Central do Timão
·22 July 2026
Técnico do Sub-17 do Corinthians celebra momento da equipe e exalta potencial da categoria visando o profissional

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O Corinthians entrou em campo na tarde da última terça-feira (21) para enfrentar o Internacional, no Estádio Alfredo Schürig, Fazendinha, em duelo válido pela nona rodada da fase de classificação do Campeonato Brasileiro Sub-17, e bateu o time gaúcho por 4 x 0. Os gols do Timãozinho foram anotados por Lucca Caramico, Léo Rodrigues, Rafael Guarnieri e Gustavo Sales. Os três pontos fizeram com que a equipe corinthiana assumisse a liderança da competição nacional com 19 pontos – seis vitórias, um empate e duas derrotas – 27 gols marcados e sete sofridos.
O técnico dos Filhos do Terrão concedeu entrevista à imprensa na zona mista após a partida e fez uma análise da partida contra o Internacional, somado ao momento positivo da equipe na temporada, que acumula cinco triunfos seguidos. Na competição nacional, o Timãozinho possui vitórias expressivas contra Grêmio (7 x 0), Botafogo (4 x 0), Vasco da Gama (3 x 0), Palmeiras (3 x 1) e Internacional (4 x 0).

Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians
Em sua resposta, o comandante citou o desempenho mais consistente da equipe nas últimas partidas. Nos últimos jogos, o clube do Parque São Jorge vinha enfrentando alguns problemas com desfalques e expulsões, além de questões de arbitragem. Em 2026, no total, os Filhos do Terrão somam 13 vitórias, dois empates e três derrotas – 59 gols marcados (3.27 por jogo) e 17 sofridos (0.94 por jogo) -, resultando em um aproveitamento de 75,90%.
“A sequência positiva é algo que a gente já vinha buscando. Há algumas rodadas para trás do campeonato a gente vinha oscilando bastante, não vencia de forma convincente aqui dentro da Fazendinha e jogava fora e talvez não conseguia manter o nível e aí teve alguns problemas como expulsões. Então, a gente teve um momento de inconstância e a nossa busca e a nossa conversa interna é sempre de sermos mais constantes, de vencer e vencer de novo e principalmente, acho que foi o gatilho para a mudança, talvez os atletas internalizaram o discurso de que a vitória ela é muito boa para trazer confiança mas ela é um tanto quanto traiçoeira na nossa mentalidade.”
“Então, a gente tinha que mais entender o que nos levou a vencer para repetir esse processoe vencer de novo do que só achar suficientemente bom para só entrar no campo que a vitóriavai vir automaticamente. Então acho que essa mentalidade, os atletas comparam essa ideia e sempre a gente levou para jogo não a confiança de uma vitória que tinha ficado para trás, mas o caminho que nos levou a vencer anteriormente.”
Ele ainda prosseguiu relembrando o triunfo, com autoridade, no Derby pela categoria: e falou sobre o crescimento de desempenho geral do elenco: “Então, a gente venceu o Palmeiras aqui com muita disposição, batendo todas as nossas métricas de GPS para vencer o jogo e vencer bem. E a gente levou esse exemplo para o jogo contra o Vasco que é a mesma coisa e trouxe para hoje também um jogo extremamente difícil mas que a gente conseguiu suportar a dificuldade do jogo, principalmente no primeiro tempo e construir o placar no segundo. Acho que o grupo vem numa crescente de um modo geral, então assim coletivamente tem muitos atletas evoluídos, conseguindo desenvolver o seu jogo. É óbvio que uns acabam se destacando um pouquinho mais do que outros pela posição, por fazer um gol, mas assim, é um coletivo muito forte e a gente pega muito isso, o sentimento de coletividade que esse grupo tem e que proporciona talvez um brilho individual aqui e ali, mas é sustentado por uma base coletiva muito forte”, iniciou.
Posteriormente, foi questionado sobre o potencial de alguns atletas da categoria em integrar, eventualmente, o elenco profissional. Vale lembrar que, neste momento, o Corinthians possui quatro transfer bans vigentes, sendo três na Fifa e um da CBF, que, juntos, totalizam R$ 23 milhões e, com isso, está impedido de registrar novas contratações. Desta forma, a utilização das categorias de base pode se tornar uma alternativa para o elenco principal, comandado pelo técnico Fernando Diniz. A janela de transferências foi aberta oficialmente no último dia 20 de julho e se encerrará em 11 de setembro.
Guilherme Nascimento preferiu não abordar individualmente os nomes com maior potencial de serem promovidos ao profissional em um curto prazo, optando por exaltar o coletivo. Na temporada de 2026, os principais destaques do Timãozinho vem sendo Gustavo Milani, Miguel Moscardo, Lucca Caramico, Léo Amistá e Léo Rodrigues.
