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·28 July 2026

Villas-Boas quer que presidente do Conselho de Arbitragem FPF seja suspenso temporariamente

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André Villas-Boas, presidente do FC Porto, defendeu esta segunda-feira que Luciano Gonçalves, líder do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), suspenda provisoriamente o exercício das suas funções até ao completo esclarecimento das suspeitas associadas ao processo de nomeações.

No editorial da edição de julho da revista Dragões, André Villas-Boas afirma que a crise institucional que atravessa atualmente a arbitragem “não augura nada de bom” para o início da nova época, reiterando também as críticas à atuação do CA.


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“Consideramos prudente que o presidente do CA suspenda temporariamente as suas funções enquanto defende o seu bom nome e os factos sejam esclarecidos. Não como antecipação de culpa, mas como proteção da própria pessoa, da função que exerce e da instituição que representa”, pode ler-se.

Apesar de o Conselho de Justiça (CJ) da FPF ter arquivado, na passada sexta-feira, o processo disciplinar instaurado a Luciano Gonçalves por alegadas interferências na arbitragem, Villas-Boas considera que essa decisão “não atenua a desconfiança instalada na liderança do setor”. O caso está a ser acompanhado por um inquérito do Ministério Público (MP), com o apoio da Polícia Judiciária (PJ).

O presidente do FC Porto garante que o clube não pretende tirar ilações antecipadas nem substituir-se às autoridades judiciais, defendendo, contudo, que os factos sejam esclarecidos com rapidez.

“As notícias recentemente conhecidas dão conta de que a PJ recebeu uma participação e está a desenvolver diligências sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influências relacionadas com essas nomeações. Não antecipamos conclusões, não fazemos condenações públicas e não nos substituímos às autoridades. Esperamos, isso sim, um apuramento célere, rigoroso e completo”, ressalva.

O dirigente azul e branco reclama igualmente uma ação da FPF, considerando que a federação não pode encarar a situação “como uma mera divergência interna”.

“O que está em causa é a confiança nos processos, nas nomeações e na integridade das competições após uma época desastrosa”, sublinhou.

Denúncia teve origem em Duarte Gomes

O processo analisado pelo CJ da FPF contra Luciano Gonçalves teve origem numa denúncia apresentada por Duarte Gomes. Após abandonar o cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem, este revelou que um árbitro lhe tinha transmitido “um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram preocupações institucionais muito relevantes”.

O relatório deu como provado que Luciano Gonçalves enviou uma mensagem a Hélder Malheiro, mas concluiu que “não foi possível determinar, com segurança, o contexto nem o significado da mensagem”. Dessa forma, rejeitou a existência de elementos bastantes para estabelecer uma ligação entre o conteúdo da mensagem e eventuais promessas de permanência de Hélder Malheiro na primeira categoria.

O instrutor concluiu também não ter sido apresentada prova suficiente para demonstrar que Luciano Gonçalves transmitiu antecipadamente informações sobre a nomeação de árbitros ou que alguma nomeação tenha sido feita a pedido de um clube.

Também esta segunda-feira, o jornal Público noticiou que a PJ recebeu uma participação que reúne diversas informações sobre o caso, nomeadamente acerca das nomeações dos árbitros e da forma como estas eram conhecidas, incluindo exemplos concretos.

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