Ainda há medo de CR7 em Espanha? «Portugal parece jogar com um jogador a menos» | OneFootball

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·6 de julio de 2026

Ainda há medo de CR7 em Espanha? «Portugal parece jogar com um jogador a menos»

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A próxima pedra no caminho de Portugal rumo à conquista do Mundial é a vizinha Espanha. Um duelo ibérico e cheio de história no mundo do futebol, que promete captar grande parte das atenções destes oitavos de final.

Por outro lado, as terras de nuestros hermanos trazem memórias particularmente especiais para Cristiano Ronaldo. Foi ao serviço do Real Madrid que o astro português atingiu realmente o topo e alcançou um legado que pouquíssimos conseguirão ficar perto de sentir.


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Facto é que o capitão da Seleção Nacional tem sido um tormento para os adeptos espanhóis, principalmente a nível clubístico, pese embora dois grandes momentos que fizeram, certamente, golpes profundos na confiança da La Roja.

Quem não se lembra do fantástico hat-trick na estreia do Campeonato do Mundo 2018? Ou no embate mais recente, onde Cristiano fez o gosto ao pé e os portugueses festejaram mais uma Liga das Nações?

Isso tudo parece ter sido colocado de parte. Nesta competição, o tema Ronaldo tem servido para o levantamento de fortes críticas e dúvidas quanto ao futuro do jogador de 41 anos na Equipa das Quinas.

Mas será que esse pensamento abrange outras nações, como por exemplo, a própria formação espanhola, que já sofreu com o camisola '7' por um par de vezes? Foi isso que o zerozero procurou saber em conversa com os jornalistas espanhóis Alex Callaf, do Sport, e Sergio Fernandez, antigo correspondente da Marca e do Relevo.

«Não creio que Ronaldo intimide como fazia há alguns anos»

É consensual que Cristiano Ronaldo já não é o mesmo jogador de há uns anos - estranho se o fosse. Por isso mesmo, as opiniões acabam sempre por mudar, com o presente a ocupar grande parte da memória.

«A realidade é que, naturalmente, a perceção sobre o Cristiano mudou ao longo dos anos. Já não é visto como o jogador tão dominante que conseguia decidir um jogo completamente sozinho, porque já não tem a mesma capacidade para transportar a bola até à área sem ajuda», começou por revelar Alex.

«Ainda assim, continua a despertar muito respeito por tudo o que a sua figura representa. A sua experiência, liderança e ética de trabalho falam por si. E não nos podemos esquecer de que, dentro da área, continua a ser letal», frisou.

A verdade é que, em Espanha, as «opiniões dividem-se» quanto à continuidade do astro português na Seleção. Uns acreditam que Portugal «deveria acelerar a renovação geracional e dar mais protagonismo» ao talento recente, ao passo que outros «defendem que Ronaldo deve jogar de forma obrigatória».

«A minha opinião situa-se algures entre estas duas perspetivas: acredito que ainda pode ser importante, mas em função do contexto. Deve estar em campo nos momentos decisivos, embora talvez não faça sentido que jogue todos os minutos por decreto», considerou, entrando de seguida no duelo desta segunda-feira:

«Quanto ao jogo, não creio que Ronaldo intimide como fazia há alguns anos, mas também não penso que a sua presença beneficie a seleção espanhola. Continua a ser um futebolista que exige atenção constante e que pode decidir uma eliminatória com uma única ação», sublinhou.

A expectativa e a exigência para este grande jogo são enormes. Quem quiser seguir em frente, terá de se apresentar no melhor nível, tanto coletiva como individualmente.

«A sensação geral é que, embora Portugal esteja a deixar mais dúvidas do que certezas em termos coletivos, há um enorme respeito pelo grupo como um todo quando está ao seu melhor nível. Jogadores como Vitinha, João Neves e Bruno Fernandes são muito difíceis de travar quando assumem um papel de destaque», expressou.

«Foi muito revelador que uma simples substituição tenha gerado tanto destaque»

Parece existir de facto uma sintonia quanto a este assunto, uma vez que Sergio Fernandez, jornalista que acompanhou a carreira de CR7 por largos anos, não testemunhou de forma muito diferente acerca da fase atual do português - inclusive, não mediu tanto nas palavras...

«O papel de Ronaldo na seleção portuguesa é motivo de bastante controvérsia aqui em Espanha. Não percebemos como é que Roberto Martínez, um selecionador que goza de enorme prestígio, tem 'refém' a seleção, ao ponto de ser notícia de destaque o simples facto de substituir o Cristiano», referiu de início.

«Ou seja, contra a Croácia foi substituído e isso tornou-se notícia, o que não parece lógico quando falamos de um jogador de 41 anos, por muito bom que seja. Compreendo que se possa ter uma enorme confiança em Cristiano, mas não faz sentido que o substituir num determinado momento de um jogo gere uma polémica tão grande. Foi praticamente a primeira vez que aconteceu e tornou-se um acontecimento mediático», refletiu ainda.

Felizmente para nós, a substituição acabou por correr bem, com o agora ponta de lança do Milan a cabecear para o triunfo: «Ainda se pode confiar na capacidade finalizadora de Cristiano, mas não ao ponto de ser intocável e jogar todos os minutos de todos os jogos. Por isso, foi muito revelador que uma simples substituição tenha gerado tanto destaque.»

A indignação ficou-se por aqui, mas deste lado ficaremos atentos a possíveis arrependimentos no final da noite...

«Se tivesse de escolher - e obviamente não sou o Luis de la Fuente, nem faço parte da seleção espanhola - preferia que Cristiano jogasse. Não porque seja um mau jogador, mas porque, neste momento, assusta-me mais a velocidade e a mobilidade de avançados como o Gonçalo Ramos ou o João Félix do que a possibilidade de Cristiano receber uma bola na área», disparou.

«Parece ter uma influência muito acima do habitual para um atleta»

A conversa não ficou por aqui e estendeu-se para outros tópicos um pouco mais sensíveis. Para o freelancer espanhol, há a sensação de que Ronaldo tem «um peso muito superior ao de um jogador normal».

«Não apenas em relação ao treinador, mas talvez até dentro das próprias estruturas da Federação Portuguesa de Futebol. Parece ter uma influência muito acima do habitual para um atleta», disse.

«Mas, sinceramente, isso acontece há cerca de quinze anos e já não surpreende ninguém. E há uma opinião bastante generalizada de que, tendo Portugal uma seleção tão forte e tão completa, por vezes parece jogar com menos um jogador», tocou ainda.

Sergio tentou precaver-se de um possível karma; porém, manteve-se convicto na sua forte opinião: «Não considero que a sua presença assuste particularmente a Espanha neste momento. Continua a ser um excelente finalizador, pode marcar de livre, converte penáltis com grande fiabilidade e é sempre um jogador perigoso. Mas já não está na fase da carreira em que mais receio provoca aos adversários

A realidade é que este será o 42.º segundo duelo entre as duas nações. A vantagem é hermana e por muito: são 17 vitórias contra apenas seis triunfos portugueses.

«Estou quase a habituar-me aos confrontos entre Espanha e Portugal. Recordo-me perfeitamente de um jogo do Europeu da Polónia e da Ucrânia, que acompanhei ao vivo, em que uma defesa de Iker Casillas a um remate de Cristiano Ronaldo - daqueles que pareciam destinados a entrar - acabou por ser decisiva», relembrou.

«A Espanha conseguiu seguir em frente e acabaria por conquistar esse Europeu. Vamos ver o que acontece desta vez», vangloriou-se, por fim.

Veremos, então, o que o astro português tem guardado na manga para responder dentro das quatro linhas.

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