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·21 de junio de 2026

André Villas-Boas: “Tenho honrado o passado de Pinto da Costa”

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André Villas-Boas voltou a debruçar-se sobre uma das questões mais sensíveis da vida do FC Porto: a ligação ao legado de Jorge Nuno Pinto da Costa e o papel da sua família nessa memória partilhada. Numa intervenção centrada menos na rutura e mais na gestão do passado, o presidente traçou a linha entre a homenagem institucional e os assuntos familiares, insistindo ainda na necessidade de pacificar o universo portista em torno de uma figura maior da história do clube. E, ao sintetizar a sua posição, assegurou: “honrar o passado”.

Num momento em que qualquer referência ao passado recente do FC Porto ganha forte carga simbólica, André Villas-Boas procurou recentrar o debate no essencial: o clube, a memória e o respeito por uma herança que considera intocável. O presidente falou com a convicção de que o nome de Jorge Nuno Pinto da Costa continua a ser um eixo emocional do portismo, e foi por esse caminho que fez passar a sua mensagem principal.


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Questionado sobre as relações com a família do antigo presidente e sobre as pontes que diz ter procurado construir, Villas-Boas respondeu sem fugir à tensão, mas também sem permitir que ela contaminasse o espaço institucional do clube. A resposta delimitou de forma clara o tributo devido a uma figura histórica e os litígios que pertencem à esfera privada.

“Sim, tentaram cortar pontes… A presença da família de Pinto da Costa é um motivo de aproximação ao nome Pinto da Costa e ao seu legado, um legado familiar, evidentemente. Claro que há uma coisa em que FC Porto não se mete, que são as disputas que têm a ver com essa família. O que nos une é Jorge Nuno Pinto da Costa e é Jorge Nuno Pinto da Costa que une todos os portistas.”, afirmou. “Portanto, tudo o que sucede relativamente à família são homenagens e sobretudo um direito que os assiste de viver a glória que o seu pai atingiu no FC Porto. Agora, o clube tem de estar alheio a tudo o que são as problemáticas familiares. Nesse campo não nos metemos. Convidamos com simpatia a família sempre que há algum evento que achamos que seja importante, relacionado não só com a história de Jorge Nuno Pinto da Costa, mas também com a história do FC Porto, desde logo vencer títulos.”

Mais do que uma resposta de circunstância, a intervenção de Villas-Boas procurou fixar um princípio de atuação: proximidade na evocação, distância nas querelas. Na sua perspetiva, a memória de Pinto da Costa é um espaço comum; tudo o resto é matéria em que o FC Porto recusa envolver-se.

Quando a conversa avançou para a ideia de mágoa e para a hipótese de uma pacificação incompleta no universo portista, o presidente voltou a colocar o foco na responsabilidade de preservar o nome do antigo presidente. Fê-lo com um tom de dever, quase de mandato moral.

“Eu não tenho feito outra coisa que seja honrar o passado de Jorge Nuno Pinto da Costa. É uma obrigação e uma responsabilidade enorme que eu tenho de ter.”, sublinhou. “Tivemos uma afluência histórica ao seu memorial e essa afluência histórica é o cordão umbilical dos portistas com o presidente dos presidentes. Portanto, a minha maior responsabilidade é continuar a elevar e honrar o seu bom nome.”

Nesta passagem, Villas-Boas não falou tanto de reconciliação formal como de continuidade afetiva. A sua leitura é clara: o vínculo entre os portistas e Jorge Nuno Pinto da Costa mantém-se intacto, e cabe à atual liderança tratá-lo com solenidade, sem o confundir com os ruídos laterais que possam surgir em torno da família e da sucessão das memórias.

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