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·4 de febrero de 2026
Arias de volta ao Flu: quanto vale a idolatria?

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Há pouco mais de seis meses, o Fluminense concretizava a venda de Jhon Arias para o Wolverhampton. Atendendo a um pedido do atacante, que sonhava em jogar na Premier League, o negócio foi fechado em 22 milhões de euros, sendo que o Flu teve direito a 16 milhões, e parte do valor ainda ficou por ser diluído em metas. Agora, o jogador planeja voltar ao Brasil e há certa pressão nas Laranjeiras para que o retorno seja para o Tricolor. Mas faz sentido?
Primeiro, vamos tratar exclusivamente do caso de Arias. O Palmeiras ofereceu 25 milhões de euros para contar com o jogador, oferta que agrada aos Wolves. O clube inglês ainda receberia 3 milhões a mais por um atleta que, certamente, sairia no meio do ano com a iminência do rebaixamento.
Só que o Fluminense tem prioridade em caso de retorno de Arias ao futebol brasileiro. Ou seja, se cobrir a oferta e chegar a um acordo com o jogador, Arias iria para as Laranjeiras. E o próprio colombiano já deixou claro, publicamente, que se retornasse ao Brasil, sua primeira opção seria o Flu.
Com a camisa tricolor, Arias fez 230 jogos, marcou 47 gols e deu 55 assistências. Após um início tímido, com dificuldade para se firmar, o colombiano começou a assumir o protagonismo em 2022 e engrenou duas temporadas com 17 assistências, com 16 e 12 gols, respectivamente. Em 2025, já tinha 13 assistências no meio do ano e foi o grande destaque do time no Mundial de Clubes, com a campanha semifinalista que o colocou em evidência no mercado europeu.
Arias foi importante nas grandes conquistas do Flu no período, mas não chegou a ser o protagonista. Pelo menos na principal delas. Na Libertadores, Cano foi o grande nome, sendo o artilheiro e Rei da América. Keno foi o líder em assistências e outros jogadores também dividiram o protagonismo, como Ganso e André.
Com a saída de André e as quedas físicas de Ganso e Cano, Arias passou a assumir as rédeas do time em 2024. Deixou as Laranjeiras com o justo status de ídolo, com os títulos da Liberta, Recopa e um bicampeonato carioca em tempos de supremacia do Flamengo no Rio (o Flu é o único a conseguir fazer frente).
Seis meses depois, porém, o colombiano admite que não deu certo sua passagem na Inglaterra. Não tanto pelas performances individuais, mas pelo coletivo frágil do Wolverhampton. O atacante reencontrou André e atuou ainda ao lado do também brasileiro João Gomes, mas os três juntos não evitaram uma temporada que empilha recordes negativos.
Com o rebaixamento iminente, o Wolverhampton já começa a pensar na próxima temporada, com a Championship como destino realista. Arias, que passou os primeiros 20 jogos pelo clube sem participação direta em gol, pode puxar a fila das saídas.
Sua prioridade segue sendo o Fluminense, mas será que o Tricolor vai igualar a proposta palmeirense? Na verdade a grande questão é: faria sentido fazê-lo?
A verdade é que o Fluminense já começava, desde o início de 2025, a preparar uma vida sem Arias. Quando o colombiano saiu, o clube foi imediatamente ao mercado em busca de peças de reposição. Na sua melhor versão com a camisa tricolor, o colombiano, que durante muito tempo jogou aberto pela direita, flutuou com mais liberdade no corredor central.
O Flu foi em busca de jogadores capazes de performar nas duas funções. Em 2025, trouxe Santi Moreno, ponta direita colombiano, após muito "namorar" Hinestroza, hoje no Vasco. Lucho Acosta chegou para reforçar o corredor central. Ambos não se firmaram em um primeiro momento, mas Acosta, desde o fim da temporada passada, passou a ganhar espaço no time.
Para esta temporada, o Flu trouxe ainda Jefferson Savarino, ex-Botafogo, que é um meia-atacante que pode atuar tanto centralizado ou aberto na esquerda trazendo para dentro. Nas últimas horas, a diretoria se aproximou, ainda, de acertar a chegada do atacante gabonês Denis Bouanga, dos Los Angeles FC.
Bouanga, apesar de poder jogar centralizado como um 9 ou falso 9, atuou na maior parte da carreira aberto na esquerda e trazendo para o meio, ou em uma dupla de ataque - também sempre preferindo o lado esquerdo.
Com essas opções, é muito provável que Kevin Serna atue mais pelo lado direito, onde Agustín Canobbio também é uma opção que entregou bons resultados em 2025. Serna chegou a ter uma proposta considerável do Boca Juniors, mas o Flu rechaçou e renovou seu contrato, valorizando seu último bom recorte nas Laranjeiras.
Com o investimento feito em jogadores para o setor ofensivo desde a saída de Arias, a manutenção dos titulares e a provável chegada de Bouanga (o Palmeiras fez o movimento de mercado na hora exata, como um xeque-mate), faz sentido investir 25 milhões de euros em Arias? Ou seja, bem mais do que recebeu pelo jogador, mesmo que a proposta tricolor envolva o valor ainda não recebido?
A diretoria tricolor se preparou para uma vida pós-Arias e, embora nem todas as apostas tenham dado certo (como Moreno), o time parece estruturado para funcionar sem o ídolo. A questão final parece apenas uma: quanto vale a idolatria?








































