Como é viver no antigo estádio do Arsenal? «Levanto encomendas onde o Adams e o Henry entravam» | OneFootball

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·15 de abril de 2026

Como é viver no antigo estádio do Arsenal? «Levanto encomendas onde o Adams e o Henry entravam»

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Já todos no cruzámos com variações da expressão 'Para preparar o futuro, é necessário conhecer e respeitar o passado', certo?

Pois bem, e se o 'passado' for agora habitado por centenas de pessoas?


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Confuso? 

Uma visita à intimidade do Arsenal ajuda a clarificar a situação. 

Sendo certo que o Emirates Stadium é um dos estádios mais emblemáticos do futebol inglês - afinal de contas falamos de um recinto relativamente recente e com uma dimensão imponente -, a verdade é que, para muitos adeptos do Arsenal, nada se compara ao Highbury Stadium, casa do clube entre 1913 e 2006.

A distância entre o atual e o antigo estádio dos gunners é curta, cerca de 600 metros. No entanto, quem - tal como a equipa de reportagem do zerozero - se fez deslocar até ao Highbury, vai agora encontrar... um complexo de apartamentos - o espaço foi inaugurado por Arsène Wenger, em 2009.

Ainda que a fachada da bancada este e a estrutura das quatro bancadas se mantenham inalteradas, num cenário que torna percetível que ali já esteve instalado um estádio, a verdade é que, onde outrora houve adeptos a festejar golos e conquista de títulos, agora há pessoas a viver e a trabalhar pacificamente nas secretárias das suas salas.

«Em parte escolhi viver aqui porque sou adepto do Arsenal»

Um casal de brasileiros que esteve em destaque numa reportagem da ESPN Brasil há alguns anos. O ginásio 'Fitness Fit' e a editora de música 'Deluxe Mixing', que também ficam localizados no agora denominado 'Highbury Square'. Cerca de uma dezena de agências imobiliárias de Londres.

Eis todos os contactos que fizemos ainda em Portugal para tentarmos chegar à fala com alguém que viva no antigo estádio do Arsenal. No entanto, as respostas foram nulas ou infrutíferas. 

Assim, não há nada como fazer as coisas da forma como mais gostamos: ir até ao ponto de reportagem e partirmos à descoberta.

Sabíamos de antemão que o facto de esta ser uma propriedade privada poderia impedir-nos de aceder ao seu interior, no caso ao jardim que fica situado dentro das quatro 'bancadas' - o antigo relvado, portanto.

No entanto, no momento em que chegamos ao complexo encontramos um portão aberto e decidimos entrar.

O espaço é agradável, sendo que encontramos logo pais a brincar com os filhos bebés na relva. Além disso, todos os apartamentos cujas salas têm vista para este jardim têm enormes janelas, num cenário que confere uma estética bastante particular ao espaço.

Se tivemos azar com as tentativas de contacto feitas em território português, a verdade é que não podíamos ter tido mais sorte na primeira abordagem que fizemos no Highbury Square. 

«Imagino que vivam aqui. Caso sejam adeptos do Arsenal, posso dar uma palavrinha convosco?», questionamos um casal que está no espaço a passear o cão. 

«Eu não ligo muito a futebol, mas ele sim, é adepto do Arsenal.»

Vanessa, com uma encomenda para deixar nos correios, despede-se de nós; no entanto, Omar disponibiliza-se de forma imediata para conversarmos.

«Para mim é um sonho tornado realidade. Eu sou americano, mas sempre apoiei o Arsenal. Sempre quis viver em Londres, mas nunca pensei que iria viver no estádio do meu clube. É impossível não sentir uma conexão ainda mais forte com o Arsenal, até porque o atual estádio também fica a dez minutos a pé daqui. Estou a viver na história e, ao mesmo tempo, consigo ir com frequência ao estádio que agora é utilizado», começa por nos dizer este consultor financeiro de 29 anos.

De forma natural, arriscamos perguntar se a mudança para Highbury Square foi motivada pelo facto de ser adepto dos gunners:

«Sim, em parte sim. Quando vim para Londres, vivia na parte oeste da cidade e tinha de fazer viagens relativamente longas para ir aos jogos. Assim, comecei a pensar que seria bom conseguir viver mais perto», explica, indo mais longe: 

«A primeira vez que vim ao Highbury foi há dez anos. Houve alguém que me deixou entrar e eu fiquei apaixonado. Tirei algumas fotografias e, logicamente, pensei que seria incrível viver cá. Há cerca de cinco anos comecei a procurar com mais atenção, os preços estavam mais baixos devido à Covid-19 e acabei por me mudar para cá. Ainda assim, vivo num apartamento arrendado, comprar aqui fica muito caro [risos].»

«Dizer que vivo aqui é ótimo para quebrar o gelo numa conversa»

Descrevendo como «bastante calma» a área em que vive, Omar dá ênfase a algo que já tínhamos realçado neste artigo.

«Há pessoas que vivem aqui e que não apoiam o Arsenal, mas não deixa de ser um bom espaço para conviver com a família. Às vezes há moradores que vêm aqui para a relva brincar com os filhos ou beber algo depois do trabalho. Ainda assim, é incrível pensar que estás sentado num local com mais de 100 anos de história», descreve.

E se dúvidas houver em relação à forte componente histórica que está associada a este local, há alguns elementos que ajudam a dissipá-las. Perto do local onde conversamos com Omar há, percebemos mais tarde, um banco que presta homenagem a adeptos cujas cinzas tinham sido espalhadas no relvado do antigo Higbury Stadium. 

Fazendo um pequeno exercício de inversão de papéis, assumimos que, se estivéssemos na posição de Omar, iríamos puxar da 'cartada' de vivermos no antigo estádio do nosso clube várias vezes no nosso grupo de amigos. Para o norte-americano, o cenário não é assim tão diferente...

«É perfeito para quebrar o gelo numa conversa. No trabalho às vezes apanho adeptos do Arsenal e, mesmo não me querendo 'gabar', acabo por dizer que vivo no antigo estádio. Eles ficam encantados; às vezes também viro o ecrã para mostrar a vista que tenho a partir da minha janela e eles ficam impressionados», confessa, dando ainda outro dado curioso:

«Temos um local aqui no condomínio onde são entregues encomendas. No entanto, esse ponto de entregas é exatamente no sítio onde os jogadores entravam no estádio. Ou seja, eu levanto encomendas onde passaram o Charlie George, o Tony Adams e o Thierry Henry

«Esta é uma semana fundamental para as nossas aspirações»

Com a 2.ª mão dos quartos de final da Liga dos Campeões a poucas horas de distância, Omar partilha que está já um pouco ansioso para o duelo com o Sporting- vai assistir ao jogo ao estádio nesta quarta-feira.

«A Premier League é um campeonato realmente complicado e, de certa forma, é bom para a equipa ter um jogo de outra competição. O Sporting é uma equipa forte, mas acredito que, na sua melhor forma, o Arsenal tem reais hipóteses de passar, até porque está em vantagem na eliminatória», auspicia, acrescentando, no entanto, que o jogo do próximo fim de semana com o Manchester City o deixa alerta:

«O jogo deste fim de semana foi muito desapontante, vamos ver agora como será contra o Manchester City. Esta é uma semana fundamental nas nossas aspirações e espero que os jogadores tenham noção disso. Temos de dar tudo, é só o que peço.»

Tem a palavra o plantel do Arsenal...

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