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·16 de julio de 2026

Como Scaloni ensinou a Argentina a ser a Argentina novamente

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O casamento entre Lionel Scaloni e seleção argentina é um dos mais bem sucedidos na história da Copa do Mundo. A prova disso? A Argentina vem do tricampeonato em busca do tetra e disputará sua segunda final consecutiva de forma inédita. 

Quando assumiu a Argentina, em 2018, Scaloni tinha apenas um trabalho na beirada dos gramados, e nem era como treinador principal: duas temporadas depois de sua aposentadoria como jogador, o sul-americano se tornou auxiliar no Sevilla de Jorge Sampaoli e depois rumou junto do comandante à seleção, onde posteriormente herdou o cargo. Hoje, com oito anos no comando da Albiceleste, ele pode se tornar o segundo técnico bicampeão do Mundial.


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Scaloni resgatou a identidade da Argentina

Lionel Scaloni ainda era apenas um ex-lateral argentino quando recebeu o convite da AFA para comandar uma das maiores seleções do mundo. A ideia era resgatar a velha identidade dos Hermanos, com futebol aguerrido, e devolver os bicampeões ao topo do planeta. E assim foi feito.

Desde então, a Albiceleste passou a ressurgir no cenário mundial. Primeiro, conquistou a Copa América no Brasil em 2021. Um ano depois, faturou o terceiro Mundial no Catar. Em 2024, veio mais uma taça da competição sul-americana. No ano posterior, a Argentina terminou as Eliminatórias na primeira colocação com um pé nas costas.

E os resultados não param por aí. Scaloni é o treinador com mais jogos pela seleção (103); com mais gols marcados sob o seu comando (217), mais vitórias (76) e, como imaginado, com o maior aproveitamento (79,6). Em Copas, o comandante se mantém no topo: são 14 partidas, 11 triunfos, dois empates e apenas uma derrota, com incríveis 83,3% dos pontos somados.

A Argentina não tinha resultados expressivos em Copas no século XXI. Caiu na fase de grupos em 2002, parou a história nas quartas em 2006 e 2010, foi vice-campeã em 2014 e não avançou das oitavas em 2018. A equipe que um dia havia sido bicampeã parecia, na verdade, só mais uma.

É aí que entrou Scaloni. Desde que assumiu o comando da equipe, o ex-lateral deixou claro a ideia: jogar como uma seleção sul-americana, jogar como a Argentina, talvez na contramão do que se tornava moda. Um futebol aguerrido e pragmático, em que os atletas colocavam o coração na ponta das chuteiras. Era jogar por Messi, usar o maior e melhor jogador da geração de forma inteligente.

A Argentina joga para e por Messi

Nestes oito anos, os hermanos deixaram claro que a ideia era montar um estilo de jogo a fim de favorecer o camisa 10, e isso deu certo. Messi não era só mais um, era o cara da Argentina. E isso não se via só em campo, com os outros nove jogadores de linha correndo o dobro, quiçá o triplo, só para compensar Leo.

A adoração pelo maior jogador da história do país é clara. Ao fim dos jogos da Copa, tanto no Catar como na América do Norte, Lionel Messi é ovacionado pelos torcedores e homenageado pelos atletas, que o pegam nos ombros e saúdam a torcida, parte crucial dessa reconstrução.

A Argentina voltou a ser um time campeão e mostrou que a camisa pesa muito pelos hinchas, que tornaram Dallas, Miami, Atlanta, Kansas City e Atlanta em bairros de Buenos Aires nesta Copa. E, na semifinal contra a Inglaterra, deixou isso bem claro. Os ingleses começaram melhor, mas os sul-americanos fizeram um típico jogo de Libertadores para trazer a situação ao lado deles: catimbaram, mas com qualidade.

Os comandados de Scaloni souberam o que fazer dentro de campo. Pararam o desfile britânico com faltas, gastaram o tempo e foram fortes mentalmente. Tanto que sequer sentiram o gol dos europeus e, logo na sequência, foram ao ataque, tirando volante e colocando atacante, enquanto os britânicos iam na direção contrária.

Deixaram até a última gota de suor em campo, exalaram valentia, aproveitaram que a Inglaterra havia aberto mão do jogo e foram recompensados com mais uma enorme virada digna de lágrimas.

Tudo isso para evaporar aquela ideia de "Messi pipoqueiro" e que até se aposentou pela seleção para reforçar seu caráter grandioso e confirmá-lo como maior ídolo da história do país. Mas, mais do que isso, para realçar a grandeza da Argentina.

Agora, a Argentina vai em busca do tetracampeonato mundial contra a Espanha. E Nova York deve parecer Buenos Aires neste domingo (19), quem sabe para a última dança de Lionel Messi em Copas com seu bicampeonato.

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