus rumos profissionais.


OneFootball Videos


Article image:Profissional com passagens pela base do Corinthians fala sobre mudanças estruturais no departamento e cita talentos vindos do ‘Terrão’

Foto: Arquivo Pessoal

“Entre 2007 e 2008, o Corinthians ficou sediado em São Carlos para a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Lá, eu tive a oportunidade de conhecer a comissão técnica, cujo treinador na época era o Adaílton Ladeira. Nós estreitamos as nossas relações e, logo depois daquela edição — na qual o Corinthians foi campeão contra o Athletico Paranaense —, recebi o convite para trabalhar no clube. Foi aí que comecei a trabalhar nas categorias de base, na equipe do Ladeira”, iniciou.

Ao falar sobre sua chegada ao Parque São Jorge, ressaltou a diferença de realidade em questões estruturais – de investimento tecnológico e preparação física – para proporcionar o desenvolvimento dos jovens jogadores e o quanto isto contribuiu para sua rápida adaptação no Alvinegro. Logo depois, Mello passou a exercer a função de fisiologista da categoria Sub-20.

“Como vim de um clube muito pequeno, estava maravilhado com tudo o que via lá e com os recursos que existiam na Lá havia recursos como o Reflotron, aparelhos de GPS e toda essa estrutura. Para mim, eu estava em um altíssimo nível”, acrescentou.

O analista também relembrou que a integração entre base e profissional do Corinthians naquele período era bem diferente dos dias atuais, já que, à época, a construção do CT Dr. Joaquim Grava estava em andamento, o que, de certa forma, limitava os contatos entre os departamentos.

“Nas categorias de base e no profissional — cujo treinador era o Mano Menezes e onde o Ronaldo jogava —, eles estavam treinando praticamente separados. O Corinthians ainda estava construindo o CT, então havia aquelas histórias de que eles tinham que tomar banho dentro de contêineres. Mas, para ser sincero, nós não tínhamos muito contato. De vez em quando, fazíamos um jogo-treino entre o Sub-20 e a equipe profissional, mas o contato era basicamente esse. Às vezes nós também treinávamos na Fazendinha, mas era raro; o foco deles era mais lá no CT (Joaquim Grava) mesmo.”

Rodrigo Mello ocupou as mais diversas posições na base do Corinthians. Depois de presenciar a mudança de função de Adaílton Ladeira e continuar trabalhando no Sub-20, teve participação em processos de avaliações de atletas – as ‘peneiras’ – antes de assumir efetivamente o cargo de técnico do Sub-11 em janeiro de 2010. No comando da categoria, ficou até junho de 2011 e, lá, teve contato com atletas que hoje fazem sucesso no futebol internacional, como são os casos de Marquinhos, Gustavo Mantuan, Malcom e Gabriel Martinelli.

“Logo em seguida, o Ladeira mudou de função, aí continuei no Sub-20, ajudando também nas avaliações. Depois, tive a oportunidade de trabalhar como treinador na categoria Sub-11. Ali eu conheci vários atletas de grande nível que hoje estão jogando no profissional, por exemplo, o o Gabriel Martinelli, o Marquinhos e o Malcom”, prosseguiu.

Ainda naquele ano, Mello viria a deixar o Corinthians e acabou retornando ao clube em 2017. Na entrevista ao portal, comentou sobre as diferenças em diversos aspectos da primeira passagem em relação à segunda, principalmente em aspectos de metodologia de trabalho, organização, processos formativos, qualificação dos profissionais e nível preparatório dos jovens.

“O que ficou bem nítido logo quando cheguei foi que havia um modelo de jogo bem definido na equipe Sub-20, por onde o Rodrigo Leitão havia passado recentemente. Quanto à estrutura, o CT da base já estava em construção e, embora a parte de hotelaria e concentração não estivesse pronta, nós já treinávamos lá nos campos, que eram de altíssima qualidade.”

“Esse modelo de jogo bem estruturado funcionava tanto no Sub-20 quanto no Sub-17, que foram as categorias em que trabalhei. Os treinadores também estavam em um nível superior ao de outros clubes por onde passei. Deu para perceber que a CBF Academy já estava entrando de cabeça no negócio, formando profissionais, e muitos ali já tinham as licenças da confederação. Havia outro patamar de treinamento, as análises de desempenho eram muito mais elaboradas e os meninos do Sub-17 e do Sub-20 tinham um entendimento de jogo diferenciado. Isso foi o que mais me impactou”, disse.

