Relação obscura com o Vasco, pressão sobre árbitros e contradições em discursos: Palmeiras acumula capítulos controversos nos bastidores | OneFootball

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Coluna do Fla

·13 May 2026

Relação obscura com o Vasco, pressão sobre árbitros e contradições em discursos: Palmeiras acumula capítulos controversos nos bastidores

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Atual vice-campeão do Brasileirão, Palmeiras tenta ganhar título com movimentações também fora das quatro linhas


É incontestável o sucesso esportivo do Palmeiras nos últimos 10 anos. De 2016 para cá, o time conquistou quatro Brasileirões, duas Libertadores e uma Copa do Brasil. Porém, os êxitos em campo vêm atrelados também a uma série de ações questionáveis fora das quatro linhas.

Essas movimentações, aliás, parecem ter ganhado mais força após o ano de 2025, no qual o time alviverde foi vice-campeão da Libertadores e também do Brasileirão, principais competições do calendário nacional.


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Relação obscura com o Vasco

Apesar de ser um clube associativo, o Palmeiras tem no comando uma figura com poderes aparentemente bem centralizados: a presidente Leila Pereira. Não por mera coincidência, Leila é também quem comanda a Crefisa, uma das principais patrocinadoras do Palmeiras na última década.

E foi neste cenário que, com as identidades de Palmeiras e Crefisa praticamente se confundindo, por conta do poder de Leila Pereira em ambos, que a instituição financeira se envolveu com o Vasco.

À priori, a negociação parecia simples: um empréstimo a um clube que precisava de liquidez para lidar com as demandas financeiras. No entanto, alguns termos do acordo inicial poderiam indicar tanto conflito de interesses, que os envolvidos foram obrigados a mudar as cláusulas.

Inicialmente, a Crefisa emprestaria R$ 80 milhões ao Vasco. Como garantia financeira, o clube deixaria 20% das ações ligadas à SAF. E é aí que começa o problema, justamente porque, passando a ter tal fatia, a Crefisa – que é comandada pela presidente do Palmeiras – teria poder de veto na SAF do Vasco.

Ou seja, Leila Pereira, através de sua empresa, exerceria poder político em um adversário no Campeonato Brasileiro. Essa situação se enquadra na Lei Geral dos Esportes (Lei nº 14.597/2023), que  proíbe que a mesma pessoa física ou jurídica (grupo econômico) controle ou tenha participação acionária em duas ou mais equipes profissionais que disputem a mesma competição.

O assunto, aliás, foi abordado pelo advogado Pedro Henrique Zaithammer, do escritório Suttile&Vaciski, no Estadão.

Quando um clube passa a depender financeiramente de uma empresa ligada a um concorrente direto nas competições, instala-se um campo permanente de desconfiança, ainda que não exista interferência prática O esporte vive de credibilidade, e qualquer movimento que sugira dependência ou favorecimento abala a percepção de equilíbrio competitivo. Se o futebol brasileiro não estabelecer parâmetros claros para esse tipo de operação, corremos o risco de naturalizar relações econômicas cruzadas que fragilizam a integridade das competições.

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Pedrinho entregando camisa do Vasco a Leila Pereira


Acordo teve mudança após pressão

Somente depois de lupas serem lançadas ao possível conflito de interesses, Crefisa e Vasco decidiram mudar o acordo. O principal termo de mudança foi na porcentagem da SAF: 10%, ao invés de 20%. Vale destacar, porém, que as partes solicitaram o envio do contrato em envelope lacrado e sob segredo de justiça.

Com esta manobra, Palmeiras, Vasco e Crefisa se resguardaram juridicamente para não caírem na proibição da Lei Geral dos Esportes. Contudo, nos bastidores, ficou evidente uma relação próxima entre as três partes. Desta forma, mantém-se presente a preocupação levantada por Zhaittamer.

Pressão sob arbitragem

Com Abel Ferreira à frente das narrativas, o Palmeiras tem uma postura sempre combativa às decisões de arbitragem que não lhe favorecem. O tom do discurso não aparenta cobrança por uma arbitragem equilibrada e que adote a isonomia. Ao invés disso, a reclamação parece buscar benefício próprio, mesmo que a marcação não seja a correta.

Desse modo, o critério para reclamação aparentemente deixa de ser o profissional e passa a ser o mesmo do torcedor, o que poderia ocasionar uma simples confusão levado ao emocional, se a posição técnico não fosse relevante ao ponto de criar pressões externas aos árbitros em face da reiterada narrativa criada.

