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·9 July 2026

Técnico do Sub-17 do Corinthians analisa vitória no Derby pelo Brasileirão e detalha mudanças na escalação

Article image:Técnico do Sub-17 do Corinthians analisa vitória no Derby pelo Brasileirão e detalha mudanças na escalação
  1. Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

Na tarde da última terça-feira (7), o Corinthians recebeu o Palmeiras, no Estádio Alfredo Schürig, Fazendinha, em confronto válido pela sétima rodada da primeira fase de classificação do Campeonato Brasileiro Sub-17, e bateu o rival por 3 x 1. Os gols do Timãozinho foram anotados por Matheus Rocha (duas vezes) e Lucca Caramico. O resultado fez com que os Filhos do Terrão chegassem aos 13 pontos – quatro vitórias, um empate e duas derrotas – 20 gols marcados e sete sofridos.

Minutos depois do apito final, o técnico do Sub-17 do Corinthians, Guilherme Nascimento, contratado no final do ano passado após trabalho de destaque no Athletico-PR, concedeu entrevista à imprensa na zona mista e fez uma análise do triunfo no Derby pela categoria. O comandante valorizou a qualidade do adversário, que até então tinha 100% de aproveitamento no torneio, e exaltou o nível de competitividade do Timãozinho no clássico.


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Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Foi um jogo especial a nível de competitividade. O preparo para o jogo foi muito pensando que a gente desenvolver a nossa vertente a nível competitivo. O nosso jogo com bola está bem, quem acompanhou os últimos jogos entende que a gente está em um nível legal, avançando em relação a isso. Mas a gente precisava competir um pouco mais para disputar esse perfil de jogo. Além de ser um clássico, é uma equipe que estava com 100% de aproveitamento na competição, já tento enfrentado os últimos finalistas da Copa do Brasil Sub-17 e vencido eles. É um desafio técnico muito grande, a gente conseguiu responder a esse desafio com muita competitividade. Como o jogo se igualou nesse sentido, a gente foi até melhor, a nossa boa parte técnica se fez presente e conseguimos concluir as oportunidades que a gente teve com bastante qualidade“, iniciou.

Somando Campeonato Paulista e Brasileirão, Guilherme Nascimento acumula os seguintes números no comando do Sub-17: 10 vitórias, dois empates e três derrotas – 50 gols marcados e 17 sofridos – 71,1% de aproveitamento. Posteriormente, o treinador do Corinthians explicou algumas mudanças feitas na escalação.

Pelo lado direito, optou por uma dobra de laterais, utilizando Brenno Augusto e Kevin Fernando – este segundo atuando como ponta-direita, embora vinha sendo utilizando como lateral. Até o ano passado, atuava como meia de origem. Outra alteração tática foi o volante Ji-Paraná, contratado no começo de 2026 após se destacar na Copinha, atuando como zagueiro. Para o confronto, vale lembrar, o Alvinegro contou com o desfalque do zagueiro Ronaldo Henrique, expulso nos primeiros minutos da derrota contra o Santos, por 2 x 1, no CT Rei Pelé, na rodada anterior do torneio nacional.

“Antes de responder a pergunta, acho que dá uma sustentação boa para a resposta a gente falar que a gente busca desenvolver os jogadores de um modo global dando a eles que habilitam, em alguns momentos, a fazer outras funções, porque todos recebem uma mesma base. É óbvio que tem o comportamento específico, que a gente estimula muito, mas os jogadores têm níveis de exercício que geram comportamentos que eles conseguem e adequar a cada função. A gente vai pela característica: o Ronaldo, nosso zagueiro titular, foi expulso contra o Santos e cumpriu suspensão automática; Nathan, que fez dupla de zaga com ele, sentiu um incômodo. A gente sabia que era um jogo que o Palmeiras propõe muita bola alta e longa e nós precisávamos de jogadores com um bom perfil para defender a primeira bola.”

O Ji-Paraná tem uma primeira bola muito boa. Ele chegou há pouco tempo no clube e consegue desenvolver diversas funções. Hoje ele foi como zagueiro, normalmente ele vai de cinco, mas pode ser um oito ou até um dez. Ele é um cara que tem muita versatilidade, assim como o Kevin. Quando a gente recebe ele (Kevin) é como um meio-campista, aquele cara que vai de área a área e tem muita força. A gente identificou nele a possibilidade de se tornar um lateral, de lapidar nesse sentido, até pelo nível de força e de chegada. Hoje, talvez, a gente deu um passo atrás na característica que ele já apresentava. A gente precisava de jogadores que entregassem aquele nível de competitividade que a gente tinha ressaltado. A ideia foi colocar um cara que conseguisse preencher mais o campo em todas as fases: defensiva, na articulação e também na chegada. O Kevin consegue entregar isso e foi muito bem”, continuou.

Em seguida, foi questionado sobre as presenças do presidente Osmar Stabile, do executivo Marcelo Paz e o do meio-campista André Luiz, Filho do Terrão e atualmente um dos destaques do elenco profissional, nos camarotes do Estádio Alfredo Schürig, Fazendinha.

“Muito importante a presença de todos, acho que valoriza o trabalho de todo mundo, principalmente dos atletas. Esse comportamento do André é muito elogiável, não é a primeira vez que eles estão aqui, já vi ele em alguns outros jogos do Sub-20 também. Mostra um sentido de coletividade, é um processo muito unido, todo mundo por um só. Tinha o André, mas também tinha jogadores de outras categorias aqui nos camarotes acompanhando o jogo e vibrando com a equipe. Esse sentimento de coletividade, de pertencimento, que é gerado todo dia no Corinthians é o que faz a gente ser o Time do Povo e que os jogadores conseguem representar tão bem isso quando estão pisando lá na nossa Arena“, prosseguiu.

