Jogada10
·16 de abril de 2026
Como chega a Costa do Marfim para a Copa do Mundo

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Após 12 anos, a Costa do Marfim está de volta à Copa do Mundo. Os Elefantes retornam ao torneio depois de um ciclo que teve uma das maiores reviravoltas da história do futebol e uma campanha bem sólida ao longo das Eliminatórias.
A seleção iniciou sua caminhada com Jean-Louis Gasset, após ficar de fora de mais uma Copa. Mesmo sendo país-sede, a Costa do Marfim disputou as Eliminatórias da Copa Africana de Nações (Can), com três vitórias e uma derrota para a Zâmbia, em 2023. No mesmo ano, empatou com Marrocos e África do Sul. Nas Eliminatórias para a Copa, estreou com goleada para cima de Seychelles e triunfo contra a Gâmbia.
No torneio continental, apesar da vitória na estreia contra a Guiné-Bissau, teve uma campanha ruim na fase de grupos, com derrota para a Nigéria e goleada devastadora para a Guiné Equatorial. Gasset deixou o cargo, mas os Elefantes se classificaram como quarto melhor terceiro colocado. No mata-mata, Emerse Fae assumiu a seleção e a Costa do Marfim usou a força de casa para eliminar Senegal, Mali e RD Congo, em jogos dramáticos. Na final, reencontrou a Nigéria, e ficou com o título, com gol de Sébastien Haller.

Costa do Marfim conquistou o título da Can de 2023 de forma épica – Foto: Reprodução/Instagram emersefae
Depois da conquista, seguiu a trajetória nas Eliminatórias, vencendo o Gabão, adversário direto, e empatando com a Quênia. Na qualificatória para uma nova Can, se classificou com quatro vitórias e duas derrotas. Por fim, para garantir sua vaga na Copa, venceu cinco dos seis jogos finais, carimbando o passaporte apenas na última rodada, ao bater o Quênia.
Na preparação para retornar ao Mundial, venceu amistosos contra Omã e Escócia, goleou a Coreia do Sul e perdeu para a Arábia Saudita. Na Can do começo do ano, avançou na fase de grupos, mas caiu nas quartas de final, para o Egito. A Costa do Marfim chega à Copa na 35ª posição do ranking da Fifa.
Depois de uma geração estrelada sair de cena, era necessário que novas peças surgissem para a manutenção da seleção marfinense. Um dos nomes que surgiu e ganhou o papel de protagonista da equipe é de Franck Kessié. O meia teve sua primeira convocação logo após a Copa de 2014, mas não estava no elenco campeão da Can de 2015.

Kessié é o capitão da seleção marfinense – Foto: Divulgação/CAF
A partir de 2017, passou a frequentar a seleção regularmente, se tornando capitão a partir da Can de 2023, levantando o título conquistado dentro de casa. Com suas passagens por Milan e Barcelona, Kessié se tornou o grande nome marfinense nos últimos anos. Pela camisa dos Elefantes, atuou em 102 partidas, com 15 gols marcados.
Do dia para a noite, após um dos maiores vexames da história da seleção, Emerse Fae deixou o cargo de auxiliar técnico dos Elefantes e teve que assumir o comando da equipe. O treinador veio para controlar a crise e acabou entrando na história, já que, mesmo em situações adversas, conquistou a Can dentro de casa.

Fae assumiu o cargo em um momento complicado e fez história – Foto: Reprodução/Instagram emersefae
Após o sucesso inicial, ainda como interino, Fae seguiu no cargo e teve números expressivos. O treinador já comandou a seleção em 31 partidas, com 21 vitórias, cinco empates e cinco derrotas. Inclusive, como jogador, o técnico defendeu os Elefantes em 41 jogos, entre 2005 e 2012, atuando na Copa do Mundo de 2006, que marcou a estreia do país no torneio.
Essa será a quarta vez que a Costa do Marfim disputa a Copa. Entretanto, em suas participações anteriores, mesmo com estrelas, como Drogba e Yaya Toure, nunca conseguiu passar da fase de grupos. Afinal, em nove jogos no torneio, os Elefantes venceram três vezes, perderam cinco e empataram um.

Drogba não teve sucesso nas Copas que disputou pelos Elefantes – Foto: Wikimedia Commons
Um dos motivos apontados para o fracasso marfinense é a dificuldade que teve nos grupos. Em 2006, enfrentou Argentina, Holanda e Sérvia e Montenegro, vencendo apenas a seleção dos Bálcãs. Já em 2010, os adversários eram Brasil, Portugal e Coreia do Norte, com empate contra os lusos, mas sem conseguir superar o saldo contra os asiáticos. Por fim, na úlltima participação em 2014, estreou vencendo o Japão, mas perdeu para Colômbia e para a Grécia. Está última de virada, com três bolas na trave e o gol da eliminação sofrido nos acréscimos.
Yahia Fofona; Doué, Kassounou, Ndicka e Konan; Sangaré, Kessié e Seko Fofana; Adingra, Diomande e Guessand.
A Costa do Marfim é um país localizado no noroeste da África, com uma área de 322.463 km² e uma população de 29.389.150 habitantes. O presidente marfinense é Alassane Ouattara, que ainda conta com Robert Beugré Mambé como primeiro-ministro.
Antiga colônia francesa, a Costa do Marfim conquistou sua independência em 1960. O país conta com duas capitais: Abidjã, sede do governo, e Iamussucro, capital constitucional. A economia marfinense tem como grande fonte a agricultura, com o cultivo de cacau, castanha de caju e café, sendo a segunda maior da África Ocidental.
O país atravessou algumas guerra civis. Em uma delas, entre 2002 e 2007, a seleção se tornou um símbolo principal para a negociação pela paz. Afinal, após a primeira classificação para a Copa, na vitória contra o Sudão, em outubro de 2005, Didier Drogba se ajoelhou em rede nacional junto com os seus companheiros clamando pela paz e o diálogo. A tensão seguiu no país ao longo do ano seguinte, mas o cessar-fogo veio em 2007.
Além dos jogadores de futebol, a Costa do Marfim conta celebridades conhecidas no meio musical. É o caso de Alpha Blondy, um dos principais nomes do reggae africano, sendo chamado de Bob Marley do continente por alguns dos seus fãs.

Alpha Blondy é considerado um dos maiores nomes do reggae africano – Foto: Divulgação
Seu trabalho é conhecido por músicas que tem um viés bastante político e de protesto. Inclusive, no começo dos anos 80, Blondy acabou sendo preso em Abidjã e sua música “Brigadier Sabari” se tornou um símbolo de resistência e se tornou um sucesso. Além disso, o cantor é conhecido por ter composições em diferentes línguas, como francês, árabe, inglês, dyula, hebráico e até mesmo crioulo jamaicano.

Elefantes tentam classificação inédita para o mata-mata da Copa – Foto: Divulgação/FIFCI
Depois de um período de ausência e do fim de uma geração que colocou o país no mapa do futebol, os Elefantes querem mais. Com um alívio de um bom ciclo nos últimos e do histórico título da Can de 2023, a Costa do Marfim tentar exorcizar os seus fantasmas e conseguir a tão sonhada vaga no mata-mata. A expectativa é que a seleção marfinense brigue com o Equador pelo posto de segunda força do grupo e, na pior das hipóteses, conquiste uma classificação entre as melhores terceiras colocadas.
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