Portal dos Dragões
·27 June 2026
Villas-Boas lança o desafio para a próxima época: “Ânsia de vencer não nos permite adormecer”

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André Villas-Boas fechou a época 2025/26 com uma mensagem de balanço e mobilização, num texto em que apresentou o FC Porto como um clube de títulos, de unidade e de exigência renovada. O presidente passou em revista o pleno no futebol de formação, o sucesso da equipa principal orientada por Francesco Farioli e a afirmação das modalidades, sem perder de vista a preparação da próxima temporada. No centro de tudo, uma ideia que atravessa o discurso do princípio ao fim: a identidade competitiva do clube, e garantiu: “a ânsia de vencer”.
Na edição 475 da revista Dragões, o presidente do FC Porto fez do fecho de temporada um exercício de memória recente e, ao mesmo tempo, de projeção imediata. André Villas-Boas apresentou 2025/26 como um marco interno, sustentado por resultados, reorganização e uma cultura de exigência que, na sua leitura, devolveu o clube ao trilho que entende como natural.
Logo na abertura, o presidente enquadrou a época como um momento especial na história portista, ligando as conquistas à ideia de reencontro com a matriz competitiva do clube. O tom foi celebratório, mas também afirmativo, como quem pretende fixar uma narrativa de recuperação e identidade.
“Junho fechou uma época que ficará para sempre na memória do Futebol Clube do Porto. Uma época de títulos, de afirmação, de orgulho e de uma união que nos devolveu aquilo que mais nos define: a ânsia de vencer.”, escreveu. “2025/26 será para sempre um ano especial na história do FC Porto. Um ano do Dragão.”
Mais do que um simples balanço, a formulação procura transformar a época numa ideia-força. O presidente não se limita a enumerar troféus; associa-os a uma restauração simbólica, como se o sucesso desportivo tivesse servido também para reafirmar uma identidade coletiva.
Quando entrou no detalhe do futebol, Villas-Boas destacou a extensão do domínio azul e branco, do escalão sénior à formação, passando ainda pelo futebol feminino e pela equipa B. A enumeração surge como prova de abrangência e como argumento de consistência estrutural.
“Fomos Campeões Nacionais seniores, conquistando o 31.º título. Vencemos nos Sub-19, nos Sub-17 e nos Sub-15.”, assinalou. “Fizemos um pleno histórico no futebol nacional, repetindo feitos que só o FC Porto alcançou, como em 1985/86 e 1997/98. A isto juntámos o título nacional do futebol feminino, com subida à Primeira Liga, e uma época brilhante da equipa B, que igualou o recorde de pontos anteriormente alcançado quando se sagrou campeã.”
O presidente insistiu depois na ideia de que o sucesso não foi circunstancial, mas consequência de uma linha de trabalho definida. A mensagem é clara: o clube quer ganhar no presente sem desligar a formação do futuro da equipa principal.
“Isto não é acaso. Não é sorte. Não é circunstância. É trabalho. É método. É critério.”, sublinhou. “É uma visão clara sobre o que queremos para o futebol do FC Porto: vencer hoje, formar melhor para amanhã e construir uma estrutura que sustente o futuro.”
É um dos eixos mais políticos do texto: retirar o sucesso ao domínio da inspiração momentânea e colocá-lo no terreno da construção. Ao fazê-lo, Villas-Boas procura dar profundidade ao triunfo e preparar o argumento para a sustentabilidade do projeto.
No capítulo da formação, o presidente fez questão de sublinhar o peso específico do pleno alcançado nos escalões jovens. A comparação com o histórico recente do clube serve para acentuar a dimensão da mudança.
“Antes desta época, e desde 2010/11, o FC Porto tinha conquistado apenas seis dos 39 títulos nacionais disponíveis nos escalões de Sub-19, Sub-17 e Sub-15. Este pleno tem, por isso, um significado ainda maior.”, afirmou. “É a confirmação de uma mudança de rumo, de ambição e de exigência no nosso projeto formativo que queremos que perdure no tempo e transforme, a seu tempo, jogadores juniores em jogadores profissionais na equipa principal.”