Neste sentido, um dos casos de maior repercussão é o do jogo entre Palmeiras e São Paulo, no segundo turno do Brasileirão 2025. Na ocasião, a arbitragem sonegou um pênalti para a equipe tricolor e, além disso, ignorou também ignorou um possível cartão vermelho que deveria ser dado a Andreas Pereira. Com claro benefício, o time alviverde venceu por 3 a 2, e o técnico Abel Ferreira minimizou as decisões incorretas da arbitragem.

– Sobre o lance (do pênalti), vou dar o meu ponto de visto. Se, por qualquer motivo, no momento que o Allan escorrega, a bola estivesse sendo disputada pelo jogador do São Paulo, eu gostaria que fosse pênalti. Mas eu não tenho as leis. O Allan escorrega e depois toca no adversário. Se me lembro bem, a bola está longe. Portanto, foi sem querer. Se o jogador do São Paulo tivesse a oportunidade de disputar a bola, na minha opinião, era um pênalti.

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Pênalti não marcado por Ramon Abatti Abel incomodou rivais. Mas para o Palmeiras, a situação foi ‘normal’

Tom brando e discurso de Abel Ferreira mudaram quando o Palmeiras se sentiu prejudicado

Se antes Abel parecia complacente com possíveis erros da arbitragem, indicando-os como ‘olhares diferentes’, bastou ter marcações desfavoráveis ao Palmeiras para mostrar revolta.

Não vivo de “ses”. Se o pênalti fosse marcado, o jogo tinha ficado 3 a 3 ou 4 a 3, mas depois deste pênalti muita coisa mudou. Nomeadamente o árbitro desta competição ficou pendurado, será que outros árbitros não ficaram com medo?

De apitar, por exemplo, o pênalti no Maracanã (em Gómez no início de Flamengo x Palmeiras). Há diferença a bola que bate no jogador do Vitória e nem ao VAR foi ver. Será que os árbitros não ficaram todos com medo que a CBF os castigasse e o STJD ainda desse mais dias de castigo, o que nunca tinha visto em cinco anos de Brasil?

As declarações contrárias à arbitragem não pararam por aí. O treinador chegou a desmerecer os títulos do Flamengo no Brasileirão e na Libertadores, sem reconhecer os méritos desportivos do adversário. Ao invés disso, o técnico português decidiu declarar que as conquistas rubro-negras tinham “asteriscos”.

“Independentemente das incidências que houve no jogo, há um asterisco no jogo. Cicatrizes ficam, é natural que um ou outro jogador ainda esteja a sangrar, mas sabemos que essa equipe é capaz de se reinventar”. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Flamengo | Coluna do Fla (@colunadofla) A falta de critério em narrativas

As contradições de Abel Ferreira são evidentes a qualquer pessoa que acompanhe o futebol nacional. Contudo, a dúbia narrativa do treinador aparenta ser uma ação totalmente orquestrada com a diretoria. Afinal, a presidente Leila Pereira também adere a narrativa do discurso ou da atitude de acordo com o que se apresenta como benéfico ao Palmeiras.

Saída da Libra escancara busca de Leila por benefícios ao Palmeiras, em troca do bem comum

Uma recente situação, ocorrida em abril de 2026, é a saída do clube alviverde da Libra. Isso porque, o Palmeiras decidiu deixar a liga após discordar de termos do contrato assinado para divisão de verbas da TV até o ano de 2029.

Contudo, em outubro 2025, quando o Flamengo se manifestou contrário a possíveis definições da Libra, Leila Pereira usou de deboche e provocação para criticar o Rubro-Negro.

A minha sugestão seria nós criarmos uma outra liga e excluir o Flamengo. Nenhum clube é maior que o futebol brasileiro. O Palmeiras não joga sozinho, o Flamengo não joga sozinho […] Eu acho muito difícil gestores com essa mentalidade, isso não engrandece em absolutamente nada o futebol brasileiro -, disse Leila Pereira ao Esporte Record.

A mandatária do Palmeiras reforçou que o bloco existia justamente para discutir acordos que seriam melhores para vários clubes, e não somente para um. Desta forma, ela deu a entender que pensava no bem comum das equipes. Entretanto, quando houve novo acordo, com anuência de todos os clubes, mas fora dos termos considerados ideais para o Palmeiras, o clube se retirou da liga. 

Assim, uma possível conclusão é que se chega é: o Palmeiras, aparentemente, não briga por um futebol de alto nível e decidido entre as quatro linhas, mas sim por um sistema que lhe favoreça, mesmo que isso custe a isonomia das competições.

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