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·7 June 2026

Tamires relembra chegada ao Corinthians em 2019 e fala sobre sua representatividade no futebol feminino

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  1. Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

A lateral-esquerda do Corinthians, Tamires, concedeu uma entrevista exclusiva à Rádio Coringão e relembrou a repercussão entre os fãs de futebol feminino quando anunciou que iria se transferir para o clube do Parque São Jorge durante sua participação em um programa da jornalista Fátima Bernardes, na Rede Globo, em 2019. Em sua fala, não deixou de exaltar a torcida corinthiana.

“Olha, é diferente a torcida do Corinthians, porque o quanto eles tratam a gente com carinho, que vão nos jogos, o quanto eles apoiaram e acreditaram no projeto desde o início. E desde 2019, quando eu cheguei, já foi um anúncio um pouco diferente, porque acabei tendo uma ida na Fátima Bernardes, quando a Fátima Bernardes tinha o programa dela, que foi logo depois da Copa do Mundo em 2019, que também foi um ‘boom’ muito grande do futebol feminino no Brasil, uma virada de chave muito grande. E aí quando eu anunciei que eu ia vir para o Corinthians na Fátima Bernardes, foi um engajamento muito legal.”


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Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Ela ressaltou que, a partir daquele momento, as pessoas procuraram saber um pouco mais de sua história de vida e ganhou o apelido de ‘Mãe da Fiel’. Quando era mais nova, precisou parar de jogar futebol por conta da gravidez: A galera começou a saber mais sobre mim, começou a saber que eu era mãe também, aí pegou o ‘Mãe da Fiel’, e toda essa construção com o departamento de futebol feminino do Corinthians, sempre querendo quebrar recordes, querendo fazer história atrás de história.”

“E isso marcou muito a minha trajetória aqui. Eu acho que esse também é um dos motivos do carinho da torcida comigo, dessa questão da entrega dentro de campo que todos veem, enquanto eu me dedico pelo clube, fora dele também sempre falando super bem do Corinthians. Porque a gente é super bem tratada aqui, então acho que é todo um conjunto que faz com que o Corinthians seja essa potência também no futebol feminino”, continuou.

Em quase sete anos de Corinthians, são 37 gols e 55 assistências em 225 jogos (187 como titular), sendo 173 vitórias, 34 empates e 18 derrotas – 81,39% de aproveitamento. Além disso, conquistou 17 títulos entre Campeonato Brasileiro, Paulistão, Libertadores, Supercopa e Copa Paulista. Posteriormente, a experiente atleta falou sobre sua representatividade na modalidade e o quanto esse status contribuiu para que as mulheres ganhassem cada vez mais espaço no futebol feminino.

“Com certeza, eu acho que você falou muito bem sobre essa questão de como eu comecei a jogar futebol. A gente não tinha nada e hoje a gente ver essa evolução acontecer, a gente tem que sim valorizar o nosso trabalho aqui, então eu honro a camisa do Corinthians com sangue no olho o tempo inteiro, mas eu também sei valorizar o quanto as outras atletas estão também trabalhando para que elas consigam também ter uma boa estrutura de trabalho, consigam chegar e realizar o sonho delas. Então, isso já vem desde lá de trás, a gente sempre teve que batalhar muito para a gente conquistar os nossos objetivos e a valorização, reconhecimento, e quando hoje a gente tem essas pessoas, essas mulheres trabalhando coletivamente em prol do crescimento do futebol feminino é muito importante.”

“Então, eu não deixo de exaltar isso por uma questão de resultado de jogo, acho que todo mundo trabalha, eu vou honrar a minha camisa, todo mundo que vai honrar a sua camisa. Fora de campo, nós somos mulheres que tentam buscar o melhor para todas, para todas, para as meninas que estão vindo, para inspirando gerações e isso também acho que faz parte muito do que eu acredito. Eu quero deixar um legado no futebol feminino, eu quero que as pessoas olhem, as meninas que estão vindo olhem para trás e falam, meu, nós conseguimos conquistar tudo isso porque as atletas ficaram juntas, então a gente tem que continuar unidas. Eu acho que isso é muito importante porque a gente ainda está no processo de evolução”, acrescentou.

Em seguida, foi questionada sobre como projeta a competitividade do futebol feminino ao longo dos próximos anos. Nas últimas temporadas, além do Corinthians, referência no departamento da modalidade, equipes como São Paulo, Palmeiras e Cruzeiro vem investindo cada vez mais no setor para, quem sabe, brigar com o Timão pelos principais títulos.

