Zerozero
·12 March 2026
Será Vonic o primeiro com nacionalidade alemã a jogar na equipa A do FC Porto?: «Faz-me lembrar o Thomas Müller»

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·12 March 2026

O primeiro escalão do futebol português já foi brindado com jogadores alemães ao longo da sua recheada história. O Sporting, por exemplo, contou nas suas fileiras com Timo Hildebrand, guardião que fez apenas três aparições oficiais pelo emblema leonino.
Já o Benfica 'abriu as portas' para mais casos: Julian Weigl, Robert Enke, Luca Waldschmidt, Jan-Niklas Beste, Julian Draxler, Hans-Jörg Butt e Hany Mukhtar. Contudo, o FC Porto foge a esta tendência: nenhum jogador com nacionalidade germânica vestiu a camisola da equipa principal dos dragões.
Como tal, o zerozero foi em busca de atletas que estiveram «na calha» para fazer história na 'Enciclopédia Azul e Branca' e analisou ainda as chances de Leonardo Vonic, avançado titular da equipa B, tendo estado à conversa com intervenientes que o conhecem bastante bem.
O primeiro jogador com passaporte alemão a ter vislumbres da dimensão portista dentro de portas foi... Sérgio Pinto. Oriundo de Vila Nova de Gaia, o antigo médio jogou, somente, na academia do clube, mais precisamente nos sub-13.
Posteriormente, seguiu para a formação do Schalke 04, em 1995. O ex-Fortuna Düsseldorf fez a vasta maioria do percurso em solo germânico e foi durante a larga passagem no estrangeiro que completou o processo de naturalização.
Entre os postes, o FC Porto contou com Tiago Estêvão, nome que certamente passa despercebido a muitos adeptos. Nascido na Alemanha, o guardião de 23 anos seguiu para o Olival em 2019, após um período de desenvolvimento no Borussia M'gladbach.
Sem muitas oportunidades nos escalões de formação, o jovem guarda-redes acabou por regressar ao país de origem, através da 'escolinha' do Bayer Leverkusen. Atualmente, atua na segunda divisão do futebol austríaco, sendo opção regular no SKU Amstetten.
Todavia, a figura mais sonante contava com 'bagagem' de Arsenal. Leander Siemann deu a grande maioria dos seus passos na academia dos gunners, dos 16 aos 18 anos, tendo atuado ao lado de Jack Wilshere e Héctor Bellerín. Sem espaço no competitivo núcleo profissional inglês, o defesa rumou ao FSV Optik Rathenow, mas foi rapidamente detetado pelo scouting dos dragões.
Dono da camisola '53', o defesa estreou-se pela equipa B na derrota caseira frente à UD Oliverense (1-3), na jornada inaugural da II Liga. Sob as orientações de Luís Castro, o lateral direito realizou mais quatro partidas pelo clube, antes de ver a carreira desmoronar-se por uma atitude reprovável: foi supenso por um ano pelo Conselho de Disciplina da FPF, na sequência da reprovação no controlo antidoping.
Siemann voltou aos relvados na época 2016/17, ao serviço do FC Köln B, mas nunca teve a chance de somar minutos pelo conjunto principal. A sua carreira acabou por desvanecer nas divisões inferiores da Alemanha, até à last dance em 2020/21, por um emblema da 3. Liga: o SC Verl. Longe dos holofotes, longe da oportunidade no Dragão, longe de entrar na rica história do FC Porto.
Mas calma, o antídoto para a poção 'anti-germânica' poderá estar prestes a ser descoberto.
Na equipa secundária do FC Porto, 'habita' um ponta de lança germano-croata (tem internacionalizações pelas seleções jovens de ambos os países), certamente desejoso para entrar no leque de opções de Francesco Farioli. Leonardo Vonic chegou à Invicta em janeiro de 2025, proveniente do Rot-Weiss Essen, e rapidamente deixou a sua marca na II Liga.
Com um golo na estreia frente ao CD Tondela e um bis diante do Académico na partida que se sucedeu, os simpatizantes portistas ficaram impressionados com o faro goleador do camisola '79'. Em declarações ao zerozero, Christoph Dabrowski, antigo treinador do avançado na terceira divisão alemã, enalteceu o sentido de baliza do ex-pupilo.
«O Leo tem ótimas capacidades de finalização e um tremendo 'olho' para o golo. Movimenta-se bastante bem na grande área adversária. É algo instintivo para ele. Eu sabia que podia contar com o Vonic para mexer com o marcador, devido à grande confiança que ele tem nas suas próprias capacidades», referiu o atual técnico do FC Erzgebirge Aue, numa primeira instância.
Todavia, Dabrowski teve de ajudar o atleta de 22 anos a tornar-se um profissional mais completo, 'limando' algumas das arestas do seu jogo:
«Comigo, ele melhorou defensivamente e na forma de jogar sem bola. Para além disso, tornou-se um jogador mais intenso e desenvolveu a aptidão de resistir a ambientes mais pesados, com uma carga emocional superior. É algo cada vez mais importante no futebol.»
Marcus Steegmann, diretor desportivo do Rot-Weiss Essen, foi o grande responsável por levar Vonic para o clube. O dirigente referiu que as características do ponta de lança evocam a memória de um emblemático atleta da Mannschaft: «As movimentações do Leo na área e a forma como ele finaliza em curtas distâncias fazem-me lembrar um pouco o Thomas Müller. Se forem analisar a forma como interpretam os diferentes momentos do jogo, vão encontrar semelhanças.»
Questionado sobre o que o levou a avançar pelo avançado, Steegmann foi perentório: «Quando fui assistir o FC Nürnberg B, o que rapidamente me cativou na forma do Vonic jogar foi a sua versatilidade. Ele demonstrou ter excelentes capacidades técnicas, uma velocidade interessante e bastante mobilidade. Contudo, o que mais me impressionou foi o seu posicionamento, a habilidade de aparecer em zonas vantajosas para armar o remate.»
O relatório acabou por ir ao encontro do rendimento do 'matador': os 14 golos apontados, em 53 aparições pelo conjunto de Essen chamaram a atenção natural de emblemas de maior expressão: «Não foi só o FC Porto que mostrou interesse no Leo, houve outras equipas que o acompanharam de perto. Quando um jogador novo marca tantos golos por um clube onde a pressão é grande, é normal que as propostas lhe caiam no colo», confessou ainda o diretor desportivo.
Leonardo Vonic terminou a temporada transata com sete finalizações certeiras em apenas 12 partidas disputadas. No seguimento de um arranque em falso na presente época, o ponta de lança voltou a 'fazer as pazes' com as boas exibições, tendo rubricado o seu nome na lista dos marcadores por quatro vezes nos últimos seis compromissos coletivos.
Com as ausências de Samu e Luuk de Jong até ao final da campanha, brota a questão, 'terá Vonic o que é necessário para dar o salto para a equipa A?': «O FC Porto é um dos maiores clubes na Europa e, como tal, entrar nas escolhas é uma tarefa complicada. Contudo, eu acredito que o Leo tem possibilidade de somar minutos», assegurou Steegmann, não escondendo a confiança.









