Guilherme Nascimento também ressaltou a integração com a categoria Sub-15, comandada por Eduardo Vergueiro, frequentemente convocado para ser auxiliar da Seleção Brasileira. No Derby, dois jogadores do 15 estiveram no banco de reservas do Sub-17: os meio-campistas Lucas Splichal e Igor Macedo. Splichal, inclusive, estreou pela categoria de cima no duelo contra o Botafogo, dias antes, no Parque São Jorge, vindo do banco.

Esse ano, o Corinthians está fazendo um ano muito especial. As pessoas estão envolvidas com o processo de formação são de altíssimo nível, encabeçado ali pelo Damiani e toda a equipe que ele conseguiu montar. O Du (Vergueiro) é um cara de Seleção Brasileira, de altíssimo nível, tem uma capacidade de desenvolver individualmente os atletas muito importante. Assim como o William (Batista) é um cara que dá a lapidação final. A gente está muito integrado, tem o Douglas que também faz parte desse processo e está no Sub-16. A gente tem uma integração muito boa e aí é a gente conseguir entender qual é o nível de exigência que esses atletas precisam. Em alguns momentos, o treino e o jogo para o Splichal e Igor talvez já não está atendendo o nível de demanda que eles precisam para continuar se desenvolvendo. A alternativa é trazer para um cenário de mais competitividade, de mais força, que vai exigir deles um condicionamento melhor. A gente está tentando fazer com que eles deem um próximo salto e estamos aclimatando eles aos poucos.”

O Splichal já conseguiu estar no jogo contra o Botafogo, foi bem. Eles têm treinado e agora começou o período de férias escolares e eles vão ter mais disponibilidade para treinar com a gente. A gente quer observar e integrar essa dinâmica que representa um nível acima do processo de desenvolvimento deles. Isso acontece no Sub-20 também, já tivemos o Caramico fazendo um jogo lá, o Leozinho já fez jogos. O processo é muito integrado e sempre nessa demanda: o que o clube precisa e o que o jogador precisa, principalmente. Se esse jogador atende uma necessidade do Sub-20 e vai sem impactante, ele tem que estar lá. Se o ambiente do Sub-17 não atende mais o desenvolvimento de um atleta, ele tem que dar um passo para o próximo degrau. É isso que a gente está tentando oportunizar“, comentou.

Por fim, respondeu sobre o desafio de assumir o Corinthians. Em sua resposta, exaltou o trabalho do treinador antecessor da categoria, Raphael Larrucia, que esteve no comando do Sub-17 do Timão entre o começo de 2024 e setembro de 2025. Além disso, também detalhou os principais pilares do seu trabalho e a necessidade de enxergar os ‘valores corinthianos’ na sua equipe.

Primeiro é elogiar o trabalho do Laruccia. Não se fica tanto tempo no Corinthians se não tivesse muita competência. A gente pegou alguns atletas que trabalharam com ele ano passado, atletas de 2009 bem trabalhados, bem desenvolvidos. A questão da não continuidade dele passa por outras coisas. É muito difícil pontuar o que a gente tinha que trazer porque parece que a gente está comparando com o trabalho anterior e não é nada disso. Faz parte do meu trabalho a tentativa de desenvolvimento de um jogo mais brasileiro na essência. Eu falo muito sobre isso e a gente tem visto na base e agora nesse momento de eliminação se fala muito isso, dos processos. De tentar trazer muito do que é de fora para o nosso trabalho e meu trabalho na base é tentar buscar o resgate. Porque o Corinthians é a cara do Brasil. É o resgate dos jogadores que não fixam muito em algumas posições, que tem liberdade para girar dentro do próprio jogo. Tem liberdade para ir perto da bola, liberdade de movimento, liberdade para associar. Então é buscar um jogo um pouco mais rico nesse sentido, menos fixo, menos estático, mas com a mesma verticalidade que pede a torcida do Corinthians.”

“E algo que a gente traz muito forte no nosso trabalho é a valorização do lado humano, identitário, mental e comportamental dos atletas. A gente investe muitas fichas com algumas pequenas falas no sentido de mentalidade. Não só como atleta, mas como ser humano e aqui no Corinthians é um clube que tem muita identidade do ‘corinthianismo’. Dos meninos conseguirem viver isso. Esse é um ponto do nosso trabalho, não é tão claro para quem assiste um treino ou um jogo, mas está muito presente no nosso dia a dia a tentativa de integrar valores corinthianos e de vida, além dos esportivos“, finalizou.

Depois vencer o Palmeiras, em casa, pelo Brasileirão Sub-17, o Timão seguirá focado no torneio nacional. Isso porque, na próxima quarta-feira (15), às 11h (de Brasília), o Alvinegro visitará o Vasco da Gama, no Estádio Nivaldo Pereira (RJ), pela oitava rodada da competição. No estadual da categoria, o Corinthians é o segundo colocado do Grupo 12 com 19 pontos – seis vitórias, um empate e uma derrota – 30 gols marcados e 10 sofridos. O líder da chave é o Ibrachina com 24 pontos – 100% de aproveitamento.

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