O presidente alargou depois o reconhecimento aos responsáveis do setor, deixando nomes e funções num agradecimento detalhado. É também uma forma de personalizar o mérito e de fixar os rostos de uma área que, no seu entendimento, voltou a produzir sinais de autoridade interna.
“Deixo, por isso, uma palavra de enorme reconhecimento a todos os jogadores, treinadores, equipas técnicas, departamentos de apoio, unidade de saúde e performance, scouting, gestão desportiva e executiva, e a todos os que trabalham diariamente para elevar o jogador formado no FC Porto. Em particular, ao José Tavares, Diretor da Formação, pelo trabalho que tem desenvolvido desde o seu regresso ao FC Porto.”, destacou. “Em apenas dois anos, ajuda o Clube a alcançar mais um pleno que entra diretamente na nossa História.”
O presidente prolongou esse reconhecimento às equipas técnicas e aos projetos que considera exemplares dentro da estrutura do futebol portista.
“Cumprimento também o Sérgio Ferreira, o José João e o Manuel Prata, bem como as suas equipas técnicas, pelo trabalho realizado nos respetivos escalões. Saúdo igualmente o João Brandão pela excelente época da equipa B, o Daniel Chaves e o Professor José Manuel pelo percurso notável do futebol feminino, que nos trouxe o título, a subida e uma presença no Jamor que muito nos orgulhou.”
A insistência nos nomes próprios reforça a ideia de cadeia de valor interna. Não há apenas uma vitória para celebrar; há um ecossistema que o presidente quer legitimar publicamente.
Ao falar da equipa principal, Villas-Boas identificou em Francesco Farioli uma figura central da época. O elogio ao treinador do FC Porto surge associado a método, coragem e capacidade de devolver a equipa ao lugar que o presidente considera compatível com a história do clube.
“Também no futebol sénior, este ano teve um nome incontornável: Francesco Farioli. Liderou com método, coragem e uma exigência profundamente identificada com aquilo que é o FC Porto.”, escreveu. “Percebeu rapidamente o Clube, agregou o grupo, potenciou talento e devolveu-nos ao lugar que a nossa História exige. O sucesso transversal do futebol portista nasce também dessa cultura competitiva comum, em que todos trabalham para ganhar e para elevar diariamente o símbolo que representam.”
Neste ponto, o texto ganha um centro de gravidade: o treinador como expressão prática de uma cultura coletiva. Mais do que destacar um rosto, o presidente usa Farioli para resumir a ideia de disciplina comum que pretende estender a todo o futebol portista.
O olhar de Villas-Boas não ficou, porém, preso ao relvado. Num dos trechos mais abrangentes da mensagem, o presidente procurou valorizar a máquina dirigente e executiva que, na sua perspetiva, sustentou a recuperação depois de uma temporada anterior frustrante.
“Este ano do Dragão não pertence apenas a quem entra em campo. Pertence também a quem sustenta, acompanha, decide, executa e protege o Clube todos os dias.”, salientou. “Quero, por isso, deixar um agradecimento profundo aos órgãos sociais do Futebol Clube do Porto, à Direção, à Administração, à Comissão Executiva e a todas as equipas diretivas e executivas que me acompanham diariamente. Nada do que construímos este ano teria sido possível sem lealdade, competência, coragem e sentido de missão.”
Na mesma linha, o presidente evocou a pressão e as decisões difíceis que marcaram o processo, contrapondo-lhes a imagem de uma estrutura coesa.
“Houve decisões difíceis, horas longas, momentos de pressão e uma exigência permanente principalmente depois de uma época frustrante como foi a época de 2024/2025. Mas houve, acima de tudo, uma estrutura unida em torno do mesmo objetivo: devolver o FC Porto ao caminho da vitória e colocá-lo na rota do título.”, sintetizou. “E esse caminho não se fez apenas no futebol.”
