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·23 June 2026

Treino pode ter funcionado como gatilho do enfarte de Casillas, mas não como causa

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Natália António, perita nomeada na altura pelo Conselho Médico-Legal, afirmou que o exercício físico feito por Casillas teve intensidade suficiente para desencadear a rutura de uma placa aterosclerótica, mas afastou a hipótese de o esforço ter sido a causa principal do enfarte. “O nível de intensidade é trigger [gatilho], mas não a causa. A causa subjacente é a doença arteriosclerose coronária”, declarou, acrescentando que a rutura “também podia ter ocorrido durante a recuperação”.

Atualmente diretora clínica da área de Cuidados Hospitalares da Unidade de Saúde Local de Coimbra, a cardiologista explicou que cerca de 10% dos enfartes do miocárdio surgem em contexto de exercício físico, sendo a existência prévia de aterosclerose coronária determinante para o aparecimento do episódio. Questionada pela defesa da seguradora, admitiu que, se não tivesse acontecido naquela manhã, o enfarte poderia ter surgido “no dia anterior, em repouso, mesmo sem exercício físico”.


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De acordo com a especialista, não é possível estabelecer uma ligação temporal imediata entre o esforço e a rutura da placa. “O exercício físico pode agir como trigger, mas pode não ter um efeito instantâneo. Pode acontecer já quando o doente está em recuperação”, afirmou, sublinhando que a maioria dos enfartes ocorre em períodos de repouso, nomeadamente durante a noite.

Na primeira sessão do julgamento, realizada a 8 de junho, Casillas contou ter começado a sentir dores no peito, dificuldade respiratória e grande cansaço durante um treino do FC Porto, antes de ser transportado para o hospital, onde foi submetido a um cateterismo para desobstrução de uma artéria coronária. Em tribunal, o antigo internacional espanhol afirmou que o enfarte pôs fim à carreira profissional e lhe deixou limitações permanentes. “Não posso correr, consigo uns 20 ou 50 metros. Não dá para mais”, disse.

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