Zerozero
·7 July 2026
Raio-X à Era Martínez : quem estreou, o que venceu e a comparação com outros selecionadores

In partnership with
Yahoo sportsZerozero
·7 July 2026

Acabou o sonho Mundial e, com isso, a era de Roberto Martínez no comando técnico da seleção nacional. Foram quase três anos e meio à frente da seleção, com aquela que foi considerada, no papel, como uma das melhores gerações de sempre do nosso país. Por isso, chegou a altura de fazer um raio-x à Era Martínez.
O técnico espanhol - o primeiro da história da seleção - de 52 anos assumiu o cargo em 2023, sucedendo a Fernando Santos, depois do Mundial 2022, no Catar. Chegava com o objetivo de rejuvenescer o cargo, trazer novas ideias e até melhorar a ligação comunicacional de selecionador para fora - algo que, numa primeira instância, conseguiu.
De resto, Roberto Martínez começou por encantar os portugueses pela simpatia e pelo esforço que fez em falar logo português - pelo menos à sua maneira -, inclusive cantando o hino nacional. Mas e a nível desportivo?
Arrancou com a qualificação para o Euro 2024, conseguindo 11 vitórias seguidas - incluindo um 9-0 com o Luxemburgo, a maior vitória da sua era -, algo inédito na nossa história. Contudo, há que ter sempre em conta o peso dos adversários - Islândia, Liechtenstein, Bósnia e Herzegovina, Luxemburgo e Eslováquia.
A partir daí, foi mais a doer. Comandou Portugal num Campeonato da Europa, onde se ficou pelos quartos de final, perdendo com França no desempate por grandes penalidades (0-0), uma Liga das Nações, conquistada ante a rival Espanha, também no desempate por grandes penalidades (2-2), e num Mundial, este de 2026, onde caiu nos oitavos de final, claro está, ante Espanha (0-1).
No total, foram 45 jogos, um título, 30 vitórias, nove empates e seis derrotas. Venceu 66,7 por cento dos jogos no comando da seleção, com direito a 110 golos marcados e 36 golos sofridos.
A nível de derrotas, foram poucas (seis) e, salvo desempates por grandes penalidades, até aconteceram contra as seleções afastadas do lote das maiores Mundiais. As maiores foram contra a Eslovénia (2-0), Geórgia (2-0) e República da Irlanda (2-0).
Cedo se percebeu que uma das maiores semelhanças entre Roberto Martínez e o seu antecessor, Fernando Santos, era a existência de um evidente núcleo forte da Seleção, que não permitia grandes revoluções nas convocatórias ou enormes surpresas. Os números provam-no.
Não há grandes surpresas entre os maiores escudeiros de Martínez na sua Era na seleção. Bruno Fernandes (41) foi o mais utilizado, seguido de Cristiano Ronaldo (37), Rúben Dias (36), Diogo Costa (36), Bernardo Silva (35) e Vitinha (35). Ronaldo foi o melhor marcador, com 28 dos 110 golos que a seleção marcou sob o comando do técnico espanhol.
Relativamente a estreias na seleção, Roberto Martínez promoveu um total 15 jogadores. Foram eles Mateus Fernandes, João Mário, Carlos Forbs, Tiago Djaló, Samú Costa, Toti Gomes, Ricardo Velho, Jota Silva, Nuno Tavares, Tomás Araújo, José Sá, Renato Veiga, Francisco Conceição, Gonçalo Inácio e João Neves (o mais utilizado dos 13). Chegou ainda a chamar Geovany Quenda e Rodrigo Mora, mas nunca os chegou a estrear - e assim continuam ao dia de escrita.
Findada uma Era na seleção, acaba por ser incontornável comparar o que foi feito por Roberto Martínez com os seus antecessores. Vamos a números.
Para começar, deixa o cargo como o 5º selecionador da história com mais jogos à frente da seleção, ultrapassado apenas por Paulo Bento (47), Carlos Queiroz (49), Scolari (74) e Fernando Santos (109).
Aliado a isso, é o 3º selecionador com mais vitórias (30), apenas atrás de Scolari (42) e Fernando Santos (67). Contudo, consegue o feito de deixar o cargo como o selecionador, a par de Humberto Coelho (comandou apenas 24 jogos) com melhor percentagem de vitórias (66,7 por cento) no comando da seleção, superando nomes como Otto Glória (64,3), Fernando Santos (61,5), José Augusto (60 por cento), António Oliveira (59,1) e Scolari (56,8).
A nível de golos, é o 3º selecionador com melhor registo de golos marcados pela sua equipa (110), apenas atrás de Scolari (144) e Fernando Santos (226). Tem mesmo a melhor média de golos marcados por jogo (2,44) - para tal, muito ajudou resultados como o 9-0 com o Luxemburgo e 9-1 com a Arménia.
Por outro lado, é apenas o 6º com melhor média de golos sofridos por jogo (0,8), superado por Laurindo Grijó (0,75, em apenas quatro jogos), Fernando Santos (0,74), Humberto Coelho (0,67), Carlos Queiroz (0,55) e Artur Jorge (0,52) - demonstrando as debilidades defensivas que sempre foram apontadas.
Os números colocam, assim, Roberto Martínez entre os melhores da história de Portugal, ainda para mais com um dos únicos títulos da história lusa. No entanto, o que mancha essa imagem estatística - curiosamente algo que o técnico espanhol sempre se agarrou muito no seu discurso -, é mesmo o baixo nível exibicional da equipa, especialmente na maioria dos jogos de maior relevo.
É o fim da Era Martínez.
Live







