Há aqui um movimento importante: a celebração transforma-se em legitimação da governação. O que foi conquistado dentro de campo é apresentado como reflexo de uma unidade mais vasta, com o clube a surgir como organismo coordenado e não como soma dispersa de êxitos.
Essa leitura estende-se às modalidades, começando pelo basquetebol, onde Villas-Boas destacou o regresso ao título nacional. O presidente valorizou a superação das dificuldades e reservou palavras de destaque para Fernando Sá, treinador da equipa de basquetebol do FC Porto.
“No basquetebol, voltámos a ser Campeões Nacionais dez anos depois. Foi um título com sabor especial, conquistado por uma equipa que se reinventou várias vezes ao longo da época, enfrentou lesões, imprevistos e dificuldades, mas nunca perdeu a crença.”, afirmou. “Sob o comando de Fernando Sá, campeão nesta casa enquanto jogador e agora campeão como treinador, o FC Porto voltou a tocar o lugar que ambicionava. É uma conquista bonita, justa e profundamente portista.”
O presidente apontou ainda o trabalho de enquadramento feito fora das quatro linhas e deixou uma nota particular para Pedro Machado.
“Reconheço também o trabalho do Mário Santos, Diretor-Geral das Modalidades, e do Alberto Babo, vogal da Direção para as modalidades profissionais, pelo esforço desenvolvido na renovação desta equipa e na construção das condições que nos permitiram voltar a ser campeões. E não esqueço o Pedro Machado, jovem da formação de basquetebol do FC Porto, que batalhou toda a época contra um cancro e que também se sagrou Campeão Nacional.”, referiu. “A sua força inspirou-nos. Este título também é dele.”
O basquetebol aparece, assim, como síntese de resistência e pertença. A forma como o presidente o descreve encaixa na narrativa maior do texto: ganhar, sim, mas ganhar com uma identidade reconhecível e emocionalmente partilhada.
Ao alargar o foco ao restante ecletismo, Villas-Boas apresentou um retrato de abundância competitiva. O hóquei em patins, o voleibol feminino, o bilhar e o goalball surgem como provas de uma ambição transversal.
“Nas modalidades, o ano foi de excelência. Fomos Campeões Europeus de hóquei em patins pela quarta vez, com uma equipa que se reinventou, praticou um hóquei de enorme qualidade e voltou a tocar o céu europeu.”, escreveu. “No voleibol feminino, conquistámos o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal. Celebrámos o triplete no bilhar e o tricampeonato de goalball no desporto adaptado. Isto é ecletismo com ambição. Isto é Porto em todo o lado. Isto é um Clube que não compete para participar: compete para vencer.”
A frase final deste bloco funciona quase como manifesto. Não descreve apenas resultados; define uma postura institucional em que competir sem horizonte de vitória simplesmente não chega.
O presidente reservou também espaço para o associativismo, apontando a celebração da Casa do FC Porto de Monção como expressão de uma ligação viva entre o clube e os adeptos. Aqui, o texto troca o léxico da conquista pelo da pertença.
“Junho foi também mês de associativismo e de memória viva. Celebrámos os 25 anos da Casa do FC Porto de Monção, numa festa bonita, com cerca de 250 Portistas do Norte de Portugal, daqueles que sentem o Clube como uma pertença profunda.”, notou. “As Casas do FC Porto são embaixadas da nossa alma. São pontos de encontro, de família, de militância e de identidade. São uma das formas mais puras de perceber que o FC Porto não acaba no Dragão: começa aí e espalha-se pelo mundo fruto do altruísmo dos seus líderes que com muito apego e amor ao nosso Clube o ajudam a crescer e a afirmar-se.”
