Mantos do Futebol
·31 de marzo de 2026
As camisas mais valiosas do Brasil e o dinheiro das bets por trás delas

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·31 de marzo de 2026

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Durante décadas, bancos, montadoras e empresas de telecomunicações disputaram o espaço mais nobre do futebol brasileiro: o peito das camisas dos grandes clubes. Em menos de três anos, as casas de apostas varreram esse cenário e reescreveram os recordes históricos de patrocínio. O resultado está bordado — literalmente — nos uniformes que os torcedores usam nos estádios e nas ruas.
Vale entender como chegamos aqui, quais camisas carregam os maiores contratos e o que esse movimento diz sobre o novo futebol brasileiro.
Em 2023, as bets patrocinavam 12 dos 20 clubes da Série A como patrocinadoras máster. Em 2025, chegaram a 18 dos 20 — só ficaram de fora o Red Bull Bragantino, ligado à própria marca patrocinadora, e o Mirassol.
O valor total dos contratos máster saltou de R$ 496 milhões em 2023 para R$ 1,1 bilhão em 2025, crescimento de 125% em apenas dois anos, segundo levantamento da agência Jambo Sport Business.
Para ter uma referência: o orçamento anual inteiro de um clube de médio porte na Série A gira em torno de R$ 100 a R$ 150 milhões.
Alguns contratos individuais com bets já superam esse valor com folga. No mapeamento completo das fornecedoras e patrocinadores máster do Brasileirão 2026, dá para ver em detalhes quais marcas ocupam o peito de cada clube nesta temporada.
Para o torcedor que acompanha os uniformes dos clubes, cada logomarca estampada no peito representa um contrato milionário. Quem quiser aproveitar os benefícios dessas plataformas pode comparar as plataformas com bônus de cadastro disponíveis antes de escolher onde apostar — muitas das bets que patrocinam os grandes clubes oferecem créditos iniciais para novos usuários.
O recorde absoluto pertence ao Flamengo. A parceria com a Betano, firmada em 2025 e válida até 2028, paga R$ 268 milhões por ano ao clube rubro-negro — o maior contrato de patrocínio máster já registrado no futebol brasileiro. Para comparação: o mesmo valor financiaria o elenco completo de pelo menos três clubes da parte de baixo da tabela do Brasileirão.
A Betano vai além da camisa: detém os naming rights do Brasileirão Série A e da Copa do Brasil, construindo uma presença que cobre praticamente todos os ângulos do futebol nacional.
O Alviverde fechou com a Sportingbet um contrato de três temporadas, com valor fixo de R$ 100 milhões por ano — podendo chegar a R$ 170 milhões com bônus e correção pela inflação. Total previsto: R$ 300 milhões até 2027.
O acordo inclui ativações em campo, no CT e nas redes sociais do clube, além da presença da marca nas transmissões da Libertadores, torneio em que o Palmeiras é presença frequente nas fases finais.
Após conquistar o Brasileirão e a Libertadores em 2024, o Botafogo negociou de uma posição de força. O resultado foi um contrato com a Vbet de R$ 55 milhões por temporada, totalizando R$ 165 milhões em três anos — o maior da história do clube.
O Atlético-MG assinou com a H2Bet em 2025: R$ 60 milhões por temporada, com possibilidade de chegar a R$ 200 milhões no total via metas esportivas — o maior da história do futebol mineiro. O Cruzeiro trocou a Betfair pela Betnacional para 2026, mantendo um dos maiores acordos de patrocínio da história do clube. O Fluminense segue com a Superbet em um contrato de longo prazo que garante estabilidade financeira ao Tricolor.
A resposta é simples: visibilidade concentrada. Segundo dados da KTO Brasil, o futebol representa 74% dos usuários ativos das plataformas de apostas no país, e 86% de todas as apostas realizadas. O Brasileirão lidera entre os campeonatos mais apostados, com 18,9% do volume total.
Patrocinar um clube grande é, na prática, aparecer em todos os mercados de apostas disponíveis. Cada jogo do Flamengo ou do Palmeiras gera dezenas de milhares de apostas — e a camisa do time aparece em cada transmissão, nas redes sociais e nos dados de performance que as plataformas usam para criar os mercados.
O cenário atual, porém, passou por um ajuste. Como já detalhamos aqui no Mantos, os patrocínios de bet na Série A caíram 25% após dominarem em 2025 — Grêmio, Internacional, Vasco, Bahia e Santos entraram no ano sem patrocinador principal depois de contratos encerrados ou rescindidos.
A leitura do mercado é de realinhamento, não de colapso. As empresas que pagaram valores recordes entre 2023 e 2025 estão agora fazendo as contas do retorno real sobre o investimento — e nem todas chegaram a números positivos. Os contratos que permanecem são mais sólidos, e as bets que seguem no futebol estão claramente apostando em presença de longo prazo.
Poucos objetos refletem tão bem o estado do futebol brasileiro quanto a camisa dos clubes. Nos anos 1990, bancos estatais. Nos 2000, operadoras de telefonia. Nos 2010, uma mistura. Nos anos 2020, as bets — com valores que nenhum patrocinador anterior chegou perto de pagar.
O torcedor que coleciona camisas está, sem saber, documentando uma transformação econômica. E o futebol, como sempre, encontrou uma forma de transformar essa transformação em negócio.









