Eu acredito sim, que a tendência agora é ser muito mais igual e muito mais competitivo. Mas eu acho que é importante às vezes para as pessoas que não conhecem muito a história do futebol feminino e como ela veio, sempre foi muito pautada em clubes que tiveram muitos anos ganhando campeonatos. Por exemplo, foi o São José, não sei se você acompanhou a era do São José, Botucatu, depois veio o Centro Olímpico também, depois o Corinthians. Esses clubes puxaram muito a fila e o Corinthians, por anos sendo campeão, fez com que outros clubes olhassem para isso e falassem que também precisavam investir, que também precisavam estruturar nossas equipes. Atletas jogando fora do Brasil querendo voltar para o Brasil também, porque estavam vendo que os campeonatos estavam sendo mais competitivos.”

Logo depois, acrescentou ao raciocínio comparando os trabalhos de Arthur Elias, Lucas Piccinato e Emily Lima no comando das Brabas. O primeiro esteve à frente do Alvinegro entre 2016 e 2023, quando deixou o cargo para assumir a Seleção Brasileira Feminina. No começo de 2024, Piccinato chegou para substituí-lo e esteve no cargo até fevereiro deste ano, quando acabou sendo demitido para a chegada de Emily dias depois.

A comissão do Arthur tem um papel fundamental para essa construção, porque ele também veio de lá de trás roendo osso para que tudo acontecesse hoje e ele entrega um Corinthians muito bem estruturado para o Lucas. Se você for olhar os números do Lucas são números positivos, é que talvez a torcida tenha acostumado ao Corinthians ganhar todos os campeonatos, então acabou ficando de gente cada cada treinador cada comissão técnica tem um jeito de trabalhar.”

Hoje a gente tá com a Emily ela também tem um jeito de trabalhar dela. Eu, como Tamires, pessoa, nunca gostei de comparar trabalhos eu sempre acreditei na comissão que estava ali trabalhando comigo. E eu passei por muitas comissões ao longo da minha carreira. Então, o que eu entendo como atleta e como profissional é que a gente tem que confiar no trabalho que tá sendo proposto e fazer se a gente acredita se a gente propõe a fazer as coisas acontecerem. Eu acho que isso é o mais importante, mas o torcedor, ele está ali para torcer, para vibrar, para criticar, para fazer o que ele se sente confortável e a gente como profissional tem que estar aqui pronta para trabalhar.”

Por fim, respondeu sobre até quando pretende jogar futebol e ressaltou a sua relação com Emily Lima, com quem vem sendo constantemente elogiada pelos números apresentados no GPS, que mede a quilometragem percorrida por jogo, além de outros aspectos físicos.

Olha, eu pretendo ir aí um pouco mais nos dois anos, talvez mais, mas vamos ver como vai ser. Acredito que antes disso não vou parar, mas já tô pensando também no pós-carreira, que eu acho que é importante. Os (As) atletas mesmo em atividade é importante pensar também no pós-carreira, se preparar, estudar, aproveitar as oportunidades, porque a vida do atleta realmente passa muito rápido e quando a gente se der conta disso já vai ter ido a oportunidade. Eu fiquei muito feliz que a Emily me elogiou, porque a gente trabalha muito aqui pra que isso aconteça aos 38 anos. Não é fácil se manter numa boa condição física, sem do lateral, que é mais difícil ainda. E teve a questão da minha lesão também que foi uma lesão de sindesmose e é uma lesão muito séria.”

Ela prosseguiu: “Então não é fácil voltar a alta performance assim de um dia para o outro e talvez quando a gente pensa numa lesão a gente pensa assim: ‘ah, são quatro meses, no quinto mês a atleta já vai estar voando e o meu eram seis meses, mas aí acabou sendo um pouquinho mais ali de tempo e para recuperar totalmente vai um tempo para a questão de fisiológica e tudo mais. Graças a Deus hoje eu tô conseguindo recuperar meus números, voltar a Tamires que eu era antes e a Emily tem me dado essa confiança, isso tem sido muito positivo para mim, assim como ela dá confiança para todas as atletas também. É continuar porque eu quero encerrar aqui né, deixando o Corinthians bem, deixando o Corinthians com títulos e que no pós-carreira isso também seja algo bom assim, positivo para mim nesse sentido”, finalizou.

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