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·20 February 2026

Stabile decide não afastar diretor do Corinthians citado em investigação do MP

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Por Tiago Salazar

Osmar Stabile, atual presidente do Corinthians, decidiu não afastar, por ora, o diretor jurídico Pedro Luis Soares, citado na investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O órgão apura possíveis irregularidades financeiras, por meio de notas frias, que teriam sido emitidas durante a gestão do ex-presidente Duilio Monteiro Alves, entre 2021 a 2023.


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A Gazeta Esportiva revelou, mais cedo nesta sexta-feira, que o nome do diretor jurídico Pedro Luis Soares é citado como contador de uma das empresas que estão sendo investigadas por terem, eventualmente, emitido notas frias na administração de Duilio Monteiro Alves.

Osmar Stabile tomou conhecimento das informações por meio da reportagem e se reuniu com Pedro Soares nesta sexta-feira, mas decidiu não afastar o advogado do cargo neste momento.

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(Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

O entendimento da alta cúpula alvinegra é de que o diretor jurídico não cometeu nenhuma irregularidade dentro do que lhe competia como contador da empresa citada nas apurações.

O posicionamento de Stabile, porém, não é definitivo. Caso as investigações avancem e o MP-SP constate um possível envolvimento de Pedro Soares nas irregularidades, o diretor jurídico pode ser afastado do cargo pelo presidente.

Entenda o caso

Pedro Luis Soares consta como contador da empresa de nome “Centro Automotivo Skapneu LTDA”, que aparece na lista do MP-SP. A companhia, cuja situação cadastral está ativa, é investigada pelas autoridades por ter emitido notas, possivelmente frias, para justificar gastos irregulares no Corinthians durante a gestão Duilio, segundo apurou a Gazeta Esportiva.

De acordo com os documentos, a empresa é uma oficina mecânica ativa desde 2005, com sede na Avenida Itaquera, Zona Leste de São Paulo. Como contador registrado, aparece Pedro Luis Soares, diretor jurídico do Corinthians e que também tem formação em ciências contábeis. Ele assumiu o cargo em setembro do ano passado, poucos dias após a eleição de Osmar Stabile.

Como diretor jurídico do clube, Pedro Soares é quem está em contato direto com o MP-SP para entender as requisições do órgão nas mais diversas apurações que vêm sendo conduzidas sobre os ex-presidentes Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo. Ele é o advogado que representa o Corinthians no diálogo com as autoridades em muitos casos.

Em nota enviada à reportagem, Pedro Soares deixou claro que não exerceu nenhuma função diretiva ou em comissões internas durante a gestão Duilio.

Quem é Pedro Soares?

Pedro Luis Soares é personagem importante nos bastidores do Corinthians e no xadrez político do Parque São Jorge. Antes de chegar ao cargo na diretoria jurídica, o advogado era secretário do Conselho de Orientação (Cori) do Timão após ter sido eleito para tal função.

O diretor jurídico foi um dos nove conselheiros que se posicionou a favor da apuração interna sobre o uso do cartão corporativo do clube, por parte do ex-presidente Andrés Sanchez durante o triênio 2018-2020, para supostos gastos pessoais.

Pedro Soares também chegou a ser sondado para uma possível candidatura à presidência do clube recentemente. Ele assumiu a diretoria jurídica em setembro de 2025 após a saída de Leonardo Pantaleão, que se tornou vice-presidente do Conselho Deliberativo e, consequentemente, presidente da Comissão de Ética e Disciplina.

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Pedro Luis Soares, atual diretor jurídico do Corinthians (Foto: Arquivo pessoal)

Investigação do MP-SP

Em janeiro de 2026, a Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para investigar um possível desvio de dinheiro e uso de notas fiscais frias durante a última gestão de Duilio Monteiro Alves.

Um suposto relatório de despesas da presidência do Corinthians mostrou que o clube teria bancado gastos pessoais durante o mandato de Duilio. O documento mostra que, entre os dias 26 de setembro e 31 de outubro de 2023, foram realizadas 176 compras, totalizando R$ 86.524,62.

Entre essas possíveis despesas estão: cerveja, cigarro e até Tadalafila, remédio para disfunção erétil. As compras, porém, não teriam sido necessariamente realizadas por Duilio. O ex-presidente não reconheceu as faturas e, na ocasião, registrou uma notícia-crime na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade).

Nos últimos dias, o MP-SP ampliou as apurações e inseriu novos personagens na condição de investigados, como Roberto Gavioli, gerente financeiro afastado do Corinthians que trabalhou com Andrés Sanchez, e Wesley Melo, diretor financeiro de Duilio. O órgão ainda indicou supostos adiantamentos que somam um total de R$ 1.278.798,10. Tal valor teria sido liberado, durante a administração de Duilio, sem nenhum tipo de documentação que justificasse as despesas como sendo do clube.

Duilio Monteiro Alves, vale lembrar, ainda é alvo de outra investigação do Ministério Público. Ele foi denunciado por apropriação indébita pelo possível uso indevido de cartões corporativos do Corinthians. O mesmo aconteceu com o ex-presidente Andrés Sanchez. As faturas dos cartões da gestão Augusto Melo, mandatário destituído no ano passado, também devem ser apuradas.

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