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·12 de junio de 2026
A crítica que virou perseguição pessoal

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Há um momento em que a crítica deixa de ser crítica e passa a ser outra coisa. Esse momento já chegou, e quem acompanha o discurso mediático em torno do Benfica sabe exatamente do que estou a falar.
Durante meses, o presidente do Benfica foi alvo de ataques sistemáticos por alegadamente querer afastar o treinador. Semana após semana, colunistas e comentadores construíram uma narrativa: Rui Costa estava a minar a relação com José Mourinho, estava a desestabilizar o clube, era o problema. Essa foi a versão vendida com toda a convicção.
Agora, o mesmo Rui Costa diz publicamente que Mourinho era o seu treinador, que havia uma proposta de renovação em cima da mesa, e esses mesmos analistas de bancada voltam-se contra ele. Desta vez por dizer exatamente o oposto do que lhe imputavam antes. Alguém pode explicar com lógica esta posição? Porque eu, por mais que tente, não consigo.
Não venho aqui defender o presidente de tudo. Rui Costa cometeu erros, alguns sérios, e nenhum adepto do Benfica com honestidade intelectual pode ignorá-los. Esses erros merecem análise, escrutínio, pressão. É legítimo. É saudável. É mesmo necessário.
O que não é legítimo é o que se passa quando a crítica ultrapassa a proporcionalidade e entra num território que já tem outro nome. Quando qualquer frase dita pelo presidente do clube serve de munição, independentemente do seu conteúdo ou contexto, já não estamos perante jornalismo nem análise desportiva. Estamos perante outra coisa, e convém que os adeptos reconheçam essa distinção.
Não é coincidência que parte da comunicação social salivem com as assembleias gerais que se aproximam. Não porque esperam um debate sério sobre o futuro do clube. Esperam confusão, gritaria e imagens de adeptos em confronto verbal. É combustível barato, e há quem precise dele todos os dias para manter audiências.
O Benfica tem problemas reais que precisam de respostas reais. Mas enquanto o debate público for dominado por esta lógica de destruição em série, onde hoje se ataca por uma razão e amanhã pela razão oposta, os problemas ficam por resolver e o espetáculo continua. Para benefício de quem? Claramente não dos adeptos encarnados.
Há crítica construtiva. E há o que estamos a ver. A diferença já devia ser óbvia para toda a gente.







