É uma passagem que ajuda a completar o retrato pretendido por Villas-Boas: o FC Porto como comunidade, não apenas como equipa ou estrutura. A vitória surge, uma vez mais, ligada a uma base afetiva que o presidente trata como parte da força do clube.
Já com a próxima época no horizonte, o dirigente fez questão de sublinhar que o sucesso não autoriza pausa. A chegada de reforços aparece ligada a uma advertência sobre o peso da camisola e a cultura de compromisso exigida no Dragão.
“Ao mesmo tempo que celebramos, já estamos a construir a próxima época. Porque no FC Porto a vitória não é descanso, é responsabilidade.”, frisou. “Damos as boas-vindas ao André Silva, ao João Afonso e ao Eirik Granaas, reforços que chegam a uma casa exigente, vencedora e consciente do peso da sua História. Que percebam rapidamente aquilo que significa representar o FC Porto: talento é importante, mas compromisso, trabalho e respeito pelo símbolo são indispensáveis.”
O aviso é coerente com todo o texto: o troféu não encerra nada, antes aumenta a obrigação. Nessa lógica, a vitória é menos um ponto de chegada do que um padrão que precisa de ser imediatamente defendido.
Também nas modalidades, o presidente assinalou mudanças de ciclo, começando pela saída de Magnus Andersson e pela entrada de Carlos Martingo no andebol. O tom foi de reconhecimento pelo passado e de exigência para o futuro.
“Nas modalidades, há ciclos que terminam e outros que começam. Magnus Andersson despede-se depois de um percurso que merece reconhecimento e gratidão. Liderou, competiu e marcou uma etapa importante no nosso andebol.”, escreveu. “Chega agora a vez do Carlos Martingo, um homem da casa que conhece os nossos valores e princípios, a quem desejamos o maior sucesso, com a certeza de que o FC Porto continuará a entrar em cada competição com a ambição de vencer.”
Villas-Boas dedicou ainda uma nota particular a Joana Resende, encerrando um ciclo competitivo e abrindo outro dentro da estrutura do clube. É um elogio que valoriza a continuidade da ligação e o peso simbólico da atleta.
“Também a nossa Joana Resende encerra o seu ciclo como atleta, mas continuará connosco, agora integrada na estrutura do Clube. A Joana, além das suas qualidades enquanto atleta, distinguiu-se no FC Porto pelo seu carácter, dedicação e um compromisso de amor profundo com o Clube.”, assinalou. “Foram 12 troféus em sete anos de azul e branco ao peito. Tudo o que conquistou, tudo o que deu e tudo o que significa para os Portistas continuará agora ao serviço do FC Porto noutra função, mas seguramente com a mesma paixão e a mesma exigência. Obrigado por tanto, querida Joana!”
Na reta final da mensagem, o presidente voltou-se para os adeptos e para a unidade interna como pilares de uma época que definiu como histórica. A celebração, porém, aparece sempre travada por uma ideia de obrigação permanente.
“Termina assim a época 2025/2026. Uma época de que todos nos podemos orgulhar. Este foi um ano de conquistas graças a vocês, que encheram o Estádio do Dragão e o Arena vezes sem conta e em vários campos e deslocações difíceis.”, concluiu. “Confirmámos que a união continua a ser a nossa maior força. Confirmámos que, quando todos os departamentos, todas as equipas, todos os órgãos sociais, toda a estrutura e todos os adeptos caminham no mesmo sentido, o FC Porto volta a ser aquilo que sempre foi: uma força difícil de travar. Celebrámos muito. Ganhámos muito. Fizemos História. Mas a ânsia de vencer não nos permite adormecer.”
“No FC Porto, o sucesso não fecha ciclos: abre responsabilidades. O ano do Dragão fica escrito. O próximo já começou.”, garantiu. “Somos o FC Porto. E o nosso compromisso com a vitória é inegociável. Viva o Futebol Clube do Porto!”
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