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·27 de mayo de 2026

A Liga Portuguesa é uma vergonha e ninguém tem coragem de o dizer

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O Nacional foi aos jornais falar da centralização e da sua proposta. Não vale a pena aprofundar, porque o Nacional é daquelas instituições que não sabem vender o próprio produto, e isso diz tudo.

Uma semana que resumiu o problema todo

Basta olhar para o que aconteceu nos últimos dias para perceber porque é que ninguém quer saber do nosso campeonato. O Torreense vai disputar a Liga Europa a mais de 300 quilómetros de casa. Se entrar na primeira divisão, não joga no seu próprio estádio. Investiram no desportivo antes de investir em infraestruturas. Começaram pelo telhado, como a maioria dos clubes neste país.


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O Casa Pia está há anos na primeira Liga e continua sem jogar em casa. As bancadas do seu estádio envergonham qualquer transmissão televisiva. E agora quer impedir que o Torreense, pelo menos, encha as bancadas de outra cidade. Em termos visuais, vai ser uma promoção fantástica ao futebol português.

Um campeonato que vale 300 milhões, dizem eles

O Rio Ave faz parte de um fundo liderado por uma figura grega com historial polémico. Tem apenas uma bancada funcional, e essa nunca é filmada. A que demoliram nunca mais foi reconstruída. Os efeitos visuais nas transmissões em casa são simplesmente brilhantes. E apesar disso, tentam vender jogadores ao Benfica por 20 milhões de euros, avançados que não rendem sequer no campeonato grego.

O Moreirense não tem condições técnicas para transmitir um jogo com qualidade. O Estrela e o Estoril têm panos nas bancadas em vez de adeptos. Devem ainda estar em modo pandemia. O Nacional tem o nevoeiro típico da Madeira, e quem detém os direitos televisivos evita agendar os seus jogos cedo para não prejudicar a transmissão das outras ligas europeias.

A reforma que ninguém tem coragem de propor

Enquanto os clubes andam a vetar conferências de imprensa dos árbitros no final dos jogos e a aprovar o alargamento do banco de suplentes, o que é verdadeiramente urgente não está sequer em cima da mesa: reduzir o número de equipas nas ligas profissionais. Criar uma fase regular seguida de uma fase de apuramento do campeão e de manutenção. Quem não tem infraestruturas para vender o produto com dignidade não pode ser considerado apto para competir a nível profissional.

Ninguém o faz porque têm medo de perder apoios internos. Mas era precisamente isso que devia ser feito, pelo bem de todos. Com o estado atual, caminhamos a passos largos para uma liga ibérica. E nesse cenário, não há Nacional, Estoril, Casa Pia, Estrela nem Torreense. Desapareciam todos. E talvez seja essa a única ameaça que os fará acordar.

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