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·3 de febrero de 2026
Corinthians Feminino: o dia em que, por ironia, a derrota virou um detalhe no time mais vencedor do Brasil | OPINIÃO

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·3 de febrero de 2026

Esse texto é de uma corinthiana para corinthianos.
Fim de jogo em Londres. O Arsenal, campeão da Champions League, vence o Corinthians após uma partida extremamente competitiva da equipe brasileira. Com o apito final, a realidade da derrota em um time em que vencer é o padrão provocou sentimentos conflitantes em todos que vivem essa equipe de perto.
À beira do campo, após o apito final, uma cena resumiu o sentimento do torcedor alvinegro. A corinthiana Andressa Alves, aos prantos, é amparada por um torcedor que estava ali para vê-las. Ele pede: “Levanta a cabeça”. Ela o abraça de volta em um gesto que representou o abraço de milhões de pessoas.
O tamanho do orgulho pela luta das jogadoras em campo foi proporcional à decepção por não ter conseguido. A terrível sensação de “dava” vai nos assombrar por muito tempo, mas ela não pode ser maior do que tudo o que essa jornada representou para o Brasil e, principalmente, para o Corinthians.
Esse talvez tenha sido o ápice do Corinthians Feminino até aqui. Em uma instituição cercada por polêmicas, problemas e desconfianças, o futebol das mulheres foi, por muito tempo, a maior e talvez a única certeza. Foi o grande exemplo de conquistas e de luz dentro de um clube em que, muitas vezes, a escuridão parecia o caminho inevitável.
Não é a intenção deste texto desvalorizar a tradição e glórias mil do Corinthians Feminino no passado. Muito pelo contrário. Título da Libertadores contra o maior rival, seis Campeonatos Brasileiros consecutivos, recordes de público, taças e mais taças empilhadas, todos capítulos que devem ser lembrados e enaltecidos.
São dez anos de história desde a reativação, além de todas as tentativas anteriores. Dezenas de jogadoras, funcionários e profissionais que passaram pelo clube até chegar àquelas pessoas que estavam presentes no Emirates Stadium. Muita gente que faz e fez parte de uma jornada que nos levou até ali. Uma jornada extremamente vitoriosa e de muita luta.
A máxima de que no esporte se perde mais do que se ganha nunca se aplicou ao Corinthians Feminino. E quis o destino, em uma ironia que só ele é capaz de pregar, que o clímax dessa trajetória até aqui fosse justamente uma derrota. Para um grupo de pessoas, equipe e torcida, em que perder é incomum e desconfortável.
O ponto central é que a derrota foi apenas um detalhe dentro dessa narrativa. O que ficou foi a emoção do jogo, a sensação de que o resultado poderia ter sido diferente. Tudo isso diante de um bando de loucos que viajou de várias partes da Europa e do Brasil apenas para estar ali naquele dia e fez o Emirates Stadium tremer e sentir algo que nunca sentiu no futebol feminino de clubes. Foi a confirmação de que o Corinthians Feminino é, de fato, o Corinthians para grande parte da torcida.

Harriet Lander – FIFA
Além de quem estava lá, também existem os lindos relatos vindos de Brasília mostrando que, mesmo durante uma final de Supercopa do futebol masculino, haviam pessoas ali, muitas, preocupadas com um jogo a milhares de quilômetros de distância. Vieram também os números objetivos: mais de um milhão de aparelhos conectados à transmissão na CazéTV, um recorde absoluto no futebol feminino de clubes no país a um ano da Copa do Mundo em casa.
O dia 1º de fevereiro de 2026 foi mais do que um resultado negativo dentro de campo, que veio por circunstâncias de jogo, coisas do futebol. Foi a consolidação de tudo o que o Corinthians fez pelo futebol feminino brasileiro e por si mesmo. Foi a doce percepção coletiva de que o Corinthians Feminino chegou lá. E o “lá” é o topo do mundo. E essa é a grande ironia.
O fato de o topo do mundo não ser sinônimo de topo do pódio é o que torna esse capítulo ainda mais bonito. O futebol, afinal, não é apenas o que se ganha, mas o que se constrói. E o que foi construído não precisa de um título para ser consolidado, muito menos pode ser derrubado por uma derrota.
Por isso, quando as 11 jogadoras escolhidas por Lucas Piccinato para iniciar o jogo entraram em campo em Londres, o capítulo mais bonito da nossa história já estava escrito. O que viria depois era detalhe. É por isso devemos ter muito orgulho do que aconteceu.
Fica, então, a certeza de que novos capítulos serão escritos. Talvez mais bonitos, talvez não. Mas eles virão. Com a torcida ao lado, com um orgulho e uma consolidação jamais vista antes na modalidade neste país. E essa foi e é, sim, a maior e mais bonita vitória do Corinthians Feminino em sua história.








