“É importante que todo mundo tenha a ciência que o clube acompanha esse processo, o departamento de futebol profissional, de muito de perto. Vocês que estavam aqui no jogo contra o Palmeiras, vocês acompanharam, vocês estavam aí. Esses jogadores já intregam constantemente o treinamento do profissional, não só esses como outros jogadores também, que têm uma avaliação interna muito boa. É importante todo mundo ter ciência que esse trabalho de acompanhamento está sendo feito de forma muito aproximada pela comissão do profissional também, só que cada jogador tem um tempo. Cada jogador tem um tempo para desabrochar, para conseguir, de fato, ser efetivo, eficiente numa categoria acima, há duas categorias acima. A gente vê se os jogadores, não só esses que foram citados, como vários outros, com bastante potencial de um dia trazer retorno positivo para o Corinthians como um todo.”
“Cada um vai ter um tempo diferente, então eu não vou individualizar aqui na resposta, apesar da curiosidade, mas é claro que tem um jogador ou outro que está talvez um pouco mais pronto para suportar essa demanda, mas o ideal a ser feito é a gente ter consciência do time, do tempo de disposição de cada um, e isso está sendo feito com muito cuidado. E, sim, esses jogadores já estão sendo vistos de uma forma muito próxima pelo departamento de futebol profissional e já treinam com o profissional várias vezes durante a semana, durante o mês. Então, a comissão técnica do profissional sabe esses jogadores por nome, já conhece o potencial deles e esse fluxo está sendo feito de forma muito próxima. Então, agora é ter paciência, porque no tempo correto de cada atleta eles vão ser expostos da forma que é necessária”, prosseguiu.
Por fim, Guilherme Nascimento comentou sobre o trabalho de base no futebol brasileiro ao ser questionado sobre a conquista da Espanha na Copa do Mundo. Grande parte do elenco campeão do mundo atua junto desde as categorias de base e esteve na final Olímpica contra o Brasil em 2021, no Japão, comandados por Luís De La Fuente – que foi promovido a treinador da seleção principal espanhola.
“Eu penso que a gente tem que ter em mente para quem e para qual objetivo nós estamos formando. Talvez a gente deixar um processo de formação totalmente homogêneo, com as mesmas características, buscando o mesmo perfil de jogo, mas eu não tenho certeza se esse atleta vai jogar de fato no meu clube, se esse é um atleta que vai para o mercado, ou com que treinador esse atleta vai jogar no meu clube, no meu profissional, porque a gente conhece a rotatividade do comando técnico no Brasil de um modo geral, não estou falando do Corinthians, estou falando de um modo geral. Então, até que ponto é importante um jogador manter dentro de um mesmo ecossistema, recebendo os mesmos tipos de estímulos, mas a gente não sabe qual vai ser o estímulo que ele vai precisar se expor em um profissional e a gente sabe que o que costuma e o mais comum é que sejam estímulos variados.”
“Então, ter uma diferença naquilo que se propõe no Sub-15, entendendo aquilo que a faixa etária tem como demanda, uma visão de jogo um pouquinho diferente, uma execução um pouquinho diferente no Sub-17, entendendo o que a idade tem como demanda. Mesma coisa no Sub-20, talvez é o ambiente, se tratando de futebol brasileiro, mais vantajoso. O que eu, só para pontuar, já que você trouxe o exemplo da Copa, o que me toca, é porque de novo a Espanha vence e a gente tem um risco muito grande de se entender que o jogo aplicado pela Espanha é o jogo que deve pautar o processo de formação mundo afora ou pautar a montagem de equipes de mundo afora.”
Guilherme seguiu: “E eu acho que as duas últimas vencedoras de Copa, quem sabe até a França está trazendo para a gente, que a Argentina está trazendo para a gente…. um recado que é o seguinte, jogue de acordo com a sua cultura, jogue de acordo com a sua identidade, porque a Espanha ganha e perde da mesma forma, com o jogo de posição, com o jogo que é cultural lá dentro das canteiras e tudo mais. A Argentina foi campeã em 2022 da sua forma, que é uma forma diferente da Espanha. Então, talvez, para a gente trazer esse exemplo para dentro do Brasil, não é deixar o processo homogêneo ou só olhar para aquilo que faz hoje a Espanha, eu acho que é para a gente tentar entender o que é cultural do Brasil, qual é a nossa forma, como a gente ganha e transformar isso em métodos modernos, atuais, mas que conversem com o nosso jogo.”
“Talvez se a gente olhar para a nossa identidade, a gente vai estar mais perto da vitória, como foi o exemplo das últimas duas campeões mundiais. Legal, no jogo de posição, cultural, mas é espanhol. Não é uma reprodução disso, mundo afora, que vai trazer a solução para todos os perfis de jogo, porque futebol é cultura. Então, isso tem a ver com a formação de sociedade como um todo e ali funciona para o espanhol, talvez para o brasileiro, funciona de outra maneira”, finalizou.
O Corinthians, após a vitória sobre o Internacional, se prepara para o seu próximo compromisso na temporada, que será pelo Campeonato Paulista. No próximo sábado (25), às 11h (de Brasília), os Filhos do Terrão recebem o Ibrachina, no Parque São Jorge, em duelo direto da primeira fase do estadual. O Timão é o vice-líder da chave com 22 pontos, enquanto o time da Mooca lidera com 27 pontos.
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