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·8 de junio de 2026
Comentador lagartos insulta espectadores em direto na Live Mode TV

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·8 de junio de 2026

Há uma ideia perigosa a circular nos bastidores da televisão desportiva portuguesa: a de que, se o conteúdo é gratuito, a audiência tem de aguentar o que lhe derem. A Live Mode TV está a cometer esse erro com uma naturalidade que devia preocupar os seus investidores, incluindo Cristiano Ronaldo, que figura entre os que apostaram no projeto.
O modelo de transmissão comentada, com convidados em estúdio a reagir ao jogo em tempo real, funciona no Brasil com uma energia e uma cultura próprias difíceis de replicar. Em Portugal, o que existe é uma versão empobrecida do formato, com rostos que raramente acrescentam algo de relevante ao que se passa em campo. A Sport TV já tentou algo semelhante e o resultado tem sido idêntico: pessoas a falar entre si, sem que o espectador perceba exatamente porquê.
O problema não é o formato em si. O problema é quem o ocupa e com que postura.
Ângelo Pestana protagonizou aquilo que nunca devia acontecer numa transmissão com pretensões a crescer: tratou a audiência do chat com desprezo, como se os comentários de quem estava a ver fossem uma inconveniência. A ideia de que, por o jogo ser gratuito, o espectador tem de aceitar ser ignorado ou ridicularizado, é um equívoco de quem nunca percebeu o que é trabalhar para uma audiência.

Trancou os comentários para ninguém perceber quem é.
Gratuito não é sinónimo de impune. A audiência é exatamente o motivo pelo qual qualquer apresentador está ali. Sem ela, não há canal, não há patrocinadores, não há futuro. Tratar os comentários do chat como ruído de fundo é o caminho mais rápido para o silêncio definitivo, aquele em que as pessoas simplesmente fecham a janela e não voltam.
Com um Mundial à porta e uma janela de oportunidade real para conquistar espectadores portugueses, a Live Mode TV está a desperdiçar o momento. Um canal que entra em campo com esta postura, a poucos meses de uma das maiores audiências do desporto mundial, não está a construir, está a destruir.
Quem insulta a audiência que o financia, direta ou indiretamente, não merece uma segunda oportunidade em direto. Merece, isso sim, que lhe expliquem a diferença entre fazer stream para os seus seguidores e trabalhar para um canal com responsabilidade editorial.
A audiência não precisa de pedir desculpa por ter opinião. Quem está do outro lado do ecrã é que devia ter essa consciência antes de abrir a boca.







