Ao falar sobre os destaques da base do Timão no período em que trabalhou no clube, afirmou que em alguns casos era difícil prever quem chegaria ao mais alto nível do alto rendimento. Por outro lado, o analista enalteceu que, em alguns casos, já era possível identificar características que tornavam parte deles como ‘diferenciados’.

“Sinceramente, não dava para prever. O Marquinhos, principalmente, foi muito subestimado na base do Corinthians. Tanto é que, quando chegou ao profissional, ficou pouco tempo: logo foi negociado com a Roma e, em seguida, foi direto para o PSG. Naquela época, ele estava no Sub-13 e eu no Sub-11; viajávamos juntos no mesmo ônibus. Como eu também atuava com a fisioterapia, acabava tendo essa aproximação com ele. Mas não dava para esperar o sucesso atual dos dois. Pensar no Marquinhos hoje, jogando sua terceira Copa do Mundo e sendo bicampeão da Champions League, era algo inimaginável.”

“Já o Martinelli, vê-lo jogando no topo hoje não me assusta tanto. Eu não me espanto com o sucesso do Gabriel Martinelli porque, desde o Sub-11, ele já era um ‘inferno’ em campo. Realmente era muito acima da média. Mas com o Marquinhos e o Malcom foi diferente, principalmente com o Marquinhos.”

Além de aspectos técnicos, Mello ainda citou que alguns atletas se destacavam também pela postura e compromisso com os processos de formação visando o futebol profissional, casos do goleiro Matheus Donellli e o volante Roni Moura.

“Um menino que sempre se destacou foi o Roni Moura. Ele ouvia tudo o que lhe era dito com a maior atenção do mundo; quando eu chamava o grupo para conversar, ele estava sempre na linha de frente. Com apenas 10 ou 11 anos, já demonstrava uma mentalidade e uma atitude impressionantes. Além dele, outro jogador muito focado no Sub-20 era o Carlos Augusto, que hoje está na Inter de Milão. Ele também tinha um comportamento diferenciado. Embora eu não tenha trabalhado diretamente com ele, cheguei a fazer algumas análises de desempenho quando ele estava no Sub-15.”

“O goleiro Matheus Donelli foi outro que me marcou. Com 14 ou 15 anos, ele já exibia uma postura e uma maturidade absurdas, totalmente diferentes dos outros garotos da idade dele — parecia a postura de um atleta profissional. Roni, Donelli e Carlos Augusto foram três jogadores que realmente se mostravam diferentes e me chamaram muita atenção pelas suas atitudes desde cedo.”

Por fim, o analista citou o exemplo de Lucas Piton, revelado pelo Timão e desde 2023 no Vasco da Gama, ao relembrar a importância de adaptações táticas durante a formação de um jogador nas categorias inferiores. Ele ainda comentou sobre os desafios e dificuldades na identificação de novos talentos durante o período em que esteve no Sub-11, citando o exemplo de Rodrigo Nestor, meia revelado pelo São Paulo e que hoje joga no Bahia.

“Já na minha segunda passagem, presenciei de perto uma situação no Sub-17 com o Lucas Piton, que hoje está no Vasco. Originalmente, ele era um atacante de beirada. Na ocasião, às vésperas da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o treinador da categoria perdeu um lateral-esquerdo e pediu para o Piton fazer essa função na Copinha. O menino não gostou e ficou muito frustrado na época, mas essa mudança acabou trazendo benefícios enormes. Ele se adaptou e se tornou um jogador importantíssimo, sendo hoje um dos principais nomes do elenco do Vasco da Gama. Foi uma troca emergencial, por necessidade, e não por planejamento, mas que acabou fazendo muito bem para ele.”

“Um jogador que eu lembro que passou pela peneira na minha época, mas com quem acabamos não ficando, foi o Rodrigo Nestor, que atuou no São Paulo. Ele passou por ali e, infelizmente, o processo de avaliação teve falhas e perdemos aquele momento.”

View publisher imprint