A feijoada de R$ 5 mil para arrecadar milhões e a estratégia errada no Inter
A movimentação liderada por Paulo César Tinga para modernizar o CT Parque Gigante mostra uma tentativa do Inter de buscar soluções fora do modelo tradicional de arrecadação. A ideia da feijoada beneficente organizada pelo ex-volante nasce justamente após ele se inspirar no retorno de Abel Braga ao clube.
O objetivo não é construir um novo CT em Guaíba, assunto que chegou a ser debatido em outros momentos, mas sim modernizar o próprio Parque Gigante. Para isso, Tinga criou uma associação e organizou um evento que acontecerá no dia da estreia do Brasil na Copa do Mundo. A proposta é reunir empresários colorados em uma grande feijoada no Beira-Rio, com cada mesa custando R$ 50 mil — valor dividido entre 10 convidados, resultando em R$ 5 mil por pessoa.
A lógica da ação deixa claro que o foco não é a feijoada em si, mas sim a arrecadação para investimentos estruturais. A projeção inicial trabalhada nos bastidores é significativa. Caso o evento consiga reunir 20 mesas, por exemplo, o Inter já arrecadaria cerca de R$ 1 milhão logo na largada do projeto. E existe internamente a percepção de que esse número ainda pode crescer dependendo da adesão de empresários e parceiros ligados ao clube.
O valor arrecadado seria utilizado principalmente em melhorias consideradas estratégicas para o futebol profissional. Um dos focos é a criação de uma estrutura moderna de recovery e recuperação física dos atletas, algo tratado hoje como prioridade dentro do futebol de alto rendimento. Só essa parte do projeto pode ultrapassar R$ 5 milhões em investimento. Além disso, o clube também pretende desenvolver uma área de concentração dentro do próprio CT, permitindo que os jogadores permaneçam concentrados no Parque Gigante em dias de jogos e treinamentos.
A mobilização criada por Tinga rapidamente gerou repercussão entre os próprios torcedores. Muitos colorados começaram a pedir a abertura de um Pix oficial para contribuir com valores menores, já que boa parte da torcida obviamente não tem condições de participar de um evento de R$ 5 mil por pessoa. A ideia ainda não foi confirmada oficialmente, mas existe a percepção de que a credibilidade de Tinga pode facilitar esse tipo de arrecadação popular futuramente.
Patrocinador master: o cenário hoje é tratado como complicado. Assim como acontece no Grêmio, o Inter entende que a proximidade da Copa do Mundo esfriou o mercado publicitário para clubes brasileiros.
O clube admite que recebeu propostas e sondagens, mas considera os valores abaixo do esperado. A explicação interna passa justamente pela paralisação do calendário. Com o futebol brasileiro parado por cerca de 50 dias, empresas entendem que o retorno de exposição diminui drasticamente neste período, especialmente para ativações ligadas a jogos, transmissões e presença de marca nas partidas.
Isso faz com que muitas negociações acabem sendo empurradas para depois da Copa. O problema é que o Inter deixou de contar com uma receita considerada muito importante após a saída da antiga patrocinadora master, que rendia cifras próximas de R$ 50 milhões anuais. Embora o clube tenha conseguido vender outras propriedades da camisa e compensar parte da arrecadação, internamente existe a consciência de que a ausência de um patrocinador principal pesa bastante no fluxo de caixa.