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·8 de mayo de 2026
Conmebol e a ode à barbárie

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Futebol a serviço da selvageria. Assim tem sido o futebol sul-americano com uma constância nefasta. Na noite de ontem, em Medellín, no que deveria ser uma partida entre Independiente Medellín e Flamengo, vimos mais um episódio da falência do esporte no continente.
Até mesmo aqueles que consideram Libertadores e Sul-Americana competições “raízes”, e que romantizavam jogadores cobrando escanteios sob proteção de escudos policiais para não serem atingidos por objetos lançados das arquibancadas, entendem que essa escalada de violência ultrapassou qualquer limite aceitável.
E, mais uma vez, assim como aconteceu em outras duas ocasiões em um intervalo inferior a um ano (no duelo entre Colo-Colo e Fortaleza, em Santiago, e na partida entre Independiente e Universidad de Chile, em Avellaneda), o problema poderia ter sido evitado.
Em crise esportiva e institucional, o Independiente Medellín, em conflito aberto com sua própria torcida, realizou uma reunião emergencial no início da semana com autoridades locais de segurança. No encontro, foi sugerida a realização da partida com portões fechados, justamente pela previsão de um ambiente hostil no dia do evento. Uma medida cautelar, óbvia e necessária.
Do outro lado, porém, o clube colombiano rejeitou prontamente a recomendação e, até com certo orgulho, sustentou que manteria o jogo aberto ao público por questões comerciais e necessidade de arrecadação. Garantiu, ainda, que seria capaz de assegurar a integridade de todos os envolvidos na partida.
A Conmebol assistiu a toda essa construção de forma passiva e concedeu um “voto de confiança” a um clube que já não transmitia confiança nem aos próprios torcedores. Problemas administrativos, escândalos internos, troca recente de treinador… nada indicava qualquer cenário de estabilidade ou controle.
Ainda assim, o planejamento seguiu normalmente e a partida foi mantida com público. Desde a chegada ao Anastasio Girardot, o clima de hostilidade era evidente. Torcedores vestidos de preto, encapuzados e aparentemente preparados para uma verdadeira batalha campal. Nem mesmo esse cenário foi suficiente para impedir que a bola rolasse.
E, pasmem: o jogo começou.
Com apenas um minuto, dezenas de sinalizadores já haviam sido arremessados ao gramado. Alguns atingiram, inclusive, profissionais da imprensa que estavam ali apenas para cobrir a partida.
O resultado era inevitável. O jogo foi paralisado, os jogadores retornaram aos vestiários e, após mais de uma hora de interrupção e constrangimento, veio a confirmação do que todos já sabiam desde o início da semana: não havia qualquer condição de garantir a segurança necessária para a realização da partida.
Passividade e omissão que transformam a Conmebol em coautora de mais um episódio lamentável da história recente do futebol sul-americano.







































