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·27 July 2026
Quando a FPF ignora as provas, entra em cena a Polícia Judiciária

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·27 July 2026

O jornal Público avançou com a notícia e o Ministério Público confirmou: o Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, nomeadamente o seu presidente, Luciano Gonçalves, está a ser investigado no âmbito do caso que envolve a saída de Duarte Gomes. Em causa estarão suspeitas relacionadas com nomeações alegadamente feitas à medida de determinados clubes e com o prolongamento da carreira de um árbitro.
Não vamos seguir o exemplo do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, que considerou não existirem elementos relevantes para apurar e afastou as capturas de ecrã que mostrariam o que se passou, alegando que não foram consentidas pela pessoa visada.
Que se investigue tudo o que tiver de ser investigado. Caso os adeptos e clubes como o Benfica tenham razão nas suas queixas, cá estaremos para analisar e comentar aquilo que vier a ser apurado. Para já, a decisão do Conselho de Disciplina envergonha qualquer profissional do desporto e reforça a necessidade de mudanças profundas naquele órgão da FPF.
Luciano Gonçalves apressou-se a emitir um comunicado depois da decisão do Conselho de Disciplina. Talvez tenha agora de rever as suas declarações, porque, apesar de o organismo disciplinar da FPF não ter considerado as capturas de ecrã como prova, a Polícia Judiciária poderá analisá-las no âmbito de uma investigação criminal.
Segundo a opinião de alguns comentadores, nomeadamente na CNN Portugal, o único canal que dedicou espaço significativo ao tema, poderão estar em causa eventuais crimes de tráfico de influência.
O SL Benfica e o FC Porto mostraram-se atentos e pediram medidas urgentes. O Sporting, por sua vez, colocou-se ao lado do presidente do Conselho de Arbitragem, manifestando confiança nas pessoas que dirigem o setor.
Frederico Varandas pediu provas que sustentassem as suspeitas da existência de tráfico de influência na arbitragem. Entretanto, uma denúncia apresentada à Polícia Judiciária terá incluído um conjunto alargado de elementos, que estarão agora a ser analisados pelas autoridades.
Capturas de conversas no WhatsApp, gravações áudio e alegados contactos entre dirigentes de clubes e responsáveis da arbitragem poderão ser investigados pela Polícia Judiciária, perante a suspeita da eventual prática de crimes de tráfico de influência e corrupção.
Desta vez, a investigação não necessita da autorização de Luciano Gonçalves para analisar as capturas de ecrã ou realizar eventuais perícias ao seu telemóvel. Caso os elementos recolhidos sejam considerados suficientemente comprometedores, poderá existir matéria para um procedimento criminal.
A poucos dias do início do campeonato, os clubes deveriam unir-se e exigir o afastamento preventivo de todo o Conselho de Arbitragem, de modo a evitar que permaneçam suspeitas sobre a independência e a credibilidade das futuras nomeações.
A Liga, que suporta os custos relacionados com a arbitragem, deveria, no mínimo, exigir a mesma demissão ou, enquanto o processo não estiver esclarecido, estudar a possibilidade de recorrer a árbitros internacionais, nomeadamente de países vizinhos.
A suspeita vai aumentar e dificilmente haverá confiança nas nomeações que forem realizadas enquanto este caso não estiver devidamente esclarecido.
Uma última nota para o grupo Media Livre. Não houve sequer abertura dos noticiários com este assunto, o caso não mereceu destaque nas capas dos jornais e os seus programas desportivos passaram praticamente ao lado das novidades. É, no mínimo, estranho.
Hoje fala-se de Estrela da Amadora e Moreirense. Mas terão sido apenas os jogos do Estrela da Amadora?
Que se investigue tudo.
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