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·9 de junio de 2026

80% dos clubes votaram para viver à custa dos outros

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Não podia ser mais simbólico. António Salvador, presidente do Braga e um dos rostos mais reconhecíveis da resistência ao progresso no futebol português, apresentado como figura central da votação da chave de distribuição dos direitos televisivos. Se havia alguém que encarnava perfeitamente o espírito deste projeto, era mesmo ele.

Oitenta por cento dos clubes votaram a favor. Oitenta por cento dos mesmos dirigentes que nunca encheram um estádio, nunca tornaram a Liga numa competição atrativa para um espetador neutro, nunca reformaram nada que valesse a pena reformar. Estes são os mesmos que agora querem sentar-se à mesa do Benfica comer o que não produziram.


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A centralização não vai salvar o futebol português. Essa fantasia só convence quem precisa de acreditar nela para sobreviver. O que este modelo faz, na prática, é redistribuir a riqueza gerada pelos clubes que trabalham, investem e constroem marcas globais, para financiar a inércia dos que não fizeram nenhum desse esforço.

O problema estrutural do futebol nacional não se resolve com esmolas distribuídas de forma mais equitativa. Resolve-se com gestão, com visão, com estádios cheios, com academias a funcionar, com competições que as pessoas queiram ver. Nada disso está neste projeto. O que está é uma lógica de nivelamento, e o nivelamento, em Portugal, faz-se sempre por baixo.

Há anos que a estratégia em torno do Benfica segue a mesma direção, fragilizá-lo, aproximá-lo da mediania, retirar-lhe aquilo que o distingue. A grandeza incomoda. O alcance internacional incomoda. A capacidade de gerar receita própria incomoda.

A centralização ataca precisamente isso. Os direitos televisivos do Benfica têm um valor que não existe por acaso, existe porque o clube construiu uma marca, uma história e uma base de adeptos que os outros não têm. Transferir parte desse valor para quem não o criou não é solidariedade, é confisco.

Este é o momento em que as divisões internas têm de ficar na gaveta. As eleições passaram, os debates internos continuarão, mas esta batalha é de todos os benfiquistas sem exceção. O clube está certo ao opor-se a este modelo e merece ter os seus adeptos ao lado dele, sem ambiguidades.

O que está verdadeiramente em causa não é uma percentagem de distribuição. É a identidade e a capacidade competitiva do maior clube português. Isso não se negocia.

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